Olavo de Carvalho, o senhor dos absurdos filosóficos

Olavo de Carvalho pode ser considerado uma versão masculina, porém, sem a menor graça, de "Senhora dos absurdos", personagem ficcional criado pelo humorista Paulo Gustavo, como forma de crítica satirizada ao comportamento e ao pensamento da maioria das madames tradicionais e conservadoras de nossa sociedade

Olavo de Carvalho, o senhor dos absurdos filosóficos
Olavo de Carvalho, o senhor dos absurdos filosóficos

Voltou a viralizar nas redes sociais uma antiga postagem do filósofo Olavo de Carvalho, na qual ele ataca Chico Buarque e diz que sambista não pode ser chamado de compositor. Muitos devem estar se perguntando: Quem é Olavo de Carvalho para fazer tal declaração? Segundo a Wikipédia, Olavo de Carvalho é, além de filósofo, escritor, jornalista, ensaísta e conferencista. A mesma fonte diz que Olavo foi astrólogo antes de dedicar-se à filosofia. Apesar de possuir um release bem atraente, não há nada que comprove a sua formação em todas essas áreas. O que poderia nos levar a questionar a sua condição.

"Compositor é uma coisa. Sambista é outra. Chico (Buarque) é apenas um sambista que comprou um dicionário de rimas". A frase poderia ser atribuída a qualquer ignorante ou a qualquer um que estivesse sob forte efeito de substâncias proibidas. Porém, a frase é de autoria de Olavo de Carvalho. Que segue: "Esse negócio de chamar sambista de 'compositor' já deu no saco. Juntar umas palavrinhas com umas notinhas de violão não é compor coisa nenhuma. É só 'dar um jeitinho'. Ser uma gracinha, não é ser gênio (referindo-se a Chico Buarque) O culto nacional do insignificante é um sintoma de depressão" Pura filosofia.

O mesmo Olavo já declarou em entrevista à Folha de S.Paulo que: "Quanto mais educação sexual, mais putaria nas escolas. No fim, está ensinando criancinha a dar a bunda, chupar pica, espremer peitinho da outra em público". Vale lembrar que Olavo de Carvalho é o guru do presidente eleito, Jair Bolsonaro, o que nos deixa na iminência de um governo, cuja filosofia é barata e burra. Por outro lado, não podemos questionar a coerência do futuro presidente, no que diz respeito a escolha de seus mentores, apoiadores e integrantes do novo governo. Todos têm algo em comum. O pensamento. Retrógado, preconceituoso e de racionalidade duvidosa.

Quando o filósofo em questão nega o título de compositor a sambistas, ignora a obra de Cartola, Ismael Silva, Paulinho da Viola, Wilson das Neves, Monsueto, do próprio Chico Buarque e de outros tantos mestres do gênero. Fica evidente também, o seu preconceito social e racial, com a origem do samba. Em um dos poucos vídeos que assisti desse filósofo, ele dizia que os pretos americanos ricos, se comportavam socialmente como brancos. Andavam de cabeça erguida, eram "metidos" e revidavam as injúrias raciais sofridas. O que ele considerava racismo reverso.

Tal pensamento deixa claro que, para o filósofo, os brancos são superiores, e, portanto, os pretos que ousam a andar de cabeça erguida e não aceitam desaforos dos racistas, são abusados e querem se igualar a eles. Afinal, segundo a tradição e o conservadorismo que o filósofo defende, ter dignidade é, historicamente, um privilégio branco. Voltando à sua definição de "compositor", o mesmo exalta Heitor Villa Lobos e Hekel Tavares, como sendo os dois maiores compositores brasileiros, e, considera Chico Buarque e todos os outros sambistas, um nada perto deles. Não por acaso, Villa Lobos e Hekel, além de terem sido, de fato, grandes nomes da nossa música, eram brancos e eruditos. Como manda a tradição.

Olavo de Carvalho pode ser considerado uma versão masculina, porém, sem a menor graça, de "Senhora dos absurdos", personagem ficcional criado pelo humorista Paulo Gustavo, como forma de crítica satirizada ao comportamento e ao pensamento da maioria das madames tradicionais e conservadoras de nossa sociedade. A retórica e a "filosofia" dos dois, observem, são bem parecidas. Seus discursos são baseados na estupidez inerente a ambos, disfarçada de senso crítico moral e na auto afirmação dos próprios conceitos, propagados como uma visão filosófica, única, absoluta e inteligente. Uma prova disso, é que na mesma entrevista à Folha de São Paulo, Olavo de Carvalho disse que não existe nenhum intelectual de esquerda à sua altura, e, nem à altura de seus alunos.

Se eu fosse batizar a vertente filosófica de Olavo de Carvalho, eu a chamaria de "Filosofia dos absurdos", ou de "O samba do filósofo doido". Talvez nada defina melhor a sua junção de arrogância, prepotência, religiosidade, capitalismo, distopia social, moralismo e indecência verbal. O símbolo poderia ser um charuto e um cigarro cruzados, numa sátira ao comunismo que ele tanto odeia e em exaltação ao seu hábito de fumar incessantemente, enquanto articula as suas ideias. Olavo é um blefe! Assim como o futuro governo que se aproxima. A autoestima de seus posicionamentos, esconde toda a incapacidade mental que os pontua.

Parafraseando Cartola, em sua célebre "O mundo é um moinho", eu diria que ainda é cedo, Olavo. Mal começaste a por em prática as suas ideias no novo governo, e já anuncias que o mesmo será um desastre. E depois, o povo é quem ficará sem saber o rumo que irá tomar. Perdido, oprimido, sem direitos, sem dignidade, triturado por um moinho fascista que irá destruir os seus sonhos, por mais mínimos que sejam e reduzir as suas esperanças a pó. Fazendo-o herdar a beira de um abismo, que ele cavou com o próprio voto, metendo os próprios pés pelas mãos.

Prestem atenção, queridos!

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