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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Operação contra Lula não afeta impeachment

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Antes que a operação de guerra montada contra Lula esta manhã seja utilizada como mais um motivo para "esquentar" o moribundo impeachment é bom lembrar que na entrevista da força tarefa da Lava Jato, agora há pouco, em Curitiba, ficou claro que 1) a operação disse respeito a investigar se dinheiro de empreiteiras envolvidas no escândalo Petrobrás entrou nas contas do Instituto Lula, dele ou das empresas de seus filhos e 2) a presidente Dilma não está sendo investigada na Lava Jato.

Feita a ressalva necessária, pois não há dúvida que a essa altura tanto a oposição quanto outros inimigos do governo conspiram para transformar uma ação dirigida contra o ex-presidente em torpedo contra a atual presidente, e vão tentar espalhar a mentira na opinião pública brasileira, perplexa o suficiente para acreditar nela, para que ela pressione os deputados e senadores, fiquei preocupado com as fotos que vi, principalmente as barricadas proibindo acesso ao Instituto Lula protegidas por soldados armados com metralhadoras e vestidos para a guerra.

A cena, totalmente desnecessária, pois não consta que se esperava que do lado de dentro do instituto houvesse reação armada contra a busca e apreensão autorizada pelo juiz Sergio Moro me remeteu imediatamente aos idos de setembro de 1973.

Às 6 da manhã do dia 4 de setembro daquele ano quando atendi à campainha e dei de cara com um homem que se dizia pai de um amigo meu preocupado por ele ainda não ter voltado para casa e dei um passo para fora fui atacado por dois homens armados com metralhadoras de um dos quais levei um soco no estômago e fui conduzido como estava, de pijama e chinelos para a viatura sem chapa estacionada na esquina.

Eles, o "pai" do meu amigo e o motorista invadiram minha casa, reviraram meu quarto, promoveram uma busca e apreensão à procura de documentos e objetos que me incriminassem.

Quando mostraram as provas de que eu era comunista tive que segurar o riso. Eram duas revistas – a da Civilização Brasileira e a do DCE-Livre da USP – e a coletânea "Maravilhas do Conto Russo", com grandes obras de autores dos tempos do tzar.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.