Olavo de Carvalho é o Inri Cristo da política

O colunista Gustavo Conde analisa o discurso delirante de Olavo de Carvalho à luz da teoria sobre a loucura, de Michel Foucault. Ele diz: "eu diria que há 'loucos' e 'loucos'. Olavo é uma espécie de Inri Cristo da política. É divertido e entretém, sobretudo pelas extravagâncias técnicas, pelos delírios retóricos e pelo narcisismo estrutural (...) O detalhe é que muita gente o leva verdadeiramente a sério"

A atenção jornalística dedicada a Olavo de Carvalho contradiz a tese de Foucault sobre a loucura. Segundo Foucault - em linhas gerais - a palavra do louco foi excluída do discurso público.

A tese de Foucault postula que o discurso do "louco" seria um discurso como qualquer outro e que foi bloqueado por uma força censora social em função do "perigo" que ele representaria para a ordem da "razão".

Mas quando a gente vê um 'louco' como Olavo de Carvalho colecionando a atenção da mídia, da crítica e da política, a gente percebe que há nuances a serem consideradas na percepção do discurso do 'louco'.

Eu já ofereceria uma tese de antemão. Olavo de Carvalho, mentalmente desequilibrado que é, utiliza o ethos acadêmico para chancelar o seu dizer.

Ele se veste como um professor, gesticula como professor (professor prepotente, é verdade) e cliva sua argumentação com o mecanicismo inerente ao tom professoral: digressões, entoações e muita iconoclastia.

Daí decorre a formação de sua "igrejinha", da massa de seguidores proscritos da educação formal e do pensamento critico levado institucionalmente a sério. Essa legião de rejeitados veem em Olavo de Carvalho uma oportunidade para pertencer ao mundo da crítica e do pensamento.

Mas não deixa de ser um fenômeno curioso.

Eu diria que há 'loucos' e 'loucos'. Olavo é uma espécie de Inri Cristo da política. É divertido e entretém, sobretudo pelas extravagâncias técnicas, pelos delírios retóricos e pelo narcisismo estrutural.

O detalhe é que muita gente o leva verdadeiramente a sério - e concretiza suas "teses" no campo da ação política, o que, por extensão, explica essa onda de violência terrorista que começa a se alastrar pelo Brasil.

Olavo de Carvalho é, sem dúvida, um caso de pesquisa futura na área da psiquiatria. Seu cérebro deveria ser congelado para autópsia posterior, quando a ciência forense estiver à altura do vocabulário técnico necessário para enquadrar o volume fisiológico de seus distúrbios.

Por ora, resta-nos agradecer por ele estar nos EUA, terra de Charles Manson, Mark Chapman e tantos outros apologistas-assassinos circunscritos na bolha de ódio do fanatismo motivado, revestido com cifras  verbais de loucura violenta. 

É o único lugar em que ele pode estar, até porque ninguém lá o conhece (apenas Donald Trump, outro complicador para as teses de Foucault). 

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