Os genocidas

A verdade é dura e, talvez por isso, fere! Mas, ao menos desta vez, está do lado do ministro Gilmar Mendes!

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Os dicionaristas definem “genocídio” como “aniquilamento de grupos humanos, o qual, (...), inclui diversas formas de extermínio, como a prevenção de nascimentos, o sequestro sistemático de crianças dentro de um determinado grupo étnico, a submissão a condições insuportáveis de vida, etc.”.

Começo chamando a atenção para o termo por conta do fato de que iniciamos a semana sob intenso debate em torno das declarações do ministro do STF Gilmar Mendes que, em entrevistas, alertou que o Exército vem sendo cúmplice das práticas genocidas do governo Bolsonaro, agora, às claras por conta da pandemia do novo coronavírus.

Mendes também lembrou que a cumplicidade ao genocídio bolsonarista, evidenciado, em sua opinião, pela “ocupação militar do Ministério da Saúde”, está prejudicando a imagem das forças armadas como um todo, completando sua fala com um: “Não me furto (...) a criticar a opção de ocupar o Ministério da Saúde (...) com militares. (...). Que isso seja revisto, para o bem (...) da saúde do Brasil”.

Desde então, através de notas e declarações, ora mais ora menos agressivas, de militares da ativa ou da reserva, dos comandos das respectivas forças ou do Ministério da Defesa, diversas respostas foram direcionadas ao ministro e, como tem virado uma constante, sob ameaça de crise institucional.

Ameaças, aliás, que cada vez mais explicitamente se fazem em defesa dos bolsos dos oficiais pendurados em cargos de utilidade e competência duvidosas, conforme atesta o ministro, com suas gratificações e penduricalhos, do que da “honra” das forças armadas, pois não!

Inclusive porque, por maiores que sejam as tentativas de revisionismo, as forças armadas brasileiras não podem apagar seu passado, que não lhes dá trégua: é um passado genocida. E não precisamos muito: basta um olhar rápido nos livros de história!

Veja-se, por exemplo, o massacre da Cabanagem, entre 1835 e 1840, no Pará: até os estudos mais pessimistas falam de algo entre 35 mil e 40 mil mortos, de um terço à metade da população da província na época. E na Balaiada, no Maranhão, entre 1838 e 1841, algo em torno de 20 mil mortos. Como será que deveríamos chamar isso?

E Canudos, na Bahia, entre 1895 e 1897, não menos que 30 mil mortos; afora a brutalidade, o sadismo, a barbárie impulsionadas pela ideologia do “branqueamento da raça”, até hoje tão cara às forças armadas, a pretexto de combate “ao fanatismo monarquista dos sertanejos”?

E o Contestado, entre o Paraná e Santa Catarina, nos anos de 1912 a 1916, com seus mais de 10 mil mortos e de novo os mais diversos episódios de violência e covardia de nossos militares contra nosso povo, com sanha sem qualquer parâmetro na História? Como os senhores generais e que tais classificam? “Missão civilizatória”? “Salvação das almas”?

Outros tempos?! Então, como classificar a mortandade dos povos originários durante a ditadura, de 1964 a 1985, com quase 10 mil mortos e denunciado ainda em seu início pelo Relatório Figueiredo de 1975, que mantiveram escondido por mais 40 anos? 

A verdade é dura e, talvez por isso, fere! Mas, ao menos desta vez, está do lado do ministro Gilmar Mendes!

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