O silêncio de Temer é ensurdecedor

Parece que a turma do PMDB tem a prática de estourar os tímpanos das pessoas com o silêncio. A prova mais iminente disso é ver o vice-presidente da República, Michel Temer, se calar diante do processo de impeachment

Segundo o dicionário, um oportunista é aquele que sabe tirar proveito das circunstâncias em dado momento em benefício de seus interesses. Certo dia o deputado Chico Alencar, ao perceber que o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, não se pronunciava sobre as suas contas na suíça, soltou um bordão extraordinário: Sr. Presidente, seu silencio é ensurdecedor!

Parece que a turma do PMDB tem a prática de estourar os tímpanos das pessoas com o silêncio. A prova mais iminente disso é ver o vice-presidente da República, Michel Temer, se calar diante do processo de Impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.

O silêncio dele nos ensurdece por alguns motivos: Primeiro porque ele é o presidente do maior partido em números de filiados do Brasil, tinha como dever tomar uma posição enquanto agremiação partidária sobre uma matéria que pode definir o futuro político do país. Segundo porque o PMDB é governo e tem a vice-presidência da República, e qualquer posicionamento favorável ao processo golpista de ruptura da democracia, seria um processo histórico de deslealdade.

A história não esquece seus patriotas e os seus traidores. O golpe branco, como ocorreu no Paraguai já não é mais novidade na América Latina e já ocupa espaços consideráveis na memorização dos nossos historiadores. Espero que o Brasil não estampe esse capítulo, muito menos que o Vice-Presidente da República seja o protagonista. O silêncio consente e qualquer justificativa que não seja o posicionamento firme de um constitucionalista, como ficou conhecido no mundo jurídico Michel Temer, pelo seu caráter de defesa do Estado Democrático de Direito, será uma atitude insana e autodestrutiva de sua biografia.

Ninguém espera que Michel Temer seja um vice-presidente da envergadura de José Alencar, mas o Brasil já sabe as consequências de posicionamentos oportunistas.

Exemplo disso, como ocorreu em 1964, quando o general Amaury Kruel garantiu, com a vida dele, que o presidente João Goulart não ia cair. Dias depois vendeu a democracia brasileira, aceitando as malas de dólares entregues por Raphael de Souza Nochese, então presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), em troca da derrubada de Jango e a tomada de poder pelos militares (Informações da Comissão Nacional da Verdade).

Não nos enganemos, o Golpe muda sua aparência, mas seus efeitos são os mesmos que sufocaram a democracia em 1964, por quase 21 anos.

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