Obama, o golpista, salva a Globo e condena Lula

"A Globo, brilhantemente, lançou mão de Obama para se aproximar de Bolsonaro, visando, sobretudo, seus interesses ameaçados de não ter renovada, a partir de 2021", diz o colunista César Fonseca. Acusações do norte-americano teriam ou não relação com a resistência do STF em atender pedidos feitos pela defesa de Lula para ter acesso a processos judiciais?, questiona

Barack Obama, Família Marinho e o ex-presidente Lula
Barack Obama, Família Marinho e o ex-presidente Lula (Foto: Divulgação)
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Novo lobista global

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu entrevista ao repórter Pedro Bial, da Globo, divulgada em amplo espaço do JN, para fazer apreciações do momento político global e nacional, quando sai da Casa Branca, Donald Trump, e chega Joe Biden.

Aparentemente, parece entrevista, para lançamento de livro de memórias, como outra qualquer, destacando-se, é claro, a relevância da fala de um ex-presidente do Império, que, por sinal, foi o que conduziu os Estados Unidos em permanente guerra internacional, durante 8 anos, embora tenha sido condecorado com prêmio Nobel da paz, em 2009.

Certamente, é um criminoso de guerra.

Evidentemente, trata-se de cinismo monumental que a geopolítica constrói para conjugar interesses inconfessáveis de Oslo, na sua relação com os poderosos da América.

Mas, no fundo, a fala de Obama tem cara de puro lobby, do seu livro, mas, também, da causa da Globo.

Essencialmente, pelo que ficou explícito, a Globo, brilhantemente, lançou mão de Obama para se aproximar de Bolsonaro, visando, sobretudo, seus interesses ameaçados de não ter renovada, a partir de 2021, concessão estatal para continuar sua programação, politicamente, condenada pelo bolsonarismo fascista.

Obama seria ou não muito útil a Bolsonaro para abrir-lhe relações na Casa Branca, com o novo presidente dos Estados Unidos, que foi seu ex-vice presidente no período de 2013-2017, já que perdeu esse canal político com a derrota de Donald Trump?

Rei Morto, Rei Posto

Disse Obama a Bial que a recomposição das relações de Bolsonaro com a Casa Branca, a partir de agora, sob comando do Partido Democrata, não é algo impossível.

Ela será, perfeitamente, viável, se houver ajustes na condução bolsonarista em diversos setores, mas, principalmente, em relação à política ambiental.

Acompanhando, submissamente, Trump, que rompeu com o acordo de Paris, jogando para o espaço, os acertos globais sobre o clima, Bolsonaro fez o mesmo e abriu a porteira da Amazona para a devastação florestal.

Ficou sujo na praça mundial, comprometendo-se, consequentemente, sua relação com Biden.

Mas, na política cabe tudo.

Nesse contexto, tudo foi articulado de forma brilhante pela Globo, na entrevista conduzida com competência por Bial, alinhado ao neoliberalismo do Instituto Millenium, como se sabe.

A Globo, porta-voz de Washington, no Brasil, terá ou não barrado tentativa de Bolsonaro de detoná-la, negando-lhe mais um período de concessões, se Obama, atuando como lobista dela, usa um álcool-geo diplomático para desinfetar distúrbios verbais de Bolsonaro, que ameaçou, comicamente, Biden com pólvora, se não ocorrer diálogo, relativamente, ao debate sobre a Amazônia?

Bolsonaro recusaria pedido da Casa Branca para aliviar a Globo, tradicional parceira do poder americano em terra brazilis, desde 1964, depois do golpe militar, que apoiou, abertamente?

“O Cara” vira mafioso

De quebra, Barack, que volta a ser alvo dos comentários gerais, lança livro no qual detona o ex-presidente Lula, taxando-o de mafioso e condutor de interesses inconfessáveis, cujas consequências, no cenário político, nacional servem, também, para fortalecer tanto Bolsonaro quanto a própria Globo.

Depois de considerar o presidente brasileiro “o cara”(para ser detonado?), refaz sua fala para expô-lo como criminoso internacional.

Que moral tem Obama para considerar alguém mafioso, logo ele, guerreiro de carteirinha, fantasiado de pacifista, que mandou espionar a presidenta Dilma Rousseff, preparando o golpe de 2016, e de, durante jantar no Itamarati, assinar ordem para bombardear a Líbia, para matar Kadafi, sob gargalhadas de Hilary Clinton?

O fato é que a acusação de Obama fortalece Bolsonaro  e a própria Globo.

O presidente, com essa denúncia obamista, passa a dispor de mais uma arma contra o ex-presidente brasileiro, e a Globo, da mesma forma, vai utilizá-la como mais um argumento na sua tarefa obsessiva de arrebentar com Lula, para inviabilizar, custe o que custar, sua retomada política rumo à Presidência da República.

Law faire jurídico

Teria ou não relação direta ou indireta essa acusação de Obama com as reiteradas resistências do Supremo Tribunal Federal em atender solicitações dos advogados de defesa do ex-presidente de acesso aos processos que, teoricamente, o livrariam de acusações por não conterem provas cabais, capazes de condená-lo?

Ao juízo de abalizados profissionais do Direito, no Brasil e no exterior, inexistiriam tais confirmações categóricas, mas tão somente manifestações explícitas das práticas de lawfare contra Lula, assim como contra políticos cuja sobrevivência política não interessa a Washington.

São os casos de Cristina Kirchner, na Argentina; Rafael Correa, no Equador; Evo Morales, da Bolívia etc, todos militantes do nacionalismo latino-americano contra os quais os neoliberais, alinhados a Washington, buscam inviabilizar, via golpes políticos, seja pela mão pesada militar, seja pela mão leve jurídico-política-parlamentar, como rolou no golpe de 2016, contra Dilma Rousseff etc.

Enfim, Obama, que, agora, parece, virou lobista da Globo, é aquele, que, segundo Mangabeira Unger, é serviçal dos interesses do Pentágono, senhor da guerra, laureado na periferia vira-lata como irresistível negro charmoso, sempre pronto a defender a supremacia branca racista guerreira norte-americana no mundo.

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