Odebrecht é o nome da crise

Na nota em que promete colaborar com a Justiça, a empresa de Marcelo Odebrecht, preso há nove meses, transfere a responsabilidade de tudo para o "sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”. Ou seja: quando o maior beneficiário desse modelo protesta contra "o sistema", não poderia haver atestado maior do dano que o financiamento empresarial de campanhas causa à democracia, aponta o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247

Marcelo Odebrecht
Marcelo Odebrecht (Foto: Leonardo Attuch)

A crise política brasileira, que atinge agora seu ápice, tem nome: Odebrecht, empresa alvo de uma devassa policial na última terça-feira 22, que revelou a contabilidade paralela da propina na maior empreiteira do País. Essa crise precede a Lava Jato e remonta a junho de 2013, quando uma onda de manifestações populares começou a demonstrar que havia algo fora da ordem no País.

Naquele momento, quando manifestantes pediam hospitais “padrão Fifa", e questionavam os excessos da Copa do Mundo, com a construção de algumas arenas caras e desnecessárias, havia um grito, ainda que inconsciente, contra o sequestro das políticas públicas pelo dinheiro privado. E nenhuma empresa representa melhor esse modelo do que a Odebrecht.

Na nota em que promete colaborar com a Justiça, a empresa de Marcelo Odebrecht, preso há nove meses, transfere a responsabilidade de tudo para o "sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”. Ou seja: quando o maior beneficiário desse modelo protesta contra "o sistema", não poderia haver atestado maior do dano que o financiamento empresarial de campanhas causa à democracia. E se Marcelo Odebrecht vier mesmo a delatar quem recebeu favores da empresa, o modelo político brasileiro terá que ser reinventado.

Essa reconstrução da política será também favorecida por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que proibiu as doações de empresas. Graças a isso, as eleições municipais de 2018 serão as primeiras sem a contaminação da política pelo dinheiro privado. Com isso, abre-se uma oportunidade para que os orçamentos públicos comecem a refletir mais os desejos dos eleitores do que os dos financiadores dos eleitos. O que já será uma grande conquista para o País.

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