Onyx na Educação será outro erro

Tereza Cruvinel, do Jornalistas pela Democracia, avalia que, se Onyx Lorenzoni sair da Casa Civil para o MEC também é "uma forma de não acirrar a briga com aliado importante como Rodrigo Maia, em cujas mãos o governo come para tocar o programa de reformas neoliberais". É necessário alguém com um "mínimo de preparo técnico" para o ministério, reforça

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Tereza Cruvinel, do Jornalistas pela Democracia

O MEC é uma pasta importante demais para ser usada por Bolsonaro como saída honrosa para Onyx Lorenzoni, que ele quer tirar da Casa Civil. Bolsonaro errará pela terceira vez na Educação se fizer isso.  Em seus 38 dias no cargo, o olavista Vélez Rodrigues deu início ao processo de desorganização das estruturas do MEC. Acabou sendo demitido por “falta de expertise” e foi substituído por alguém ainda pior, o desastroso Abrahan Weintraub. Sua substituição pelo veterinário Onyx, também desprovido de qualquer experiência no setor, será outro erro.

Weintraub, antes de conseguir desmoralizar o ENEM, declarou guerra às universidadades e à comunidade acadêmica, baixando medidas esdrúxulas, como que a proíbe a participação de mais de um representante de cada unidade universitária (faculdade ou departamento) em eventos acadêmicos.  Recentemente ele espantou o mundo acadêmico, aqui e lá fora, ano nomear o criacionista Benedito Guimarães Aguiar Neto como presidente da Capes, órgão que trata das bolsas para pós-graduação e pesquisa científica. Ele anunciou como feito o piso nacional da educação, na verdade criado por Fernando Haddad. E mesmo o piso está ameaçado porque Weintraub não move uma palha para que o Congresso aprove a renovação do Fundeb, programa que aloca recursos federais aos estados. Não se tem notícia de qualquer inovação de Weintraub em sua gestão. O que ele gosta mesmo é de soltar bombinhas ideológicas nas redes sociais, para marcar ponto com o chefe. Mas a lambança das últimas semanas foi tanta que Bolsonaro parece disposto a se livrar dele, acatando os conselhos do núcleo militar. O coro por sua demissão vem de todos os quadrantes.

Onyx não quer sair do governo. Desembarcou no Brasil dizendo que não pensa nisso, apesar da fritura em fogo alto. Já tendo perdido a coordenação política, com a transferência do programa PPI para a Economia sua pasta foi completamente esvaziada.  Mas como ele planos eleitorais no Rio Grande do Sul, onde pretende disputar o governo, não quer passar três anos no sereno. Aceitará qualquer saída honrosa, desde que no Executivo. Ele é deputado federal mas sabe que cargos parlamentares, como o de líder do Governo, não garantem tinta na caneta. Para Bolsonaro, preservá-lo no governo é também uma forma de não acirrar a briga com aliado importante como Rodrigo Maia, em cujas mãos o governo come para tocar o programa de reformas neoliberais. Que faça isso, mas não colocando Onyx no MEC.

Onyx é médico veterinário, e até se eleger deputado pela primeira vez em 2002, o que fazia era gerir a clínica veterinária da família. Sempre foi um deputado ativo, sempre esteve na vanguarda da direita parlamentar mas nunca teve afinidade com o tema da educação.

Se Bolsonaro quer consertar o estrago feito por seus dois primeiros ministros, terá que procurar um nome que, sendo conservador, disponha de um mínimo de preparo técnico dirigir um ministério tão importante para o futuro do país. 

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