O triplex de Lula ou abrindo caminho pra a juventude na política

A chapa Lula/Haddad e Manu, o triplex vermelhão, sinaliza que mais do que retórica, o discurso sobre a esquerda respirar depende muito dos velhos dirigentes terem a humildade de calçar suas pantufas e deixar as juventude hastear a novidade, dialogar com um mundo onde nós somos o presente e eles o passado

O triplex de Lula ou abrindo caminho pra a juventude na política
O triplex de Lula ou abrindo caminho pra a juventude na política (Foto: Esq.: Thalitta Oshiro / Dir.: João Valério)

No último domingo (05/08), quando em convenção se confirmou a chapa PT/PCO/PROS e a adição de PCdoB, com a possibilidade de caso Lula não possa ser candidato, a chapa ser composta por Haddad com Manuela D'Ávila como vice. Em um universo majoritariamente composto por velhos - homens orbitando a casa dos 60 e poucos anos – Lula acerta, joga o bom jogo e sinaliza que só existe esperança e mudança quando rompermos com a gerontocracia (sistema politico baseado em velhos no poder).

É hora do PT entender a mensagem clara de Lula, precisamos romper com velhos na politica e velhas ideias sobre politica, não existe nada mais antigo que anciões propondo nova politica. E como bem disse Lula em 2015 no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo:

"Tá na hora dos pais e avós ouvirem os seus filhos e netos, a culpa do mundo tal como está não é dessa meninada de trinta, vinte anos. Essa culpa é nossa e precisamos ter a humildade de nos desculparmos e aprender a ouvir os mais jovens".

Não basta apenas os velhos se desculparem, resta aos mesmos sua ultima contribuição civilizatória, deixar que a juventude conduza a trilha até o horizonte de conquistas chamado futuro. As direções Petistas (isso serve para a maior parte dos outros partidos da esquerda continental) precisam ter essa compreensão, entender que com os velhos dirigentes e seu pragmatismo analógico, não se fará nenhum movimento que não seja o recuo. Para tanto se faz necessário um programa de quota de 70% de jovens nas direções municipais, estaduais e nacional. Jornais impressos em plena era digital, servem apenas para forrar gaiola ou embrulhar o peixe comprado na feira. Se faz necessário também romper com grupos familiares, lugar de coronelismo ou revival petit politic da monarquia é na direita. Esquerda é militância, olhar contemporizado e dentro do mundo real e presente. Chega de instrumentalização de arranjos familiares na politica, vereadora professora que nunca militou no sindicato de sua categoria, não sabe o que é um piquete ou greve, mas tem gabinete em nome de algum laço familiar ou matrimonial com algum fugidio dirigente. Esquerda é lutar para que os filhos da classe trabalhadora tenham oportunidade de emprego, educação humanista e saúde alimentar, quando filho de vereador é eleito vereador por conta da biografia do pai, isso costumamos chamar de capitania hereditária.

A chapa Lula/Haddad e Manu, o triplex vermelhão, sinaliza que mais do que retórica, o discurso sobre a esquerda respirar depende muito dos velhos dirigentes terem a humildade de calçar suas pantufas e deixar as juventude hastear a novidade, dialogar com um mundo onde nós somos o presente e eles o passado. Lula sabe das coisas, o filho de Dona Lindu não precisou ser herdeiro de ninguém para ter se tornado um dos maiores vultos da História nacional. Retomar o protagonismo da juventude como dirigente dos rumos do partido é reviver a fundação do maior partido de esquerda do Hemisfério Ocidental, um partido cujos fundadores eram majoritariamente jovens, egressos da Luta Armada, das alas do Catolicismo progressista, do novo sindicalismo, numa fauna politica tão parecida com a de agora, composta majoritariamente por anciões que talvez por vicio ou inveja cuidam apenas em sabotar o futuro. Se faz necessário rejuvenescer, dialogar com o mundo no dialeto das ruas e redes e isso é tarefa de quem no futuro estará. Lula acerta, pois sabe sua limitação humana, somos perecíveis.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247