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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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Os direitos dos pobres

Os candidatos da Direita propõem o TESOURAÇO, o corte dos benefícios sociais

Flávio Bolsonaro (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Os pobres encabeçam a lista dos bem-aventurados no Sermão da Montanha. Os demais da pregação cristã são os sofridos que choram, os mansos, os injustiçados, os misericordiosos, os pacificadores e os perseguidos, porque na comunidade teriam tudo que lhes é de direito. Jesus não enalteceu a pobreza, disse pobres. Geralmente, o pobre do evangelho é reconhecido por ser comportado dentro do seu quadradinho. Existe mas não participa. Essa má interpretação “piedosa” leva a idolatrá-lo ou relegá-lo como a um fetiche, pobre à espera de uma esmola. Disso resulta um boicote ao mundo igualitário.   

Mal comparado aos fidedignos evangelhos, o Estadão publicou uma análise descabida  intitulada O fetiche de Lula com o pobre. O presidente trataria este, diz o jornal, “como sujeito passivo de políticas públicas”. 

Ora, se é sujeito, como seria passivo?! Ãh, o texto jornalístico admite que há políticas públicas no governo! Essas políticas as quais o Estadão não omite, são justamente para não deixar o cidadão passivo e sujeitado. 

Luís Gama estudara a duras penas como autodidata. Aprendera a ler e a escrever com dezessete anos e fora ouvinte no curso de Direito. Luiz fora impedido de estudar regularmente por ser pobre e negro. Feito de ouvinte entre fidalgos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo.

Nos estertores do século XIX, os jornais tipografaram como Lei Áurea à abolição meia-boca. O analfabetismo grassava pelo território todo. Sem eira nem beira, os novos cidadãos pela Lei de dois artigos, penavam. Saber que não os indenizaram, não fizeram programas para os integrar. Nada.

Para libertar os pobres da passividade do estado e dar-lhes acesso, o governo Lula implantou o Prouni, as Cotas e criou 18 universidades federais e 173 campus universitários, aumentando de 505 para 932 mil alunos. Atualmente, há muitos doutores de talento como o de Luiz Gama.

A pregação elitista de “passividade do pobre” são ciúmes do Bolsa família. Para os meritocratas de berços d’ouro, os pobres “passam a vida toda recebendo e não querem trabalhar” – quem não ouviu isso?! Omite-se de forma maliciosa os critérios específicos do Bolsa Família. Notadamente, quanto à participação escolar e acompanhamentos de meninos e meninas por vacinação e saúde. A pequena ajuda de R$600,00 por família tem um custo bem menor que o “Bolsa Agro”, plano safra, que é quatro vezes maior para os fazendeiros. 

Os EUA batem recordes de pobres, moradores de tendas nas áreas urbanas ou em carros e abrigos precários. Lá não tem o Minha Casa Minha Vida. Para tratar dentes, os americanos descem ao México, mas aqui tem o Brasil Sorridente!

Os candidatos da Direita propõem o TESOURAÇO, o corte dos benefícios sociais como se fossem esmola do Lula. Querem cortar o Bolsa família, o Prouni, o BPC, o Auxílio Gás, o Pé-de-meia, o Pronaf, o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Atleta, Farmácia Popular e outros, no total de 72 programas. Cortar porque são do Lula, dizem. Não, esses benefícios implantados pelo governo são nossos!

O Trump impôs pesado corte aos benefícios sociais estadunidenses, o tesouraço de lá.  Aqui  os fãs de paixão dele, vocês sabem quem, querem o mesmo. Imagine! 

Se o SAMU não vier, já sabe, né?! Vai apostar seu voto pra ver?!

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.