Os estragos de um governo antipovo e seus reflexos

Há pouco mais de dois meses de governo, Ibaneis Rocha (MDB), recentemente eleito, vem adotando medidas totalmente desalinhadas com o discurso pró povo que fazia em sua campanha eleitoral em 2018, sua gestão governamental vem adquirindo uma característica elitista, totalmente excludente

Há pouco mais de dois meses de governo, Ibaneis Rocha (MDB), recentemente eleito, vem adotando medidas totalmente desalinhadas com o discurso pró povo que fazia em sua campanha eleitoral em 2018, sua gestão governamental vem adquirindo uma característica elitista, totalmente excludente. E Uma das primeiras medidas tomadas pelo mesmo, foi enviar projeto de Lei para a CLDF no qual privatiza a saúde no DF, o que causou estranheza a população, tendo em vista as duras críticas que Ibaneis fazia ao Instituto Hospital de Base implantado pelo governador antecedente, Rodrigo Rollemberg (PSB).
 
No entanto, o que vem causando mais revolta entre todas e todos, é a retirada do passe livre, por meio de projeto de Lei de autoria do governo que modifica os requisitos necessários para obtenção do mesmo, propondo que o benefício seja extinto especificamente para alunos de escolas e universidades particulares que não sejam bolsistas, e também prevê como exceção os alunos com renda familiar total inferior a quatro salários mínimos ou que sejam beneficiários de programa de financiamento estudantil.  
 
A Lei  Distrital do passe livre ( Lei 4.462/2010), à época foi aprovada com o apoio da sociedade e dos parlamentares, depois de uma grande movimentação e articulações políticas feitas pelos estudantes, tendo como principal fator a necessidade de mobilidade urbana no DF e entorno, assim então podemos afirmar que o passe livre trata-se de uma política pública essencial e não de uma política assistencialista! Temos consciência do  progresso que foi a aprovação dessa Lei, pois a mesma oferece cidadania aos estudantes, que em sua maioria possuem baixa renda, recebem os menores salários em geral.
 
Na última quinta feira (21), realizou-se uma comissão geral na CLDF para debater o assunto o passe livre com deputados (as) e representantes do movimento estudantil e algumas lideranças das cidades, e seguiremos na defesa da ampliação do passe e, não iremos abrir mão do que já foi conquistados a duras penas. Pois hoje, o Distrito Federal possui uma das maiores rendas per capitas do Brasil, entretanto apresenta também um dos mais altos índices de desigualdade social devido à concentração de riquezas.
 
Defender o passe livre e sua ampliação é uma questão primordial, o Estado deve fornecer condições para que os estudantes possam ter acesso à educação, cultura e lazer, os dois últimos aspectos podem ser incluídos em atividades extra curriculares, essenciais na formação de todas e todos. Muitos estudantes não possuem o benefício por conta do processo burocrático que se dá para obtê-lo, além do mais, o que deve ser fiscalizada é a forma de repasses de verbas entre governo e empresas de ônibus.
 
Para além do passe livre, o governo também iniciou o projeto de militarização das escolas públicas no Centro Educacional n° 07 da Ceilândia, de acordo com o critério do alto índice de criminalização da cidade e o baixo desempenho dos alunos. Entretanto, a medida da intervenção militar não foi discutida com o sindicato dos professores e não está previsto no plano educacional de 2019, sendo uma medida arbitrária por parte do programa de segurança do governo.
 
A intervenção militar nas escolas, nitidamente representa um retrocesso na luta pela educação emancipadora que vários professores desempenham ao longo de suas vidas! Amedrontar pais, estudantes e professores não é a melhor forma de progresso na educação, devemos conscientizar todas e todos sobre a importância de formar seres pensantes, críticos e formadores de opinião de acordo com suas realidades, suas necessidades e seus sonhos.
 
A intervenção militar nas escolas vai contra o que foi estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da educação, mesmo que o gestor de ações da polícia militar afirme que não haverá influência no currículo, mas, tão somente na formação disciplinar, não é difícil concluirmos que currículo e formação disciplinar andam conjuntamente, um é consequência do outro, e não devem ser ministrados separadamente.
 
Todos sabemos que uma mudança na educação é necessária, e sabemos também que não será por meio do medo que vamos conseguir mudar essa realidade, mais investimentos são indispensáveis sim, desde que destinados aos que se formam para serem professoras e professoras de forma que possam exercer a função social de sua profissão, de forma democrática e de acordo com as peculiaridades de cada aluna e aluno, dando dignidade a quem busca conhecimento e novas oportunidades de crescimento.

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