Os trunfos da Dilma

Mesmo com todo esse bombardeio, os números indicam que a presidenta detém índices de intenções de votos bastante confortáveis, girando em torno de 40%

A reeleição da presidenta Dilma não será tarefa fácil. Afinal, o consórcio conservador, formado pela oposição (candidatura do tucano Aécio Neves), pela imprensa hegemônica (o chamado PIG – Partido da Imprensa Golpista) e pela oligarquia financeira, reforçado pela candidatura neo-oposicionista de Eduardo Campos, fará de tudo para impedir a 4ª vitória do povo brasileiro, iniciada em 2002, com a eleição do ex-presidente Lula.

Nesse período pré-eleitoral, que antecede as convenções partidárias e o registro das candidaturas em 5 de julho, percebe-se claramente uma ofensiva virulenta e sequenciada de ataques visando imobilizar e desacreditar o governo central, bem como atingir a imagem a da Presidenta Dilma.

O centro da narrativa conservadora é criar artificialmente "a imagem de um país fraco, à beira de um desastre, com um futuro temerário", como bem destacou recente documento do meu partido, o PCdoB. Para tanto, recorrem ao discurso alarmista da "escalada inflacionária", ante a qualquer oscilação de preços dos alimentos em decorrência de fatores climáticos; da "falência da Petrobrás", fazendo coro aos ataques especulativos do capital estrangeiro, que deseja rebaixar os preços das ações e depois abocanhá-las a preço de banana e de outros factóides a exemplo da tal "gastança do governo"; do "número excessivo de ministérios"; da babaquice do "Volta Lula"; entre outros. A torcida pelo "fracasso da Copa" e contra uma possível vitória da Seleção Canarinho nos gramados também é parte do roteiro macabro. Ou, para tentar ofuscar uma possível (e provável) vitória Seleção, é possível que comecem a espalhar a boataria de que "a Dilma comprou a Copa".

Entretanto, mesmo com todo esse bombardeio, os números indicam que a Presidenta detém índices de intenções de votos bastante confortáveis, girando em torno de 40%. Por outro lado, o principal candidato oposicionista, Aécio Neves, continua patinando na casa dos 20% e o neo-oposicionista Eduardo Campos, na casa dos míseros 10%. É bom lembrar, que em maio de 2010, Dilma e Serra estavam empatados em 36% das intenções de votos. E Dilma, mesmo comparada (pelos "especialistas") a um "poste", foi a grande vencedora, no final.

Se não estão conseguindo "derrubar" a presidenta Dilma agora, quando ela enfrenta condições mais desfavoráveis, com o início do horário de propaganda no rádio e na TV, que inicia em 19 de agosto, aí então as chances da Presidenta "fechá o caxão" (como se diz por aqui em Cuiabá) no 1º turno tende a ser maior.

Qual a base para essa avaliação, cara pálida? É que já em 1º de julho, a lei eleitoral impõe várias restrições sobre a atuação dos meios de comunicação (rádio e TV) que, sabidamente, já escolherem seu candidato predileto. Tais restrições legais dizem respeito a "dar tratamento privilegiado a candidato, partido político ou coligação; veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente...", entre outros.

Ou seja, capas da revista Veja atacando o PT ou a Presidenta não poderão ser veiculadas, a exemplo das edições de 26.01.2005 ("O PT deixou o Brasil mais burro"), de 17.04.2013 ("Dilma pisou no tomate"), de 05.04.2014 ("Como o PT está afundando a Petrobrás") e dezenas de outras do mesmo naipe.

Além desse "freio" à ação descarada do PIG, a Presidenta Dilma terá o tempo de rádio e TV quase 3,5 vezes maior do que o tempo do tucano. Espaço privilegiado que certamente será muito bem aproveitado pelo genial e vitorioso João Santana, responsável pelos programas eleitorais da Presidenta, com informações sobre as inúmeras realizações do governo federal, os avanços alcançados e propostas mais avançadas para renovar as esperanças, algo que dificilmente é divulgado pela chamada mídia hegemônica.

Portanto, a partir do horário eleitoral gratuito, a "fonte de informação" do eleitorado deixa de ser o PIG e passa a ser os programas eleitorais de rádio e TV. O eleitor tende a "beber" diretamente na fonte para decidir em quem vai votar!

Aliado ao fator "rádio e TV", a presidenta Dilma disporá de "palanques estaduais" mais competitivos em virtude do número de partidos que lhe darão sustentação. Em alguns Estados, a Presidenta terá o luxo de ter 2 ou até 3 "palanques", apoiando sua candidatura. Em contrapartida, a candidatura Aécio não terá "palanques" exclusivos em vários Estados, pois o PSDB apoiará candidatos de partidos que dão sustentação à presidenta Dilma, a exemplo do Rio de Janeiro (PMDB) , Rio Grande do Sul (PP), Maranhão (PCdoB) e mesmo aqui em Mato Grosso (PDT), entre outros.

Por fim, e talvez o mais importante, a Presidenta terá a seu lado o maior cabo eleitoral, ou melhor, "marechal eleitoral", que é o "Molusco Quatro Dedos" (não é assim que as elites preconceituosas o denominam?), o ex-presidente Lula, o torneiro mecânico de formação, sobrevivente da seca no nordeste e de um câncer na garganta, que até hoje continua a receber títulos de Doutor Honoris Causa das mais importantes universidades do mundo. O ex-presidente mais odiado pelas elites e mais querido pelo povo brasileiro. Prova de seu prestígio são índices de intenção de voto alcançado, inclusive superior aos da presidente Dilma, quando tem seu nome colocado nas pesquisas. Enquanto isso, o "pleboyzinho" Aécio terá a seu lado o ex-presidente FHC, o "Príncipe de Sorbonne", que normalmente é "escondido" durante as campanhas, pois, quando fala, costuma mais atrapalhar do que ajudar os candidatos do PSDB.

É provável que o candidato tucano possa atingir a faixa dos 30%, afinal, na eleição passada o Serra alcançou 32,6%, índice que representa a parcela mais conservadora da sociedade. O que está difícil é o neo-oposicionista Eduardo Campos chegar próximo aos 19,3% alcançados pela Marina Silva, pois, até agora, não encontrou um discurso capaz de empolgar o eleitorado. E, sem que isso aconteça, a 4ª vitória do povo poderá ser concretizada com a reeleição da Presidenta Dilma.

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