O show de palhaços do OTANistão

A pantomima chegou a um ponto sem qualquer precedente diplomático: o Chanceler Sergei Lavrov perdeu sua taoísta paciência

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(Foto: Kirill Kudryavtsev/Pool via REUTERS)


Por Pepe Escobar, para o Strategic-Culture

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

A histeria americana quanto à "iminente" invasão da Ucrânia pela Rússia fez explodir todos os estupidômetros geopolíticos de que se tem notícia - o que já é uma façanha e tanto. 

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Que zorra. Setores do Departamento de Estado norte-americano estão abertamente revoltados com o combo que controla remotamente o Boneco de Teste de Colisão que passa por Presidente dos Estados Unidos. O eixo neocon-neoliberal morre de vontade de ir para a guerra, mas não faz a menor ideia de como vender esse plano a uma opinião pública imensamente fraturada.

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A dobradinha Reino Unido-Estados Unidos que de fato controla a espionagem fraudulenta da Cinco Olhos, só é boa mesmo em  propaganda. Portanto, no final das contas, cabe ao eixo de inteligência CIA/MI6 e sua vasta rede de chihuahuas da mídia acelerar ad infinitum o Medo e o Horror.

A Thinktanklândia russofóbica dos Estados Unidos adoraria uma "invasão russa", assim sem mais nem menos, e não daria a mínima para a inevitável derrocada da Ucrânia. O problema é que a Casa Branca - e o Pentágono – precisam "intervir" de forma enérgica. Caso contrário, enfrentariam uma catastrófica perda de "credibilidade" para o Império. 

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O que essas pessoas querem, então? Elas querem provocar Moscou de todas as maneiras possíveis para que ela ponha em prática a "agressão russa" que resultará em uma guerra relâmpago que, para a Ucrânia, será a estrada para o inferno, mas que trará zero baixas para a OTAN e o Pentágono. 

Então, o Império do Caos irá culpar a Rússia, deslanchar um tsunami de novas sanções, especialmente financeiras, e tentar destruir todo e qualquer vínculo econômico entre a Rússia e o OTANistão.

A realidade determina que nada disso irá acontecer. 

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Todos os expoentes da liderança russa, a começar pelo Presidente Putin, já deixaram bem claro, e repetidamente, o que acontecerá se os ucrodementes lançarem uma guerra-relâmpago sobre Donbass: a Ucrânia será impiedosamente esmagada – e isso se aplica não apenas à gangue etnofascista de Kiev. A Ucrânia deixará de existir como um estado. 

O Ministro da Defesa Shoigu, por seu lado, já usou de todos os tipos de persuasão não exatamente branda, exibindo os bombardeiros Tu-22M3 ou os bombardeiros Cisne Branco Tu-160.

O inestimável Andrei Martyanov explicou de forma conclusiva, inúmeras vezes, que "a OTAN não tem poderio bélico não apenas para 'reagir' a qualquer ação russa, e mesmo que quisesse, não teria meios para lutar uma guerra contra a Rússia".

Martyanov observa que "o arsenal dos Estados Unidos, nem agora nem em um futuro previsível, conta com meios de interceptar os alvos Mach=9-10+, e menos ainda o M=20-27. Essa é a questão. O mesmo método analítico se aplica a uma situação do 404. A única esperança dos Estados Unidos (da OTAN) seria, de algum modo, provocar a Rússia a invadir esse paiseco de merda e então interceptar o máximo de sinais de comunicação (SIGINT) assim que a C4ISR russa entrar em modo de combate total".

Tradução: o que quer que o Império do Caos e sua subsidiária OTAN venham a, direta ou indiretamente, tentar em Donbass, sua humilhação fará a " retirada" do Afeganistão parecer um jantar de gala no House of Gucci.

Ninguém deve esperar que os fantoches sem noção da OTAN – a começar pelo secretário-geral Stoltenberg – entendam os que está em jogo em termos militares. Afinal, trata-se dos mesmos fantoches que vêm construindo uma situação que, em última análise, pode deixar Moscou com uma única e dura opção: estar pronta para travar uma guerra quente de escala total na Europa - que pode ser tornar nuclear em um piscar de olhos. E Moscou está pronta.

Minsk é o problema

Em uma realidade paralela, a "intromissão no 404" – uma deliciosa referência de Martyanov àquele lugar infernal que é pouco mais que um erro de computador – é uma história totalmente diferente. Que se encaixa perfeitamente no ethos da juvenília americana.

Pelo menos, alguns dos adultos, em umas poucas salas especiais, estão conversando. Burns, da CIA, foi a Moscou para tentar extrair alguma garantia de que, mesmo no caso de as Forças Especiais da OTAN serem pegas nos caldeirões - ao estilo Debaltsevo 2015 - que as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, com a ajuda dos russos, irão maquinar, elas teriam permissão para escapar. Seu interlocutor, Patrushev, disse a Burns – diplomaticamente – que ele fosse catar coquinho.

O Chefe do Estado Maior, General Valery Gerasimov, recebeu um telefonema do Chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, General Mark Milley, cujo o objetivo, supostamente, seria assegurar, em pentagonês, "redução de riscos e desconflituação operacional". Nenhum detalhe significativo vazou. 

Resta saber como essa "desconflituação" ocorrerá na prática, já que o Ministro da Defesa Shoigu revelou que bombardeiros americanos com capacidade nuclear  vêm praticando, em excursões por toda a Europa Oriental, "sua capacidade de usar armas nucleares contra a Rússia". Shoigu discutiu detalhadamente essas questões com o Ministro da Defesa da China, Wei Fenghe: afinal, os americanos certamente irão usar os mesmos truques contra a China.

A verdadeira causa de todo esse drama é um assunto sério: Kiev simplesmente se recusa a respeitar o Acordo de Minsk de fevereiro de 2015.

Em poucas palavras, o acordo estipulava que Kiev concederia autonomia a Donbass por meio de uma emenda constitucional denominada de "status especial", promulgaria uma anistia geral e daria início a um diálogo com as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

Ao longo dos anos, Kiev cumpriu exatamente zero de seus compromissos – enquanto a proverbial máquina midiática do OTANistão não parava de despejar fake news sobre a opinião pública global, inventando que a Rússia estaria violando o acordo de Minsk. A Rússia sequer é citada nesse acordo. 

Moscou, na verdade, sempre respeitou o Acordo de Minsk – que se traduz em ver Donbass como parte integrante e autônoma da Ucrânia. Moscou não tem o menor interesse em promover  mudança de regime em Kiev.

A pantomima chegou a um ponto sem qualquer precedente  diplomático: o Chanceler Sergei  Lavrov perdeu sua taoísta paciência.

Lavrov foi forçado pelas circunstâncias a publicar 28 páginas de correspondência entre Moscou, de um lado, e Berlim e Paris, de outro, tratando da preparação de uma reunião de alto nível sobre a questão da Ucrânia.

Moscou, de fato, pedia a implementação de um dos pontos centrais do acordo: um diálogo direto entre Kiev e Donbass. Berlim e Paris disseram que isso seria inaceitável. Então, sim: ambos, para todos os fins práticos destruíram o Acordo de Minsk. A opinião pública de todo o OTANistão não faz a mínima ideia de que isso realmente aconteceu.

Lavrov não mediu palavras: "Estou certo de que vocês entendem a necessidade desta medida pouco convencional, porque se trata de  revelar à comunidade internacional a verdade sobre seu cumprimento, e que as obrigações nos termos do direito internacional, foram acordadas no mais alto escalão". 

Não é de admirar, portanto, que as lideranças de Moscou tenham chegado à conclusão de que conversar com Berlim e Paris sobre a Ucrânia é uma absoluta perda de tempo: eles mentiram, eles trapacearam - e então puseram a culpa na Rússia. Essa "decisão" no nível da União Europeia reflete fielmente a campanha da OTAN de atiçar as chamas de uma iminente "agressão russa" contra a Ucrânia. 

Guerreiros de poltrona, uni-vos!

Por todo o OTANistão, a característica estupidez da ThinkTanklândia norte-americana continua a reinar, congregando incontáveis acólitos que cospem seus assuntos  preferidos: "a implacável subversão russa", a "intimidação" da Ucrânia pelo "bandido" Putin, os russos como "predadores" e tudo isso agora acoplado à "guerra que a China, ávida por poder, move contra os valores ocidentais".

Um picareta britânico, de modo bem tortuoso, conseguiu resumir a impotência - e a insignificância - dominantes, retratando a Europa como vítima, "um ilha democrática sitiada em um mundo anárquico, sob a ameaça de ser inundada por uma onda crescente de autoritarismo, impunidade e quebra de normas internacionais".

A resposta dos Ministros da Defesa do OTANistão foi vir com uma Bússula Estratégica (Strategic Compass) – que, em essência, é uma tramoia anti-Rússia e anti-China - chegando a mencionar "forças de mobilização rápida". Liderado por quem, General Macron?

No pé em que as coisas andam, o pobre OTANistão soluça incontrolavelmente, acusando aqueles meliantes russos - monstros assustadores, para citar David Bowie – de realizar um teste  de mísseis anti-satélite, "zombando das preocupações europeias com segurança". 

Algo deve ter se perdido na tradução. Então, aqui vai o que realmente aconteceu: a Rússia demonstrou conclusivamente ser capaz de destruir cada um dos satélites da OTAN e desbaratar "todos os seus mísseis, aviões e navios, sem falar das forças terrestres", caso eles se decidam por materializar suas ideias belicistas.

É óbvio que aqueles palhaços surdos, mudos e cegos, os guerreiros de poltrona do OTANistão, recém-chegados de sua "performance" afegã, não irão captar a mensagem. Mas, seja como for, o OTANistão jamais foi acusado de ser parcial com a realidade.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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