O total desprezo do governo Temer pelos mais pobres

Nas últimas semanas, duas notícias antagônicas – e aparentemente desconexas – deixaram claro o modus operandi do governo Temer. Enquanto o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, anunciava a segunda queda consecutiva no valor do salário mínimo, a Credit Suisse divulgava estudo apontando um grande aumento no número de milionários

Presidente Michel Temer deixa hospital em São Paulo 30/10/2017 REUTERS/Nacho Doce
Presidente Michel Temer deixa hospital em São Paulo 30/10/2017 REUTERS/Nacho Doce (Foto: Guilherme Coutinho)
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Nas últimas semanas, duas notícias antagônicas – e aparentemente desconexas – deixaram claro o modus operandi do governo Temer. Enquanto o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, anunciava a segunda queda consecutiva no valor do salário mínimo, a Credit Suisse divulgava estudo apontando um grande aumento no número de milionários. No Brasil pós-golpe o abismo econômico e social só aumenta: ricos se tornam milionários e pobres voltam a ser miseráveis. O atual governo é aristocrático e antidemocrático e convence a classe trabalhadora que só ela deve tomar o remédio amargo em prol do País. Infelizmente, há quem acredite.

Antes de mais nada, é importante destacar que não haveria nada de errado no crescimento do número de abastados, se não fosse acompanhado do aumento da miséria no outro lado do muro. Não existe nada mais vergonhoso para um país que uma desigualdade social tão gritante. E um governo que não faça nada para reduzi-la, e ao contrário, a fomenta, é no mínimo irresponsável e criminoso. Como um Robin Hood às avessas, a distopia temerista tira dos pobres para dar para os ricos.

Vamos analisar esse paradoxo. O Banco Mundial divulgou que o Brasil terá entre 2,5 e 3,6 milhões de novos pobres apenas em 2017. Enquanto isso, a Credit Suiss, divulgou que o número de milionários no país aumentou em 10 mil apenas em 2016 e que o número total de milionários brasileiros deve aumentar em 81% nos próximos 5 anos. Para entender como a crise escolhe lado, basta analisar as condutas adotadas pelo governo.

Para melhorar os indicadores econômicos, Temer tomou algumas medidas: reduziu o salário mínimo, cortou em até 98% alguns programas sociais como o Minha Casa Minha Vida, acabou com o Farmácia Popular, congelou os investimentos em saúde e educação por 20 anos e trabalhou duro na aprovação da reforma trabalhista. O governo ainda aumentou o preço de itens indispensáveis, como o gás de cozinha, a luz e a gasolina. Essas medidas afetaram diretamente as classes menos favorecidas da população, que tiveram seus orçamentos diretamente comprometidos. Mais dinheiro no caixa do governo, significou mais miséria para a população de baixa renda.

Por outro lado, a austeridade não foi a mesma no topo da pirâmide econômica. Por pressão dos milionários do agronegócio, o governo perdoou as dívidas de ruralistas na casa dos 10 bilhões. Temer ainda concedeu benefício fiscal a empresários no Refis. O perdão de juros e encargos de dívidas com empresários, estados e municípios deve chegar a 78 bilhões. Temer não ousou taxar as grandes fortunas e sancionou aumento a carreiras já bem remuneradas do serviço público. As reformas de Temer só atendem ao empregador e prejudicam o empregado. Agora os números começam a fazer sentido.

O governo Temer é um governo de ricos para os ricos. Austeridade só existe para as classes menos favorecidas: uma aristocracia no sentido estrito. O governo despreza completamente a parte da população que mais necessita de ações afirmativas, até porque não foi eleito e não se sente responsável pela população. Temer é uma marionete do mercado que balança no Planalto. E o Brasil volta a ser dividido em duas realidades opostas e longínquas, como foi na era do tucanato.

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