Pandemia ocorre em cenário de crise social e conflitos geopolíticos

"O imperialismo estadunidense está empenhado numa campanha de agressões retóricas e ameaças à República Popular da China, país socialista que aposta na cooperação internacional e efetivamente atua no sentido de dar assistência a mais de uma centena de países nos esforços para superar a pandemia", escreve o jornalista José Reinaldo Carvalho, editor internacional do Brasil 247

(Foto: Infomoney)
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Por José Reinaldo Carvalho, do Jornalistas pela Democracia - A pandemia do novo coronavírus é uma trágica comprovação da falência dos sistemas de saúde pública nos países capitalistas, reveladora de uma crise econômica e social sistêmica e dos grandes impasses geopolíticos do mundo contemporâneo. 

Os hospitais superlotados, as pessoas morrendo em casa ou mesmo no meio da rua não são meras "deficiências" nem ocorrem por acaso. São os efeitos inevitáveis de políticas antipopulares aplicadas pelos governos a serviço do capital monopolista-financeiro, do corte do gasto público e da falta de atenção para com as necessidades básicas das massas populares. 

O Estado capitalista não é capaz de prover as necessidades da população na área da saúde, como a atenção e prevenção primárias, hospitais, médicos e enfermeiros, medicamentos, laboratórios e exames clínicos. A lógica neoliberal que tem prevalecido nos países capitalistas resulta na privatização e mercantilização de todo e qualquer serviço público, o que atingiu em cheio a saúde. Na ocorrência de uma pandemia como a atual, estas falhas se revelam em toda a sua inteireza e provocam efeitos trágicos para a população. 

O fenômeno da deterioração da saúde evidencia a natureza antissocial e parasitária do capitalismo, que repercute também nas políticas públicas em geral, na ofensiva contra os direitos trabalhistas e previdenciários dos assalariados, na destruição do Estado de bem-estar, afastando-se o poder público da obrigação com a proteção social. 

Este cenário não está desligado da crise econômica e financeira sistêmica do capitalismo, e da pauperização das massas trabalhadoras. Recentemente, a Oxfam fez uma estimativa de que a pandemia de coronavírus pode adicionar 500 milhões de pessoas à condição de pobreza. 

Em meio à pandemia, ficou evidente a incapacidade da maioria dos Estados capitalistas para dar respostas eficazes e evitar os efeitos mais devastadores da crise. Contudo, no que o Estado capitalista demonstrou eficiência foi no socorro aos bancos e grandes monopólios, que não esgotam suas manobras para especular e acumular grandes lucros, entre as quais o aumento das formas de exploração e opressão dos trabalhadores e países dependentes. 

Os trabalhadores são os que mais sofrem com as políticas das chamadas "reformas estruturais", da  desregulamentação das relações de trabalho, da flexibilização das jornadas de trabalho, redução de salários e dispensas, acarretando o desemprego em massa. 

Neste quadro de crise sanitária, econômica e social, agravam-se também as tensões geopolíticas. As potências imperialistas, principalmente o imperialismo estadunidense, intensificam a ofensiva brutal contra os povos. 

O governo de Donald Trump dirige sua ação  especialmente contra países que persistem no caminho da luta por sua independência e soberania. 

O imperialismo estadunidense está empenhado numa campanha de agressões retóricas e ameaças à República Popular da China, país socialista que aposta na cooperação internacional e efetivamente atua no sentido de dar assistência a mais de uma centena de países nos esforços para superar a pandemia.

Este mesmo imperialismo intensifica as políticas de bloqueio econômico, comercial e financeiro a países como Cuba, Venezuela, Irã, República Popular Democrática da Coreia e Síria.

Igualmente, os Estados Unidos buscam isolar a Rússia e praticam também para com o país eurasiático uma política de sanções.

É neste contexto que não cessam as ameaças de novos conflitos e atentados à soberania nacional de países e povos independentes.

Na contracorrente, as forças progressistas, patrióticas e amantes da paz participam de campanhas em favor do combate à pandemia e de iniciativas internacionalistas de solidariedade. 

São cada vez mais atuais as campanhas em solidariedade à China, Cuba, Venezuela, República Popular Democrática da Coreia, Irã, Síria, Rússia, Palestina e Saara Ocidental.

Diante da crise sanitária, as forças progressistas e os movimentos populares intensificam suas lutas pelo fortalecimento imediato dos sistemas públicos de saúde com fundos estatais, contratação de médicos e enfermeiros com plenos direitos; pelo atendimento a todas as necessidades das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e por prover a infraestrutura necessária para o pleno funcionamento dos serviços de saúde pública e de pesquisa científica; pela provisão de todos os meios de proteção necessários (máscaras, luvas, antissépticos etc.) e pela proteção aos médicos e enfermeiros que lutam nos hospitais com abnegação sacrifício e custo pessoal. No rol das reivindicações, inclui-se a proteção à renda dos trabalhadores e direitos populares e a tomada de medidas imediatas para proteger a saúde nos locais de trabalho.

É necessário persistir na defesa da democracia e não permitir nenhuma redução dos direitos democráticos dos povos sob o pretexto do estado de emergência decorrente da pandemia.

Estão em curso também, sob a coordenação do Conselho Mundial da Paz, campanhas pela paz mundial, especificamente pela afirmação da América Latina como região de paz, pela dissolução da Otan – Organização do Tratado do Atlântico Norte, braço armado do imperialismo estadunidense -, pelo fim das bases militares estrangeiras, pela abolição das armas nucleares e pelo fortalecimento e aplicação dos princípios da Carta das Nações Unidas, de defesa da autodeterminação das nações e a solução pacífica dos conflitos internacionais. 

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