Laís Gouveia avatar

Laís Gouveia

Mineira, jornalista e ativista da mídia livre

75 artigos

HOME > blog

Oito anos no Brasil 247, que completa 15: uma história de aprendizado, jornalismo e gratidão

Quero desejar vida longa ao 247, que siga com sua linha editorial coerente e respeitando os parâmetros que forjam um bom e decente jornalismo

Oito anos no Brasil 247, que completa 15: uma história de aprendizado, jornalismo e gratidão

Era começo de 2018, nem 30 anos eu tinha, e o período era bem difícil. Recém-operada, com 7 pinos na perna e me locomovendo apenas com cadeira de rodas, o dia demorava para passar. Principalmente pela solidão de ficar o dia todo em casa e também por estar sem emprego naquele momento. Que fase complicada.

Um dia eu descobri a TV 247 pelo Youtube e ali encontrei algo que ajudou muito na minha recuperação. Análises políticas muito qualificadas, mas com toque de bom humor, algo inovador naquele momento, que fugia daquele tom terno e cara de salsicha do Bonner. Como seria o tema do 247 mais tarde: jornalismo real, pessoas reais.

Dali então passei a acompanhar a programação diária, sempre atenta. Quando finalmente voltei a andar e a vida voltou a fazer sentido, questionei mentalmente: “uai, mas eu sou jornalista, por que não peço um emprego lá? o não eu já tenho”.

Mandei para o email oficial e nada. Então juntei toda minha cara de pau e mandei uma mensagem inbox para o perfil do 247 no Facebook, para que algum querido visualizasse a mensagem.

E foi o Attuch que leu, pedindo que eu fosse para uma entrevista presencial no Itaim. Cheguei tremendo mais que vara verde e, após uma semana de treinamento, tive o aval do chefe para ser efetivada. Nunca vou esquecer daquele dia, quando de fato soube que tinha um emprego. Andei pelas ruas da Faria Lima ouvindo David Bowie, Let's Dance. Era uma sexta, final de tarde com sol lindo. Me permiti sentar sozinha num boteco e me presentear com uma cerveja gelada. Como é bom ter um emprego, dignidade e ser útil ao mundo. Principalmente fazendo algo que considero justo ao planeta.

E assim os anos foram passando, com a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, crescer como profissional e conhecer o mundo. Nesses 8 anos, vão alguns destaques.

Paulo Moreira Leite – Quando o 247 tinha um escritório presencial, as tardes ao lado deste ilustre jornalista eram formidáveis. Uma característica dele me fez entender o que definitivamente não pode faltar a um jornalista: o senso de curiosidade. E isso não falta a esse senhor tão simpático.

 Certa vez, em um outro momento, minha matéria estava truncada. Pedi ajuda a ele para dar um ar mais fluido ao texto. Em segundos, o homem transformou meu texto mais bruta que rapadura em uma sinfonia de Beethoven. Que privilégio o meu poder conhecer mestres generosos.

Gisele – Querida Gisele. Dura quando tinha que ser (sim, eu precisava aprender e muito ali para avançar), mas tão carinhosa e prestativa quando também havia necessidade. Certa vez tive uma crise absurda de pânico prestes a fazer uma gravação. Saí correndo, simplesmente abandonei tudo. Quem convive com isso sabe do que estou falando. Graças a Deus melhorei muito. Mas, voltando ao assunto, ali eu tive a certeza de que seria catapultada. Mas, ao contrário disso, ela me falou: “não vou tratar saúde mental com desdém e nem te diminuir por isso, vou lhe prestar ajuda. O que você precisa, Laís?”

Gisele, querida, obrigada por isso e por tantas outras coisas maravilhosas. Não foi à toa que eu chorei feito criança quando você anunciou que sairia do 247 para assumir cargo no ministério. E segue brilhando demais!

Dhayane Santos – Já trabalhava com essa mulher extraordinária no portal Vermelho e sigo aqui. Que alegria poder dividir meu tempo com alguém tão foda. Ela segura pião, masca chiclete, chupa cana e assobia ao mesmo tempo, mas sempre com um tom de respeito. Ela carrega o piano e deve sim ter todas as honrarias da casa. Sua linda, te adoro! 

Attuch – Bom, eu odeio esse lugar de puxa-saco de chefe, por isso vou ser breve. Mas preciso sim reconhecer que a minha vida, ao longo desses 8 anos, melhorou. Obrigada pela oportunidade de fazer jornalismo na Rússia e em Berlim (cobrir a visita do presidente Lula por lá foi um diamante que carrego com muito, muito carinho). Obrigada pelo home office (sim, isso é qualidade de vida) e por ver no meu trabalho um ponto que fortalece a rede 247. Serei e sou muito grata a tudo, sempre.

Aos editores - Meus queridos colegas de dia a dia, da edição do site, que eu considero ser peça-chave, uma espécie de celula mãe do Brasil 247. Aqui que todos os dias eu me encontro, com meu café com leite nas mãos, às 6 da matina. Como eu  aprendo diariamente com vocês. Um abraço especial para os grandes editores Paulo Emílio e Guilherme Levorato. Sei bem que segurar o piano não é fácil, mas a competência sempre prevalece. 

Enfim, são tantos profissionais maravilhosos que fazem o 247 ser grandão, respeitado aqui, em Pequim, Damasco ou Moscou. Quero desejar vida longa ao 247, que siga com sua linha editorial coerente e respeitando os parâmetros que forjam um bom e decente jornalismo.

Um brinde ao 247!

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.