O tiro no pé do caso Master
"Consultem Angelo Calmon de Sá. Ele pode cantar as pedras"
A celeuma em torno do Caso Master, que cada vez que se adentram os arquivos, mais envolve aqueles que queriam incriminar a esquerda de qualquer forma. Cada vez que se avança e surgem mais nomes, mais se vê que o tiro está indo pela culatra. Agora, avançam medidas para parar a investigação. Agora é tarde. A CPI do INSS recebeu documentos com novos contatos em celulares do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro. Entre outros números, aparecem os nomes do senador Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Lembrando que André Mendonça, ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro quando foi presidente, tirou o acesso da CPMI do INSS aos dados de Daniel Vorcaro e mandou a PF retirar equipamentos da sala-cofre do Congresso.
Assim como deu certo no passado com o indiciamento do presidente Lula por Sérgio Moro, por apenas indícios sem provas e que no momento mundial de avanço da extrema direita no mundo através do golpe na justiça, levando, depois de retirar o candidato favorito a eleição, a prisão. Lembrando que a repercussão de parcialidade levou a ONU acompanhar o julgamento, que as ações de Moro não foram imparciais, comprometendo a lisura do processo e a validade das provas. Agora tentam lacrar com a ideia que o filho do Lula estava envolvido no caso do Banco Master, apenas pela frase “o filho do cara”. Foi o suficiente para fazer sangrar a candidatura de Lula a eleição. Porém, depois da quebra de sigilo, nada foi encontrado.
Temos que lembrar também, que o maior capital da esquerda é ser honesto nas ações. Lula estar no terceiro mandato não é à toa. Desde os anos 70 reviraram a vida do presidente sem encontrar nada. Dilma saiu não pela desonestidade, que todos os partidos concordam, mas por que o golpe estava consolidado em todas as instancias, quando o então senador Romero Jucá diz que "A gente precisa fazer um pacto nacional, com o Supremo, com tudo.”.
ACM Neto, candidato do Bolsonaro ao governo da Bahia, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master. Ciro Nogueira , Presidente do PP e ex-ministro de Bolsonaro tem mensagens sobre uso de helicóptero ligado ao banqueiro e tentativas de lobby. Nikolas Ferreira , Deputado federal citado por utilizar aeronave da Prime You de Vorcaro, durante a campanha de reeleição de Bolsonaro. O próprio Jair Bolsonaro é citado em relação a doações de campanha feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Roberto Campos Neto, ex- presidente do Banco Central é investigações sobre a ajuda ao Banco Master. Tarcísio de Freitas, Governador de São Paulo é citado em doações de campanha vinculadas ao banco. Cláudio Castro, Governador do Rio de Janeiro, mencionado por colocar os fundos de previdência estaduais no banco Master. João Carlos Bacelar , Deputado da Bahia que aparece em negócios imobiliários com o banco, sem esquecer que a mansão de Flávio Bolsonaro foi financiado pelo Master. O Banco Master emprestou R$ 22 milhões para a cunhada de Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, para comprar um terreno de fábrica de cimento em João Pessoa e criar um bairro. Sem falar da ligação de Toffoli e seu resort.
Cada vez surgem mais nomes e não é à toa que o ministro do André Mendonça, determinou sigilo sobre todo o material entregue à CPMI do INSS relacionado à vida privada de Daniel Vorcaro. Isso por quê? Porque também teremos provavelmente uma similaridade ao caso Epstein, guardando as proporções.
Enquanto a população em choque com o maior escândalo bancário da história está na ponta do iceberg, muitos aposentados sofrem com a dificuldade de seu parco dinheiro mensal, por tempo de serviço e com a possibilidade da extrema direita ascender ao poder e colocar tudo debaixo do pano fica apenas com discursos de uma realidade paralela deles. Tal qual o Diretor de Contraterrorismo dos EUA, Joseph Kent que abandona Trump e renuncia devido ao conflito com o Irã, onde falou que não existiam motivos para entrar na guerra. Enquanto o discurso do presidente é o oposto.
Consultem Angelo Calmon de Sá. Ele pode cantar as pedras.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
