Pandemia e pandemônio: O drama das comunidades cariocas

Se observamos a lei de segurança pública, verifica-se em ser artigo primeiro, a preservação da vida humana, e se em sua prática, vidas são exterminadas, assassinadas, findadas, significa, sem muito esforço critico, que há um erro, ou um erro que já se tornou vicioso

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Seja de qual lado for, a interpretação, leitura e sentimento devem ser os mesmos, afinal, são vidas humanas, ceifadas, arrancadas, mortas através do impulsionamento da guerra de classes disfarçada de operação policial em repressão ao narcotráfico nas favelas cariocas. 

Seis de maio do ano de 2021, o mundo ainda luta contra uma pandemia, o Brasil vive uma CPI na qual é investigada, não somente, a omissão do presidente da República em relação ao combate a pandemia, mas suas atitudes que podem ser interpretadas como atos consecutivos de sabotagem. 

O Rio de Janeiro, em particular, vive não somente os danos do descompromisso com a vida do governo federal, mais do que isso, vive um pandemônio com o retorno das operações policiais, inclusive com o uso de helicópteros e blindados, conhecidos como “caveirões” voadores e terrestres.

O pandemônio vivido na comunidade do Jacarezinho, nesse dia seis teve seu número  de vítimas calculado em uma progressão aritmética, a crescente da contabilidade do número de mortes foram sendo elevadas  de 14, para 15, 22 e 23  (pelo menos) noticiadas em intervalos curtos de tempo pela mídia televisiva.

A mídia, de forma insensível, procura validar o parâmetro segregacionista de uma polícia justiceira baseada no combate bélico impulsionada a pratica e promoção  da  guerra de classes. Esta mídia que  separa na contagem de vítimas, policiais de suspeitos incentiva de forma direta a extensão da guerra que, diga-se de passagem, está bem distante das mansões e coberturas dos barões midiáticos. A seguir um pequeno destaque da imprensa para relatar o confronto na comunidade do Jacarezinho onde até nesse momento 23 seres humanos haviam morrido: “um policial e outros 22 suspeitos morreram”. Este tipo de mensagem, traz em seu íntimo a justificativa da morte de “suspeitos” e a lamentação por parte da morte de um agente do Estado.

Seria desnecessário, pelo menos devia, destacar, que independente de qualquer coisa, vidas possuem laços familiares , afetivos, que sofrem. E que muitas das vezes já sofrem um processo excludente, desde mesmo antes de nascerem.

Segundo a plataforma Fogo Cruzado, que faz estudos e balanços sobre a violência urbana na Cidade, esta operação realizada na manhã  desse dia seis, apresenta o maior número de mortes, acrescentando, ainda, que desde que a plataforma iniciou seus estudos, nunca houve uma operação policial com um número tão alto de mortes.

O cenário de violência exibido, nos agrega mais insegurança, não só em relação à este tipo de política de segurança pública , que como já é sabido não traz resultados positivos. Afinal se observamos a lei de  segurança pública, verifica-se em ser artigo primeiro, a preservação da vida humana, e se em sua prática, 23 vidas são exterminadas, assassinadas, findadas,  significa, sem muito esforço critico, que há um erro, ou um erro que já se tornou vicioso. 

O medo agregado vem justamente em relação a insensibilidade que o Estado, ou melhor a falta de um olhar e uma noção real do que realmente estamos passando, não só no Rio de Janeiro mas no mundo! A pandemia do novo corona vírus que vem ceifando vidas requer, dentre outras medidas, o distanciamento social e o uso de máscaras como atitudes cabíveis para a não disseminação do vírus.

Mas não foi bem isso o que aconteceu, segundo o que a própria mídia noticiou: Pessoas correndo, sendo pisoteadas, e até feridas em vagões do metrô, em uma composição que passava na hora da operação, com centenas de pessoas, exprimidas, expostas,  diariamente na ida e vinda de seus trabalhos.  Relatos de moradores, denunciam invasões a residências, em um momento em que se é recomendado a higienização de pés, mãos e roupas antes de entrar em casa. No momento em que muitos de nós nem parentes estamos recebendo em nossas casas.

Ou será que as regras de contenção à disseminação do vírus da pandemia  também são  possíveis de segregação? A favela quer viver!

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