Os tigres de papel

Lula será preso, mesmo injustamente, mas não será humilhado porque é infinitamente maior que o morismo, e isso ele demonstrou ao acatar a sentença – ilegal – de Moro, mas não os seus termos. Não esmorecer, como ensinou Lula, e lutar incansavelmente para que ele seja candidato: esse é o caminho. Em perspectiva histórica, todos os tigres são de papel, mas o voto popular, em eleições livres, é o que porá nossa tigrada em seu devido lugar, antes mesmo que a História o faça

Lula será preso, mesmo injustamente, mas não será humilhado porque é infinitamente maior que o morismo, e isso ele demonstrou ao acatar a sentença – ilegal – de Moro, mas não os seus termos. Não esmorecer, como ensinou Lula, e lutar incansavelmente para que ele seja candidato: esse é o caminho. Em perspectiva histórica, todos os tigres são de papel, mas o voto popular, em eleições livres, é o que porá nossa tigrada em seu devido lugar, antes mesmo que a História o faça
Lula será preso, mesmo injustamente, mas não será humilhado porque é infinitamente maior que o morismo, e isso ele demonstrou ao acatar a sentença – ilegal – de Moro, mas não os seus termos. Não esmorecer, como ensinou Lula, e lutar incansavelmente para que ele seja candidato: esse é o caminho. Em perspectiva histórica, todos os tigres são de papel, mas o voto popular, em eleições livres, é o que porá nossa tigrada em seu devido lugar, antes mesmo que a História o faça (Foto: Carlos Odas)

Chegados a hora H e o dia D da infâmia, meticulosamente programados por Sergio Moro para impingir ao seu inimigo político humilhação pública sem precedentes, eis que o segundo se recusa a participar do baile nos termos definidos – ilegalmente, diga-se – pelo juiz federal de primeira instância que, por meio de mandato concedido pelos meios de comunicação, ora orienta e dirige a maioria do Supremo Tribunal Federal. Uma vez mais fica patente a estatura política e moral de Lula frente à de seu pretenso algoz: foram registrados atos de apoio ao petista em 22 estados e no DF, e uma multidão se concentra, em vigília, nas imediações do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Moro também tem, é claro, seus apoiadores: algumas senhoras abriram um champanhe em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, e sua decisão – ilegal e arbitrária – foi efusivamente celebrada em comício num prostíbulo de São Paulo que tem nome de paraíso fiscal, o Bahamas.

É certo que os meios de que dispõem os que resistem à infame decretação de Moro são reduzidos frente o aparato policial e dos meios de comunicação à disposição do arbítrio, mas com as horas de liberdade que conquistou, Lula nos brinda, uma vez mais, com preciosas lições. A primeira delas é que quem tem a superação e a resiliência como marcas de sua trajetória, não precisa vergar-se à vontade despótica de nenhum outro cidadão, nem mesmo à de um juiz, mas, tão somente, observar os limites formais da autoridade do outro. Sérgio Moro pode hoje, no Brasil, fazer o que quiser sem ser contestado, isso é certo, mas desde que o que faça agrade a barões da mídia e a representantes do capital financeiro internacional com interesses diretos nas reservas do país. O que ele não pode, no entanto – porque nem mesmo essa gente a quem representa pode – é suprimir da figura de Lula a dimensão política e social que tem. Assim como não puderam fazer com Vargas os que levaram este ao gesto extremo do suicídio.

Outra lição que Lula nos dá é a de que, em perspectiva histórica, todos os tigres que nos acossam hoje são de papel. O que podem fazer, além de retardar os avanços que, dia mais, dia menos, terão de vir? Por ação direta e indireta de Lula, enquanto liderança política, mais brasileiros puderam comer, trabalhar, morar, estudar, viajar, consumir. Não tendo obrigação formal de proporcionar nada disso a nenhum outro cidadão além de seus filhos e, ao que consta, nenhum vínculo ideológico com políticas de bem-estar social ou de redistribuição de renda, do juiz que o condenou – sem provas – se esperava, apenas, que aplicasse estritamente a lei e fizesse prevalecer a justiça. A História mostrará cada um como é: o Homem que, de maneira inata, lidera seu povo para um novo patamar civilizatório, e o tigre de papel que lhe arreganha os dentes por isso.

Impossível saber por quanto tempo se poderá deter a injustiça de ver-se Lula enclausurado, mas o provável é que não seja muito, dados a brutalidade e o desejo de sangue dos que sustentam a decisão – ilegal – de Sérgio Moro e, como já disse, o aparato policial e comunicacional de que dispõem. E, sobretudo, porque há muito dinheiro envolvido. Amanhã ou depois, o país provavelmente amanhecerá com Lula preso, enquanto um presidente denunciado pela terceira vez por corrupção ativa, passiva e formação de quadrilha ocupa o Palácio do Planalto. E com o mesmo cenário projetado nas sondagens de intenção de voto, isso se Lula não crescer ainda mais – o que é bem possível. É o caso de perguntar à tigrada: tendo metido Lula na cadeia, que destino darão aos demônios que a energia despendida nessa caçada, em forma de ódio, intolerância e analfabetismo político, liberou? Porque converter tudo isso em intenção de voto para um candidato viável os senhores não têm conseguido. O Brasil cindido em pedaços, sabotado, miserável, inimigo de si mesmo, só será novamente colado de duas maneiras possíveis: naturalmente, por meio de eleições livres, democráticas e soberanas ou; artificialmente, por meio de um golpe de força que impedirá a livre manifestação da vontade política de milhões de brasileiros. Ninguém tem mais legitimidade que Lula para apresentar-se candidato, porque ninguém tem a base social que ele tem.

O ato – ilegal – de Moro e a resiliência de Lula deram à esquerda a coesão de que precisava. Não significa, necessariamente, apresentar uma candidatura única, mas tornar cada vez mais nítido que a luta é pela volta da democracia, por eleições livres e limpas. Lula será preso, mesmo injustamente, mas não será humilhado porque é infinitamente maior que o morismo, e isso ele demonstrou ao acatar a sentença – ilegal – de Moro, mas não os seus termos. Não esmorecer, como ensinou Lula, e lutar incansavelmente para que ele seja candidato: esse é o caminho. Em perspectiva histórica, todos os tigres são de papel, mas o voto popular, em eleições livres, é o que porá nossa tigrada em seu devido lugar, antes mesmo que a História o faça.

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