Operação contra Jaques Wagner vira ferramenta de ataques a Lula
Reimont levanta suspeita de vazamento prévio para Flávio Bolsonaro
As narrativas fascistas, que se transformam em verdades paralelas, são muitas vezes sustentadas por armadilhas factuais, com elementos capazes de dar base real à fantasia. Há vários exemplos, mas o mais recente e mais simbólico é, sem dúvida, o caso do Banco Master.
A operação que teve como alvo o senador Jaques Wagner, líder do Governo na Casa, é, no momento, a oportunidade que os fascistas esperavam ansiosamente para sustentar as suas delirantes narrativas. Imediatamente após o fato, a extrema direita foi às redes sociais, ao noticiário e aos palanques para sustentar que o banco Master é cria do PT e de Lula, com extrema virulência, como é do feitio deles. Colunistas da imprensa hegemônica, que andavam recuados, voltaram a atacar fortemente o PT e, principalmente, o presidente Lula, o verdadeiro alvo dos ataques.
Tudo isso vem no momento em que Lula cresce nas pesquisas, o governo recupera aprovação e a sociedade começa a perceber os projetos em disputa nas eleições – de um lado, um país soberano, democrático e com justiça socioambiental e, do outro, uma república entregue aos interesses norte-americanos, teocrática, excludente, fascista e cuja maior proposta é libertar Jair e Eduardo.
Não é teoria da conspiração. A movimentação em tudo se assemelha ao que vimos em 2014, quando, na véspera do segundo turno da eleição presidencial, entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, a revista Veja estampou na capa a manchete "Eles sabiam de tudo", exibindo uma sinistra montagem fotográfica de Dilma e Lula, relacionando os dois às suspeitas de corrupção na Petrobras.
Não podemos esquecer isso, essas manobras golpistas que ameaçam a nossa frágil democracia.
Há, claramente, um desequilíbrio nas investigações sobre o Banco Master, deixando os peixes graúdos da direita, especialmente a família Bolsonaro, livres de ações de busca e apreensão.
A família, de estreitas e super milionárias relações com Daniel Vorcaro – como revelou o Intercept Brasil, que trouxe as provas à tona –, não foi alvo de qualquer operação até o momento. É incompreensível, porque a extensão desse relacionamento chegou ao ponto do senador visitar Vorcaro quando este se encontrava em prisão domiciliar, sem comunicar às autoridades de custódia, o que é crime.
Mas é pior. Esta semana, surgiram indícios muito fortes de que esta família, que conspira contra o Brasil, está recebendo informações privilegiadas sobre as operações policiais do caso Master, o que é gravíssimo! O maior indício foi oferecido pelo próprio Flávio Bolsonaro que, na terça-feira, 16/06, postou nas suas redes um vídeo de IA, em que ele e o pai aparecem como pilotos de um filme Top Gun, anunciando uma bomba que explodiria na quinta-feira, 18/06, contra o PCC, o CV e o PT (Flávio, o mermão de Vorcaro, usa e abusa do artifício criminoso de sempre juntar as três siglas).
Na quinta, o senador Jaques Wagner foi alvo de uma operação da Polícia Federal.
Não foi uma coincidência. Flávio, obviamente, recebeu informações prévias da operação que incluiu Jaques Wagner. Quem vazou? Quem está trabalhando, dentro das instituições, para abastecer a família? Isso precisa ser urgentemente esclarecido.
Todos precisam ser investigados. Todos, sem exceção e sem seletividade. A filtragem camarada compromete a credibilidade das investigações e, pior, levanta a suspeita de articulação de uma nova Lava-Jato.
A trajetória de Daniel Vorcaro e o Banco Master só existiu por conta das ações do governo Jair Bolsonaro e só foi interrompida pelas ações do governo Lula.
De 2017 a 2019, o Banco Central, então presidido por Ilan Goldfajn, negou ao menos dois pedidos apresentados por Vorcaro para a compra do Banco Máxima, que deu origem ao Master. Pois em 14 de outubro de 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro e com a chegada de Roberto Campos Neto ao BC, a instituição aprovou o negócio bilionário. Em 2021, no Governo Bolsonaro, o Banco Máxima virou o Banco Master.
Em novembro de 2025, no governo Lula e com a chegada de Gabriel Galípolo ao BC, foi decretada a liquidação do Master e as fraudes bilionárias começaram a ser investigadas.
Com todos esses elementos publicamente conhecidos, Campos Neto, Flávio e Eduardo Bolsonaro jamais foram alvos de quaisquer ações de investigação.
Neste cenário, a eleição de 2026 será decidida pela nossa atuação firme na divulgação dos fatos. A tal polarização é a polarização da mentira e dos apagamentos da História contra os fatos. Precisamos trabalhar com esse desafio. Vamos ganhar, mas temos que entrar em campo com toda a nossa força e união. Isso cabe a cada uma e cada um de nós.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

