Os argumentos infames dos moralistas sem moral

Entre os reacionários do país se cristaliza a convicção de que pelo voto suas chances de retomar o poder são reduzidas. Resolveram, então, enveredar pelo caminho das trevas

Entre os reacionários do país se cristaliza a convicção de que pelo voto suas chances de retomar o poder são reduzidas. Resolveram, então, enveredar pelo caminho das trevas
Entre os reacionários do país se cristaliza a convicção de que pelo voto suas chances de retomar o poder são reduzidas. Resolveram, então, enveredar pelo caminho das trevas (Foto: Bepe Damasco)
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Os que estão em campo para destruir a democracia no Brasil se apegam às razões mais cínicas, calhordas e infames. O resultado é uma babel de argumentos que não só afronta a Constituição como agride a inteligência alheia.

O casamento entre uma oposição parlamentar sem rumo e sem projeto, e em boa medida corrupta, com descerebrados e boçais concentrados em movimentos como Brasil Livre e Revoltados Online só podia mesmo parir um monstrengo como a campanha pelo impeachment de uma presidenta contra quem não pesa nenhuma acusação de ilícito.

Tucanos e aliados golpistas dizem que Dilma mentiu sobre a real situação do país na campanha eleitoral, e por isso deve ser cassada. Bem, se promessas não cumpridas fossem motivos para impeachment, todos os presidentes da história do país teriam sido apeados do poder, bem como os prefeitos e governadores atuais e do passado.

Tucanos e aliados golpistas dizem que a única saída para o país superar a crise é defenestrar um governo que ostenta índices de popularidade baixos. Por essa lógica, FHC não escaparia da cassação, já que em seu segundo mandato sua aprovação foi tão baixa quanto a de Dilma atualmente. E mais: diante das dificuldades da economia que atingem a todos, não sobraria nenhum prefeito ou governador.

Tucanos e aliados golpistas dizem que o impeachment é condição "sine qua non" para acabar com a corrupção. Mas o ponto deles é outro. É que nunca se combateu a corrupção de forma tão intensa e profunda como nos governos de Lula e Dilma. E já que o nível da água das investigações subiu a ponto de bater na bunda de conhecidos golpistas, é hora de cortar o mal pela raiz e substituir esse governo por outro que traga de volta a velha impunidade.

É óbvio que essa gente sabe que a lei não prevê a substituição de governos em caso de resultados ruins, nem quando as pesquisas lhes são desfavoráveis e, muito menos, por cumprirem sua obrigação de combater a corrupção e defender o erário.

É óbvio que essa gente sabe que a mola mestra do sistema democrático é o respeito à soberania popular e que quem perde eleição para presidente, como eles se especializaram em perder, tem de esperar quatro anos para tentar de novo.

Aí está o xis do problema. Entre os reacionários do país se cristaliza a convicção de que pelo voto suas chances de retomar o poder são reduzidas. Nem mesmo o apoio descarado de todo o monopólio midiático, do capital financeiro e de grande parte da burguesia têm evitado suas derrotas nas urnas.

Resolveram, então, enveredar pelo caminho das trevas. E que se dane a desmoralização internacional do país seja consequência certa de um eventual golpe paraguaio.Também pouco importa o enorme prejuízo já causado à economia do país, com o fechamento de dezenas de milhares de postos de trabalho.

Parceiros nesta pescaria em águas turvas, instituições do Estado, como o Tribunal de Contas da União e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cumprem seu papel na trama golpista à luz do dia, esbanjando desfaçatez. Enquanto o TSE reabre de forma inédita investigações sobre as contas de campanha da presidenta Dilma já aprovadas, o TCU esgrime tecnicalidades contábeis praticadas por todos os governos para convencer a sociedade de que o governo descumpriu a lei.

E esse jogo sujo, claro, é reverberado dia e noite pelo cartel da mídia, que vê na queda do governo a boia de salvação para o seu naufrágio, com o retorno das mamatas e benesses de outrora. Em que pese sigam enchendo seus cofres com os bilhões da publicidade federal, os barões da mídia querem mais, muito mais.

Com o PT fora do Planalto, seria restabelecido o duto permanente de dinheiro público para eles, na forma de linhas de financiamento de pai para filho, anistia de dívidas, parcerias e convênios mandrakes e, sobretudo, a garantia de que o debate sobre a regulação democrática da mídia seja sepultado de vez.

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