Onde estão agora os inimigos da constituinte?

Há muito sabemos que a constituinte exclusiva é o meio mais democrático e transparente de realizar as mudanças necessárias no sistema político brasileiro, especialmente as normas do processo eleitoral

www.brasil247.com - Há muito sabemos que a constituinte exclusiva é o meio mais democrático e transparente de realizar as mudanças necessárias no sistema político brasileiro, especialmente as normas do processo eleitoral
Há muito sabemos que a constituinte exclusiva é o meio mais democrático e transparente de realizar as mudanças necessárias no sistema político brasileiro, especialmente as normas do processo eleitoral (Foto: Guilherme Scalzilli)


A ideia de uma assembléia exclusiva para a reforma política ressurgiu no calor das manifestações de 2013 e imediatamente foi repudiada por setores midiáticos, jurídicos e partidários. Essa reação teve certo ranço ideológico, pois visava minar a resposta que o governo federal e as legendas de esquerda ofereciam aos supostos anseios populares.

Há muito sabemos que a constituinte exclusiva é o meio mais democrático e transparente de realizar as mudanças necessárias no sistema político brasileiro, especialmente as normas do processo eleitoral. Escolhendo representantes para essa tarefa específica, o cidadão pode analisar e discutir suas propostas pontuais, sem a interferência de outros apelos oportunistas.

Os detratores da proposta alegam que o Congresso já possui tais prerrogativas. É um argumento malicioso. Primeiro porque os parlamentares não se comprometeram com essa função durante as candidaturas, nem precisaram explicitar posicionamentos a respeito. Segundo, e mais importante, porque eles jamais extirparão privilégios ou contrariarão interesses poderosíssimos que os beneficiam.

Eis os motivos óbvios de no mínimo submeter o tema a plebiscito. Se o poder dos congressistas emana do povo, a ele caberia também decidir a extensão prática dessa competência. Nem isso pareceu aceitável aos puristas, que certamente adivinhavam o resultado da consulta. Sempre vigilantes na demonização do Legislativo, preferiram sabotar a única via possível de moralizá-lo um pouco.

O resultado está aí: um pacote de medidas discutíveis que não alteram a essência viciada do mecanismo sufragista e que foram impostas à sociedade através de negociações comandadas pelo inclassificável Eduardo Cunha. Tudo a toque de caixa, traindo acordos prévios e violando a Constituição.

É interessante notar o sumiço repentino dos adversários da participação popular na reforma política. Eles só estavam preocupados com o desgaste do governo federal, em detrimento do benefício coletivo. Exigiram maior representatividade apenas quando o Planalto parecia incapaz de aprimorá-la. Bastou aparecer uma alternativa e correram defender a própria falta de representatividade.

Não surpreende, portanto, que aceitem as migalhas da farsa reformista. A campanha contra a constituinte e, depois, as manifestações de rua conclamadas pela mídia, visavam justamente inviabilizar as mudanças propostas pela esquerda. Mantidas as coisas como estavam, os conservadores respiram aliviados.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

Cortes 247

WhatsApp Facebook Twitter Email