Os desafios da atividade docente no país de Bolsonaro, Weintraub e Doria

Não por menos, educação é o item de maior rejeição com 54% da população reprovando esse desgoverno nessa área essencial para o país. Um desgoverno que insufla o ódio aos docentes, aos estudantes, aos pensantes

(Foto: Gustavo Henrique Machado / Estudantes NINJA)

As professoras e professores da rede oficial de ensino do estado de São Paulo saem de férias, que pode ser a última sem o partilhamento em quatro, sem ter nenhuma resposta do governador João Doria (PSDB) sobre a reivindicação de 14,54% e se gozarão de férias regulares a partir do ano que vem, já que Doria quer dividi-la em quatro vezes.

Mas as dificuldades dos docentes brasileiros não se restringem a isso. Os constantes ataques efetuados principalmente pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus seguidores tornam a vida de quem trabalha na educação pública ainda mais difícil.

Com isso aumentam os adoecimentos e a periculosidade. Os atos de violência já adentraram as escolas e não há nenhum trabalho sendo desenvolvido para frear essa onda.

A carreira docente deixou de ser atraente para a juventude e a educação pública sente a falta de efetivos para compor seu quadro docente. Os salários são pífios, as escolas desestruturadas e a violência campeia.

As escolas estão abandonadas tanto pelo Ministério da Educação (MEC) que não faz nada para mudar a triste realidade de desvalorização dos profissionais da educação, sucateamento das escolas e evasão escolar, com isso cresce a exploração do trabalho infantil e a falta de qualificação para suprir as exigências do mercado de trabalho em tempos de indústria 4.0, - domínio das novas tecnologias. Com Doria é a mesma coisa.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 7,5% das brasileiras e brasileiros com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever. Além de termos 25% das pessoas nessa faixa etária de analfabetas funcionais – que não conseguem interpretar um texto. Para piorar, 22% da população de 15 a 29 anos não estudam nem trabalham. Que futuro se pode esperar?

E quais os projetos do governador de São Paulo e do presidente da República para resolver esses problemas? Nenhum. Querem acabar com as universidades públicas, com o ensino médio público, não investem o necessário para o ensino fundamental e básico serem de qualidade e incorporem a maioria da população no conceito de cidadania e civilização para o país crescer e ser soberano.

Tanto que os secretários estaduais reunidos na segunda Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) defendem a manutenção do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que pode acabar o ano que vem se não for renovado. Os gestores estaduais querem que o Fundeb se torne uma política permanente e que tenha o percentual de financiamento ampliado de 10% para 40%.

Mas o que fazer num país em que o ministro da Educação, Abraham Weintraub fica brincando de fazer piadinhas de péssimo gosto e nenhum projeto para a área à qual responde? Um governador do estado mais rico da nação que só pensa em cortar gastos das áreas sociais e entrega dinheiro público para entidades empresariais para gerir a educação? E um presidente que não sabe ser presidente? Luta e resistência é a nossa resposta.

Com isso, o país vai afundando feito umTitanic. A produção industrial despenca, era de 3% em maio de 2018 e foi de 1,1% negativo em abril de 2019, enquanto isso a indústria extrativa, dominada por multinacionais, cresce 9,2% no mesmo período. Promovendo a destruição de nossa reserva ambiental.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa, o desmatamento da Amazônia cresceu 60% em relação a junho de 2018 e Bolsonaro ameaça deixar o Acordo de Paris sobre o clima do planeta, efetivado em 2015, não protege as terras indígenas e vê seu desgoverno perder popularidade vertiginosamente.

E, não por menos, educação é o item de maior rejeição com 54% da população reprovando esse desgoverno nessa área essencial para o país. Um desgoverno que insufla o ódio aos docentes, aos estudantes, aos pensantes. Defende ensino domiciliar, à distância, praticamente liquidando com as escolas. Quer um país de ignorantes úteis para a manipulação e o trabalho desqualificado.

Com apoio dos barões da mídia, de parte do Judiciário e de conglomerados econômicos internacionais e nacionais, esse desgoverno se submete aos interesses dos Estados Unidos, procura favorecer o sistema financeiro. Bolsonaro não vê que um país não pode se desenvolver desindustrializado.

Não podemos voltar a ser exportadores e matéria-prima e importadores de produtos industrializados bem mais caros. Já se passaram seis meses e o projeto governamental principal é a reforma da previdência para favorecer banqueiros e acabar com a aposentadoria decente de todas e todos.

Por isso, a 9ª Conferência de Educação Paulo Freire, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) definiu para 13 de agosto, o Dia Nacional de Paralisação do setor Educacional, com marcha nos municípios em defesa da educação pública e contra a destruição da aposentadoria. A nossa luta é nas redes sociais e nas ruas, levando informação para a sociedade.

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