Os caminhos do vira vira

Para o articulista Emir Sader, "fácil, não é, mas é possível virar. O que foi construído pode ser desconstruído. O que foi posto, pode ser virado. Hoje, em grande medida, a virada depende do Nordeste. É a grande região de votos do Haddad, onde é mais possível virar o voto a favor do Haddad, porque é a Região que mais conhece as transformações fundamentais que mudaram sua vida para melhor. Haddad lidera bem, mas é possível e indispensável elevar essa liderança ao patamar dos 70% que a Dilma teve lá"

Os caminhos do vira vira
Os caminhos do vira vira

Fácil, não é, mas é possível virar. O que foi construído pode ser desconstruído. O que foi posto, pode ser virado.

Hoje, em grande medida, a virada depende do Nordeste. É a grande região de votos do Haddad, onde é mais possível virar o voto a favor do Haddad, porque é a Região que mais conhece as transformações fundamentais que mudaram sua vida para melhor. Haddad lidera bem, mas é possível e indispensável elevar essa liderança ao patamar dos 70% que a Dilma teve lá. É a região em que basta a associação do Haddad com o Lula para se reverter o voto.

É a Região em que a menção dos programas dos governos do PT, para os nordestinos, representa a melhoria das suas condições de vida, do Bolsa Família à transposição do São Francisco, do Luz para todos ao Minha Casa Minha Vida, da geração de empregos à abertura de escolas públicas. É onde a evidência de que a vida de todos tinha melhorado e pode voltar a melhorar, se impõe. E pode ser usada como argumento claro para reverter votos de todas as camadas da população.

Se faltassem argumentos, a menção do Lula, do seu governo, do seu candidato, é argumento irresistível para reverter votos. O Haddad precisa aumentar seu caudal de votos e não é possível que o Bolsonazi tenha ainda tantos votos na Região, depois das menções ofensivas dele aos nordestinos.

Esse é o primeiro grande objetivo para que o vira vira seja uma realidade. Haddad volta ainda uma outra vez ao Nordeste, a Pernambuco, para fechar a campanha em Recife. Tem que ser uma viagem mais apoteótica ainda e marcar a virada democrática.

Objeto prioritário da virada são os votos dos mais pobres, a grande maioria da população. Mesmo que tenham argumentos, religiosos ou de outra ordem, eles tem que ser confrontados com a sua realidade concreta, que piorou muito com o governo Temer. Deixar claro que o Bolsonazi vai manter a politica econômica do governo Temer e que seu guru econômico não se cansa de dizer isso. O que significaria manter, a partir de janeiro, o desemprego, os salários precários, ao que se soma a ameaça de tirar o décimo terceiro salário, as ferias remuneradas, de aumentar os impostos para os pobres. Recordar como a vida de todos tinha melhorado muito, como havia emprego para todos, como os salários sempre aumentavam acima da inflação no governo Lula.

Que isso pode voltar a ocorrer a partir de janeiro. A economia vai voltar a crescer com o Haddad e que haverá muito mais empregos, enquanto com o Bolsonazi o povo vai continuar vivendo na miséria, no abandono. Mostrar a forma como ele se refere ao povo, aos trabalhadores, como eles seriam tratados num governo dele. Outro setor prioritário são as mulheres, em que ainda há empate entre os dois candidatos. É fundamental fazer todas as mulheres ouvirem como ele as trata, como seres inferiores, que as mulheres devem ganhar menos que os homens, que ele fala da violação das mulheres, que ele é contra a Lei Maria da Penha, que as protege da violência.

Que as mulheres tem que votar porque as defende nos seus interesses, na defesa da sua integridade física.

Bolsonazi votou a favor do congelamento dos recursos para as politicas sociais, portanto pelo fim do Bolsa família, do Minha Casa Minha Vida, pelo fechamento de escolas públicas, por menos recursos para o SUS, por menos politicas sociais para todos e a favor de que os banqueiros continuem mandando no pais, que é o que ocorre no governo Temer e que o Bolsonazi quer manter. Os pobres votam em grande medida pelo Haddad, mas é preciso tirar mais votos do Bolsonazi, mostrando como ele é contra os programas para os pobres, para os mais necessitados.

Os negros já votam majoritariamente pelo Haddad, mas se deveria fazer todos eles ouvirem o que o Bolsonazi diz deles, diz dos homossexuais, dos LGBT, dos quilombolas, como ele é inimigo deles. Como ele prega trata-los com violência, pela policia, com discriminação e exclusão dos seus direitos.

É preciso esclarecer os que acham que o armamento generalizado da população visa significar mais segurança. Haverá mais armas, mais violência, mais mortes. Qualquer desavença num bar da esquina pode terminar em mortes. Qualquer briga na saída de um jogo de futebol pode terminar em massacre. Qualquer briga no trânsito pode terminar em mortes. Os jovens, os filhos das famílias não poderão circular com tranquilidade, sabendo que as pessoas andam armadas. As mães de família vão ficar ainda mais agoniadas esperando seus filhos voltaram do trabalho, da escola, do passeio com os amigos. O que é preciso, ao contrario, é controlar o trafico de armas, daquelas armas que alimentam os traficantes e as milícias, que junto com a policia, são os grandes responsáveis pelas mortes da população.

Cada um saberá como traduzir os argumentos contra o Bolsonazi, pelo retorno a politicas de paz, de justiça social, de reconhecimento do direito ao emprego e ao salario, do direito ao acesso a escolas, a universidades.

Dessa nossa capacidade de convencer as pessoas de que seus interesses estão do lado do Haddad e contra os do Bolzonazi, de todas as formas que sejamos capazes, com convencimento, com persuasão, com argumentos, depende o vira vira que no levará à vitoria no dia 28.

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