Ricardo Mezavila avatar

Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

469 artigos

AI Gemini

Resumo premium do artigo

Exclusivo para assinantes

Síntese jornalística com foco no essencial, em segundos, para leitura rápida e objetiva.

Fazer login
HOME > blog

O slogan crente-fascista e o grupo de eleitos

Nesses dias de experimentos subjetivos e estranhos, onde um veterinário assume o programa nacional de vacinas contra o coronavírus, onde o negacionismo abstrai contaminados e mortos, nesses dias de cloroquina na farmácia popular e de força nacional contra camponeses, a democracia está em recesso

Compartilhamos dias abstratos e sem precedentes na história da civilização moderna. O povo brasileiro tinha a opção de votar em um professor, um economista, um advogado, um médico, um engenheiro e uma ambientalista, mas elegeu um miliciano. 

O professor, o economista, o advogado, o médico, o engenheiro e a ambientalista, segundo esse povo, praticavam a ‘velha política’, faziam parte de uma bolha ideológica insuportável. Era a hora da mudança, do slogan crente-fascista: “Brasil acima de tudo, deus acima de todos”. 

Confundiram eleitor, o que elege, com eleito, o escolhido.  Praticamente fundaram um novo grupo étnico - capítulo obrigatório nos futuros livros de antropologia -, que explicará o fenômeno desse grupo social complexo, sem senso crítico, ético, moral, que sofre convulsão diante da cultura e ignora princípios básicos de convivência pelo prazer do escárnio ostensivo e menosprezo pela diversidade. 

Acreditaram irmanados que o ‘novo’ viria num amontoado de ódio e preconceito, com discurso ‘hitlerista’ sobre segurança pública, pena de morte, aborto, maioridade penal, religião, família, levantaram a bandeira dos hipócritas e conservadores, demonizando a esquerda ‘comunista’ com a tese de que, caso eleita, implantaria o kit gay e a mamadeira de piroca nas escolas e, de quebra, entregaria o país aos interesses dos russos e dos chineses. 

Se esse povo se interessasse por política, não seria enganado e jamais votaria em um candidato que passou vinte e sete anos vivendo de bravatas e corrupção na Câmara dos Deputados sem apresentar projeto relevante, que ensinou seus  filhos a transformarem gabinetes parlamentares em escritórios do crime, que ameaça e ofende mulheres, pretos, índios, homossexuais, que não tem estatura para ocupar o cargo, que ameaça e não responde jornalistas quando questionado sobre o porquê de Fabrício Queiroz ter depositado R$89 mil na conta de sua esposa. 

Nesses dias de experimentos subjetivos e estranhos, onde um veterinário assume o programa nacional de vacinas contra o coronavírus, onde o negacionismo abstrai contaminados e mortos, nesses dias de cloroquina na farmácia popular e de força nacional contra camponeses, a democracia está em recesso. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.