O sapinho e o escorpião
Ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso. Pois é, mas ser amigo é fatal
De repente, o escorpião picou as costas do sapinho. Assustado, estrebuchava o pequeno batráquio e o escorpião lhe disse: é minha natureza, né. Essa fábula se configura se o Brasil cair nas mãos dos Estados Unidos. Nem o sapinho se salvará.
Esse bolsonarinho candidato foi correndo e pulou no colo do Trump com uma cartinha. A Casa Branca agradeceu pela entrega do Brasil, já no começo de governo do Flávio. Em miúdos, o povo vai votar em quem não vai governar, mas entregar o governo. Ou seja, Flávio quer dar de mão beijada o país aos americanos, às empresas americanas e imobiliárias deles e vêm aqui para receber do Flávio. Quer dar o nosso agro, os nossos minérios, as nossas terras raras, os nossos rios, as nossas praias, os nossos programas sociais, o nosso Pix, o nosso SUS, a nossa Petrobrás toda, o nosso trabalho suado. E tudo só se for pelo seu voto, pelo meu não!
Ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso. Pois é, mas ser amigo é fatal. Para o governo de Washington não há amizade verdadeira, mas interesse, apropriação, não adianta cartinhas de paixões recolhidas.
Belicoso, Trump se indispôs até contra o papa Leão XIV. Esculhambou o pontífice, chamou-o de "fraco". Prevost é americano, entretanto, mais amigo de Jesus que de Trump. Não apoiou as ações de tirania. Apelou à paz no Irã, país no qual Trump matou o líder Khamenei e atingiu escolas públicas, bombardeou indistintamente alvos civis.
Para bom entendedor as palavras de Leão bastam: "Deus, dilacerado pela guerra, não se alia a tiranos. Sem moralidade, a democracia se torna tirania." Quem seria o tirano ou imoral a que se refere o papa?! Atualmente, os mercados geram os tiranos especuladores, que fazem guerras e delapidam bens de nações inteiras.
A cada fala do Trump a bolsa sobe ou cai. Quando diz que houve acordo com o Irã o petróleo baixa o preço. Então, é hora de comprar ações. Se disser que a guerra continua, o preço do petróleo sobe e pode-se ganhar vendendo-se as ações. Os aplicadores de orelhas em pé nessa guerra buscam ganhos em bolsas. Para muitos destes, não importam as vidas humanas e sim ficar alguns milhões mais ricos, mesmo não produzindo sequer um alfinete. É imoral especular com vidas humanas, bem como o uso de armas letais em alvos civis inocentes.
Sob o governo de Trump, os Estados Unidos virou reduto de criminosos em fuga do Brasil, inclusive aqueles os quais Flávio chama de terroristas. Via de regra, os condenados de escândalos financeiros ou atos ilícitos no Brasil buscam guarida por lá. Passeiam por Miami, Orlando, Delaware, Nova Iorque, com o usufruto de seus golpes.
O atual mandatário do Brasil não se submeterá ao fatalismo do Trump. Não ficará como um sapinho amuado à espera da picada do escorpião. Não interessam brigas alheias dos bolsonaros e Michele, boatos e buchichos à toa. Queremos um país soberano e igualitário, preocupa sim os programas de governo. Por certo, ainda sob a liderança de Lula o Brasil seguirá o preceito da Soberania, de país gigante pela própria e legítima natureza e exuberância.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

