Os conceitos ideológicos da escravidão

Esquecemos os valores do cristianismo autêntico, da educação libertadora e assim valorizamos mais os conceitos escravocratas que diminuem o outro em seus direitos, honra e dignidade, pois ele (a) é diferente de mim

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Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar. Nelson Mandela

É lamentável percebermos o quanto as pessoas têm necessidade de subjugar os outros, por isso alimentam e cultivam a certeza que são superiores. Mas isto sempre dependerá da posição que nos encontramos social, economica e espiritualmente ou se somos ou não evoluídos.

Instituímos esta prática de visão de superioridade em nossas estruturas sociais e relações interpessoais; por este motivo assimilamos que alguns têm o direito de estar, frequentarem e desfrutarem de certos privilégios, enquanto outros devem apenas observar e se quiserem nos servir de bom grado sem jamais desejarem estarem em uma posição de prestígio.

Alguns em nossa sociedade ficam apenas observando e desejando porque somente terão os mesmos direitos se conseguirem adquirir as mesmas características intelectuais destes que tem o "sangue azul" e a cútis mais bela instituída por alguns privilegiados de nossa sociedade.

Estes sentimentos de superioridade e inferioridade instituídos internamente nas pessoas levam-nos a construirmos a nossa sociedade, as relações sociais e as instituições políticas, religiosas, educacionais etc. que perpetuam este modelo de sociedade com relações opressoras, excludentes que vulnerabilizam muita gente que tem potencialidades extraordinários.

Para muitos desavisados, ignorantes adoecidos, inescrupulosos, fracos e desintelingentes, a cor da pele deve ser um fator que garanta que o outro não precisa ser tratado com dignidade. Ser do gênero masculino, a condição econômica, o sobrenome diferente de uma nacionalidade "melhor" que a brasileira, a condição social privilegiada os fazem se sentirem superiores as outras pessoas que não possuem o seu status social.

Muitos, pelo simples fato de residirem em uma determinada região geográfica, ser amigo de alguém importante, ocupar uma posição política ou religiosa de destaque, ter passado em um concurso público lhes fazem sentirem acima do bem e do mal e dos demais membros da sociedade. Tente dialogar com alguns como se fosse igual a eles e veja o desprezo que sofrerás. No mínimo, ouvirás: você sabe com quem está falando?

São homens mulheres que utilizam da empáfia para se perpetuarem no poder, humilhar as pessoas simples e trabalhadoras, pois acreditam que deveriam ter estatuas para eles, semelhante ao Saddan Hussein e tantos outros que dizimaram a esperança e o sonho de milhares de pessoas, mas não concebem que são maus e que tensionam cada vez mais nossa sociedade ao máximo.

Como resultado deste tipo de sentimento muitos foram escravizados, humilhados, esquecidos nos asilos, abrigos e orfanatos; e até hoje tem pessoas que jogam cascas de banana nos gramados dos campos de futebol do mundo e do Brasil para ofender e discriminar pessoas.

Matam claudias, amarildos, filhos de dentistas que são negros e tantos outros sem nenhum tipo de remorso e assim alegam que fizeram no calor das emoções ou nem perceberam que estavam prendendo um ator global. Mas os estereótipos apreendidos definem seus comportamentos e atitudes.

Com este tipo de sentimento dos adoecidos as piadas são colocadas nas redes sociais e muitos riem e acreditam que não tem nada demais diminuírem as pessoas desta forma, pois conseguem se alegrar com a dor dos outros que são "indignos".

Com este tipo de sentimento colocamos a maioria da população carcerária de negros nos presídios no Brasil, pois eles são "maus" e merecem estar nos piores bairros, nas piores condições de vida, nas favelas e sem educação de qualidade.

Mas quando se percebe qualquer beneficio para esta população devemos combater duramente com o argumento que todos são iguais perante a lei no Brasil e que não pode haver privilégios para ninguém em nossa sociedade e que não temos preconceitos, muito menos o racial.

Com este tipo de sentimento de superioridade ariana e machista as mulheres em sua maioria recebem um salário inferior ao dos homens, que se percebem mais merecedores e privilegiados em uma sociedade machista, excludente e que não desenvolve seus talentos.

Com este tipo de sentimento, temos um numero significativo de mulheres que sofrem variados tipos de assédio no Brasil, e por isso muitos homens ainda, acreditam que por seu tipo de vestir ela é culpada por ser estuprada. Imaginemos se esta fosse a concepção dos índios.

Mas não é isto que ocorre porque a despeito das índias andarem vestidas com poucas roupas elas não sofrem este tipo de assedio e maus tratos que muitos homens dispensam as mulheres. Desta forma, fica evidente que os "encoxadores" são homens adoecidos que merecem ser punidos exemplarmente em nossa sociedade, pois eles são resultados da patologia mental de nossa sociedade que não consegue se ver livre desta forma equivocada que muitos tentam perpetuar através do machismo.

São homens que vêem no gênero feminino um ser sem dignidade e assim praticam todo tipo de violência contra as mesmas com a simples visão que elas não são dignas de serem respeitadas, pois assim foram ensinados a agir e vão reproduzir em todos os lugares que eles estiverem.

No entanto, isto é uma prova cabal da escravidão mental, das emoções, do intelecto, por isso deveríamos investir na educação de qualidade a fim de modificarmos esta visão adoecida e equivocada de muitos que se consideram superiores baseadas no narcisismo existencial econômico, de cútis e de gênero.

São pessoas que acreditam por ter alguma "virtude especial" lhe possibilitam uma superioridade que lhe deve colocar em uma posição de privilégios em detrimento aos demais do gênero feminino ou qualquer um que não nasceu com seus "elevados atributos".

Esta realidade posta e evidente deve ser repensada, porque estamos construindo a cada dia que passa uma sociedade egocêntrica que não é capaz de ser solidaria com as pessoas ou indignar-se com as mazelas sociais e o sofrimento do próximo. Por isso devemos avaliar seriamente o tipo de sociedade estamos construindo dentro de nós e como reproduzimos os valores distorcidos que machucam a todos nós,

Estamos refém deste clima hostil e por isso ficamos trancafiados em nossas casas com medo de sair e sermos agredidos por um marginal que também é marginalizado.

Será que por sermos de uma região geográfica diferente, intelectualmente mais bem preparados, ter mais ou menos melanina na pele, possuir um status social diferente, faz-nos ser mais ou menos inferior? Ao que estamos nos apegando para viver e tratar as pessoas a partir desta convicção?

Por estes motivos e tantos outros inventados por nós não podemos considerar que alguém deve estar em desvantagem ou vantagem como se fosse uma possibilidade de se dar bem nesta vida, mas lamentavelmente muitos assim pensam e praticam cotidianamente.

Será que a virulência que estamos presenciando em nossa sociedade não é pedagógica para nós ao ponto de percebermos que estamos sendo reféns de nossos próprios equívocos e conceitos deturpados que estão regendo a nossa vida em sociedade? Vamos continuar diagnosticando apenas e não fazer nada para mudar?

Forjamos instituições que excluem uma parcela significativa de nossa sociedade e mesmo assim não percebemos os efeitos nocivos que isto causa para nós devido o nosso ensimesmamento narcisista e doentio, pois sentimos bem vivendo assim.

Agimos semelhante ao escorpião que ao ferroar e introjetar o seu veneno no "inimigo" é uma maneira de viver "feliz" e se "proteger". Depois disso celebra o "sofrimento" a dor e a morte social dos outros que foram picados por nós como se fossemos os melhores e não os adoecidos que penalizam esta sociedade a ter que conviver conosco e com nosso veneno destilado a todo instante.

Muitos no Brasil ainda insistem em olhar para vida na perspectiva narcisista, ver inteligência, beleza e gênero apenas a partir do que eles possuem ou desejam?

Muitos insistem ainda em perceberem sempre nos outros o mal, o indigno o inadequado, o fraco o feito, o insuportável e o que não deve estar onde estamos.

Infelizmente ainda não aprendemos que ao trazermos e alimentarmos desta ideologia de visão escravista ditatorial a sociedade fragiliza, mas esquecemos que este mal volta depois contra nós igual uma tsunami que devasta tudo e a todos, gerando um clima de insegurança insuportável para nós e nossos filhos.

Devemos forjar uma sociedade fundamentada na educação de qualidade que possibilita a todos terem oportunidades semelhantes e não precisarmos construir regras e leis de exceção como ocorreu para os deficientes físicos, as mulheres na política e agora cotas para os negros no serviço publico e faculdades. Será que temos uma sociedade que não precisa destas leis excepcionalidade?

Nossa educação precisa e deve ser emancipadora, libertadora e capaz de igualar as pessoas em termos de condições de vida e oportunidades; não como vem sendo apenas para a elite que garante que ela tenha acesso aos melhores espaços e posições.

Se não superarmos estes conceitos pré-civilizatórios que se fundamentam nas características externas e não no caráter, não avançaremos como seres humanos que vivem em sociedade.

Por fim, devemos resgatar os conceitos do cristianismo autentico, onde o outro (a) sempre será alvo do meu respeito e não do meu ódio, indiferença, conflitos, disputas ou inveja por não professar a minha convicção religiosa.

Não podemos excluir pessoas por não terem uma pratica religiosa semelhante a nossa ou considerá-la como agente do mal nesta terra e assim tensionar as relações com aqueles que professam uma fé diferente.

Este fundamentalismo religioso patológico não pode ser motivo e justificativa para perseguições e desta forma, colocamos as pessoas nos guetos por não adotarem um rito semelhante ao nosso. Porque a vinda do Messias ao mundo foi para salvar estes "pecadores" e não excluí-los como se fossem a causa do mal de nossa sociedade e por isso não permitirmos aos mesmos os direitos elementares para uma vida digna. "Vale ressaltar que nossa luta não é contra pessoas".

O cristianismo que devemos cultivar é o que esta no livro sagrado que define que todos são iguais perante o Criador e por isso são alvos do seu amor, a despeito de sua opção ou não opção religiosa.

Vale lembrar que não estamos tratando de salvação ou juízo final, mas de valores e leis que devem reger nossa sociedade a partir do cristianismo autentico e verdadeiro que é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. A partir de uma educação de qualidade e não de conceitos com valores escravocratas.

Não cabe discutir neste cenário qual é a religião do próximo, as suas escolhas pessoais, status, cor da pele, características físicas, gênero dentre tantos motivos e preconceitos para excluirmos, oprimirmos as pessoas e não permitir que tenham acesso a uma qualidade de vida com seus direitos respeitados.

Será o que esta presente em nossas mentes são conceitos ideológicos da escravidão ditatorial e por isso a sociedade é tão injusta e esta se tornando cada vez mais insegura para todos nós, porque agimos na sutileza e com maldade?

Será que a educação que tanto defendemos não consegue ser libertadora, porque falamos mais do que praticamos o que sabemos de cor e salteado?

O cristianismo brasileiro que apregoamos não é forte o suficiente para ser luz a fim de tirar os que estão nas trevas e escravizados por conceitos patológicos que ferem eles mesmos e toda a sociedade?

Se não repensarmos os conceitos que estão impregnados em nossa mente, alma, espírito e coração continuaremos presenciando muitos jovens sem referenciais dignos e adequados, por isso praticando as mais vis atrocidades que deixa-nos estarrecidos e com dores quase insuportáveis e com um desejo de vingança.

Se não repensarmos nossos conceitos, continuaremos presenciando uma sociedade que é conivente com a corrupção na política, com a descriminação, indiferente com a dor dos outros, vingativa, invejosa, ingrata em todas as esferas sociais. Inclusive nas escolas, universidades, faculdade ou qualquer segmento que estejamos presentes.

Desta forma continuaremos com muitas famílias dilaceradas pelo rancor, pelo ódio, pela tristeza, vergonha e todo tipo de sentimento que destroem as pessoas e assim não saberemos mais o que esperar do ser humano, pois optamos por um caminho que não é o correto, ou seja, diminuir os outros como se eles não tivessem direitos de viver dignamente.

Jamais alguém nesta sociedade passará incólume, pois de alguma forma sofrerá alguma avaria, física, emocional ou econômica, pois estamos forjando uma sociedade que não tem limites na maldade, na inveja, no ódio, que é capaz fazer qualquer coisa para chegar aos seus objetivos e desfrutar de todo tipo de hedonismo, mesmo que para isto precise desrespeitar as mulheres ou qualquer um que seja "inferior".

Esquecemos os valores do cristianismo autêntico, da educação libertadora e assim valorizamos mais os conceitos escravocratas que diminuem o outro em seus direitos, honra e dignidade, pois ele (a) é diferente de mim.

Foram conceitos ideológicos como estes que dizimaram milhões de judeus, negros e tantos outros que foram vitimas do preconceito ariano imposto por Hitler de superioridade de uma minoria da população. Infelizmente ainda muitos carregam isto dentro deles este vírus devastador que corroí eles e a sociedade.

A cada dia que passa, fica evidente que se não tivermos investimentos pesados na educação, nossas escolas não trabalharem a ética e os valores morais; presenciaremos coisas ainda piores acontecerem em nossa sociedade, pois a maldade do homem não tem limites e por isso devemos fazer uma força tarefa urgente para resgatarmos os melhores valores de uma sociedade que deseja qualidade de vida sem tanta desigualdade.

As escolas, as igrejas têm uma capilaridade muito grande e uma centralidade na vida das pessoas para cumprirem este desfazerem estes conceitos ideológicos que penalizam milhões de pessoas, por isso devemos apostar que elas cumprirão os seus papeis sociais de serem instituições niveladoras de gente e porta vozes do bem que acolhem a todos sem distinção.

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