Os baixinhos da xuxa

Tenho me dedicado a um trabalho envolvendo cruzamentos matemáticos e dados históricos para descobrir a origem dessa onda fascista no Brasil. Cheguei a uma conclusão: a culpa é da Xuxa. Repare na idade do promotor Deltan Dellagnol e seus rapazes do MPF. Perceba a faixa etária majoritária da turma que vai às ruas com a camisa da CBF. Foram Baixinhos do programa da Xuxa nos anos 80

Tenho me dedicado a um trabalho envolvendo cruzamentos matemáticos e dados históricos para descobrir a origem dessa onda fascista no Brasil. Cheguei a uma conclusão: a culpa é da Xuxa. Repare na idade do promotor Deltan Dellagnol e seus rapazes do MPF. Perceba a faixa etária majoritária da turma que vai às ruas com a camisa da CBF. Foram Baixinhos do programa da Xuxa nos anos 80
Tenho me dedicado a um trabalho envolvendo cruzamentos matemáticos e dados históricos para descobrir a origem dessa onda fascista no Brasil. Cheguei a uma conclusão: a culpa é da Xuxa. Repare na idade do promotor Deltan Dellagnol e seus rapazes do MPF. Perceba a faixa etária majoritária da turma que vai às ruas com a camisa da CBF. Foram Baixinhos do programa da Xuxa nos anos 80 (Foto: Celso Raeder)

Nos últimos meses tenho me dedicado a um trabalho minucioso, científico, envolvendo cruzamentos matemáticos e dados históricos para descobrir a origem dessa onda fascista que assolou o Brasil. E cheguei a uma conclusão: a culpa é da Xuxa. Repare na idade do promotor Deltan Dellagnol e seus rapazes do Ministério Público Federal. Perceba a faixa etária majoritária da turma que vai às ruas com a camisa da CBF. Todos eles foram Baixinhos do programa da Xuxa na década de 1980, apresentadora que mais massificou o consumismo no coração e mente daquela geração.

Os Baixinhos da Xuxa não foram ensinados a dividir e compartilhar. Extremamente competitivos, aprenderam desde crianças que o mundo gira em torno do poder de consumo. Não se contentam em ter, já que o que confere prestígio e status é o fato de as outras pessoas não terem. Se antes se vangloriavam da sandália, do laptop, das roupinhas enfeitadas com a grife da apresentadora, desdenhando dos coleguinhas mais humildes, agora não aceitam dividir espaço dentro de aviões, em universidades, comprando as mesmas coisas que eles nos supermercados.

Como explicar para um Baixinho da Xuxa que a vida não é uma loja do "Bicho Comeu"? Nenhum deles aprendeu conceitos como solidariedade, fraternidade, repartir o pão. O resultado é o que se vê nas ruas e nas redes sociais. Uma classe média decadente, frustrada, desempregada, endividada, que não se rende à realidade e insiste em dar sustentação política a quem lhe oprime. Tudo isso em troca da ilusão de que nasceram para ser melhores que os outros.

O Baixinho da Xuxa é corporativo. Não protesta nem pede a prisão de tucanos envolvidos em roubalheiras cabeludas justamente por esse motivo. Na ideologia de auditório dessa turma, o PSDB é gente como a gente, onde tudo é permitido dentro da ética torta que aprenderam quando crianças. O ex-governador Eduardo Azeredo, condenado em segunda instância e com a pena prestes a prescrever, não merece manifestações na porta do STF. No máximo, "beijinho, beijinho, xau, xau".

Enquanto essa geração se lambuzava nas delícias do consumo custeadas pelo papai, outros milhões de pequenos brasileiros davam duro para ajudar no sustento da família. Essas duas camadas da sociedade caminharam em universos paralelos, até que um sujeito sem dedo, bronco e apreciador de uma pinguinha, resolveu misturar tudo num mesmo balaio. Nenhum Baixinho da Xuxa suportaria isso calado.

Hoje, o Brasil se transformou num auditório repleto de Baixinhos da Xuxa querendo de volta os mimos e bugigangas perdidas. Pobre não pode pisar nesse ambiente. Mal sabem eles, que muito mais divertido e democrático era a irreverência e a anarquia dos programas do Chacrinha, onde todos podiam, pelo menos, ganhar um pedaço de bacalhau.

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