Obrigada, presidente Lula!

Obrigada por sempre me fazer enxergar a luz no fim do túnel. Hoje, essa luz é Fernando Haddad - quem você depositou, novamente, a sua confiança e a quem eu terei a honra de dar o meu primeiro voto. E eu te garanto, Lula, que seremos sua voz pois te impediram de gritar

Obrigada, presidente Lula!
Obrigada, presidente Lula! (Foto: Divulgação/João Valerio)

Boa noite, presidente Lula; 

Quando eu tinha 1 ano e alguns meses, vi minha mãe votar em você, contribuindo para te eleger Presidente da República da nossa Pátria Mãe Gentil. Serei ingênua em dizer que lembro do momento, com apenas tão pouca idade, mas sei que você não subiu as rampas do Planalto sozinho. Levou consigo milhões de pessoas. Misturou quem, até então, viveu separado por um preconceito enraizado há tempos. Você nunca teve um projeto de poder. Sempre se embasou em busca de um projeto de sociedade. E, assim, mostrou ao mundo que o povo não é o problema. O povo sempre foi e sempre será a solução. 

Quando eu tinha 5 anos, vi minha mãe votar em você novamente. Aí, eu entendia um pouquinho mais da vida. Era minha fase de questionadora. Queria descobrir tudo, a todo instante. Mamãe sempre me dizia sobre você. Sabe, presidente, ela nunca teve uma vida fácil. Nossa família não é rica, tampouco pobre. Vivemos em condições boas, mas o aperto sempre tem, você sabe melhor do que eu. Minha mãe engravidou quando estava na faculdade. Era uma época mais difícil, ela não tinha como sustentar uma filha no momento. Acredito que tenha sido a experiência mais desafiadora que ela já passou, e, olha, não é porque é minha mãe não, mas ela tirou de letra. Eu ficava com minha avó durante toda a semana e só via meus pais no fim de semana, quando havia um tempinho para isso. Cresci assim, com uma avó extremamente cuidadosa (coisa de vó, né?). Aliás, vovó também vota em você. Aos pouquinhos, a vida foi melhorando. Era uma carne na mesa do almoço todos os dias e um carro na garagem para chamar de “nosso”. Ainda vivíamos de aluguel e o sonho da casa própria ia se aproximando cada vez mais. E foi assim que te conheci. Mamãe sempre me disse que você foi um responsável e tanto por essas melhorias. Crescia em mim o sonho de dar o meu voto ao homem que conseguiu retirar o Brasil do mapa da fome e tirar milhões de pessoas da linha da pobreza.

Quando eu tinha 9 anos, vi minha mãe votar na Dilma. Vi você passar a faixa presidencial à PRIMEIRA MULHER PRESIDENTA DA REPÚBLICA da nossa Pátria Mãe Gentil. Surpreendente. Todos, na época, comentavam eufóricos. As melhorias continuaram. Houve erros e (muitos) acertos - para que não falem que falei apenas das flores e não dos espinhos. Embora fosse nova, foi ali que comecei a entender que gente como eu poderia chegar ao cargo mais alto desse país. E, detalhe, poderia fazer tudo isso dando prioridade ao social.

Quando eu tinha 13 anos, vi minha mãe contribuindo para reeleger A Dilma com mais de 54 milhões de votos. Sua força sempre foi tão grande, mas tão grande, que conseguiu fazer com que transferisse os seus votos a quem você depositou a sua confiança. Nessa época, eu já tinha um entendimento um pouco mais claro das coisas. Colei um adesivo da Dilma no meu celular. Fui a algumas passeatas com minha mãe. Detestava política. Na verdade, acho que eu ainda não conseguia entendê-la. Paradoxalmente, defendia A Dilma de tudo quanto é comentário ruim que chegasse aos meus ouvidos. Sem base, sem argumento. Por amor e por gratidão aos que realmente fizeram algo pelo país que tanto amo. 

Quando eu tinha 14 anos, vi a minha mãe acompanhar, junto comigo, a Presidenta do meu país, eleita democraticamente, sofrendo um processo de um impeachment sem crime de responsabilidade comprovado. Golpeada através do Parlamento, do Judiciário e da Mídia; todos embasados em uma misoginia sem fim, cegando, literalmente, os olhos pois não suportavam ver o pobre deixando de sinônimo de podre e sendo tratado como gente. Foi aí que vi que a inércia é sinônimo de morte. A lei da vida é mesmo mudar. E eu mudei. Cortei o cabelo e deixei com que se levasse, junto a ele, tudo de mal que existia ao meu redor. Estudei política - e muito, aliás. Perdi algumas pessoas. “Ganhei” de presente muitas outras. Chorei. Sorri. Fiquei brava. Me endureci. Não perdi a ternura. Me tornei resiliente. 

Quando eu tinha 15 anos, a minha mãe me levou a um debate e entendi o porquê de me revoltar com tantas injustiças. Tive condições de estudar em uma escola particular durante toda a minha vida. Mas isso não me impede de lutar por uma educação pública de qualidade para aqueles que não desfrutam da mesma situação. Nunca precisei de me preocupar com a comida do dia seguinte. Mas isso não me impede de lutar pela garantia de sobrevivência de muitos através de programas sociais. Afinal, não se deve dar ensinar a pescar quem tem fome. Porque quem tem fome, tem pressa. Não sou negra. Mas isso não me impede de lutar para, de fato, tirar as correntes que ainda são colocadas, metaforicamente, nos pés dos negros. Se as feridas do meu irmão não me causam dor, a minha doença é mais grave que a dele. Vi que não estou sozinha. Somos milhões. E agradecemos a você por ter colocado essa semente dentro de nós. No momento, somos a própria primavera. 

Agora, aos 17 anos, não vou ver minha mãe votar em você novamente. E também não vou realizar o meu sonho de fazer o mesmo. Me impediram de dar o meu primeiro voto ao homem que revolucionou a vida de tanta gente, inclusive a minha, mas me fortaleceram a ponto de gritar aos quatro cantos que eles não venceram. Mamãe pode lhe contar melhor do que eu, presidente, mas vou arriscar. Setembro de 2018. Temos um apartamento próprio, carro na garagem, comida na mesa todos os dias. Porém, o que temos de melhor e mais bonito é a nossa vontade de transformar esse Brasil e fazê-lo, finalmente, FELIZ DE NOVO. Eu detestaria estar do lado de lá. Obrigada, presidente, por sempre me fazer enxergar a luz no fim do túnel. Hoje, essa luz é Fernando Haddad - quem você depositou, novamente, a sua confiança e a quem eu terei a honra de dar o meu primeiro voto. E eu te garanto, Lula, que seremos sua voz pois te impediram de gritar. Seremos seus pés, pois te impediram de sair andando por esse país - então, descanse feliz e guarde as recordações das terras por onde passou, você fez o melhor por nós. Seremos os seus ideais, porque grade nenhuma é capaz de aprisioná-los. Deixo aqui a minha eterna e imensa gratidão por tudo que você fez e a certeza de que tentaremos seguir os seus passos por onde formos. 

E é por isso que vou gritar para que todos, de uma vez por todas, entendam: se EU SOU LULA, EU SOU HADDAD.

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