Para Dallagnol, Lava Jato é um negócio lucrativo

"Se depois de todas essas provas do comportamento criminoso do ex-juiz e sua turma da força-tarefa o STF não anular a condenação de Lula, que todo mundo sabe ser inocente, então talvez seja melhor mesmo o país não ter Supremo, como querem o filho e partidários de Bolsonaro", diz o colunista Ribamar Fonseca

(Foto: Agência Brasil)
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Deltan Dallagnol é muito mais perigoso do que a princípio se pensava. Esperto, enquanto a Lava-Jato fechava empresas e desempregava milhares de trabalhadores, ele planejava enriquecer usando o combate à corrupção como negócio. Aproveitando a fama conquistada como coordenador da força-tarefa e a boa fé dos trouxas, que o contratavam acreditando em sua seriedade, Dallagnol montou um esquema de palestras que lhe rendiam muito mais do que o seu gordo salário mensal de R$ 33 mil. E já pensava até em montar uma empresa só para organizar as suas palestras, conforme revelaram a Folha e o The Intercept ao divulgar os seus diálogos. “Vamos organizar congressos e palestras e lucrar, ok?”, ele disse, acrescentando:”É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”. Na idiocracía em que vivemos hoje, implantada pela mídia em anos de massacre à classe política, os beócios fanatizados ainda aplaudem Moro e Dallagnol, as estrelas da Lava-Jato, apesar da gravidade das revelações sobre suas atividades criminosas nos subterrâneos da força-tarefa, atropelando leis e violando a Constituição, para atingir seus objetivos políticos.  

Com a revelação dos diálogos entre o pessoal da Lava-Jato, divulgados numa parceria entre o site The Intercept, a Veja e a Folha de São Paulo, ninguém mais pode alegar ignorância sobre os métodos criminosos empregados por Moro, Dallagnol e companhia na trama montada, com a participação de magistrados de todas as instâncias do Judiciário, para prender o ex-presidente Lula e eliminá-lo do processo sucessório, abrindo caminho para a eleição de Bolsonaro. Apesar do escândalo, porém, e da sua repercussão no mundo inteiro, não se consegue vislumbrar até agora nenhum sinal de providências, por quem de direito, para pelo menos investigar as denúncias. Aparentemente, nem adianta representar ao Conselho Nacional dos Procuradores contra Dallagnol, como pretende o PT, porque aquele conselho tem se comportado como órgão corporativo, arquivando todas as representações contra o coordenador da força-tarefa. O mesmo procedimento tem sido adotado pelo Conselho Nacional de Justiça que, agora, certamente terá como argumento o fato de Moro não ser mais juiz. E hoje, como ministro da Justiça e chefe da Policia Federal, ele tenta interromper o fluxo de publicação dos seus diálogos com Dallagnol intimidando o pessoal do Intercept com a ameaça de prisão. 

O fato é que a Lava-jato moralmente acabou. Na verdade, ninguém quer acabar com essa operação, como seus integrantes pretendem fazer crer, mas diante das revelações sobre os crimes praticados a pretexto de combater a corrupção torna-se imperioso e urgente uma mudança nos seus métodos, para que suas atividades se desenvolvam dentro da lei. E isso implica em sua completa reformulação, com a troca de todo o seu pessoal. Afinal, todo mundo é favorável ao combate à corrupção mas os fins não podem justificar os meios. Além disso, está mais do que claro que, no caso da Lava-jato, esse combate foi apenas um biombo para esconder dos olhos do público a sua natureza política e o seu verdadeiro objetivo: impedir Lula de voltar ao Palácio do Planalto. Com essa atuação vergonhosa, que contaminou o Judiciário e causou enormes prejuízos à sua credibilidade, a força-tarefa de Curitiba deixou um rastro de destruição não apenas na Justiça mas, também, na economia do país, influindo igualmente nas últimas eleições que levaram o capitão Bolsonaro à Presidência da República. Os possíveis benefícios que a operação poderia produzir acabou desaparecendo diante dos males causados ao país, destruindo grandes empresas, provocando o desemprego em massa e criando um clima de animosidade que volta e meia explode em atitudes violentas de seus partidários imbecis, como aconteceu em Parati contra o jornalista Glenn Greenwald.

O clima de ódio, que surgiu com o chamado mensalão e foi potencializado com a Lava-jato,  ampliou-se e atingiu níveis alarmantes após a eleição de Bolsonaro, cujos seguidores consideram inimigos todos os que pensam diferente deles. E ao invés de argumentos tentam alijá-los com ameaças de morte. As pessoas já propensas à violência, animadas pelos discursos de ódio do novo presidente, passaram a extravasar seus piores instintos, inclusive agredindo até mulheres apenas porque vestiam vermelho. A situação, que tem como símbolo a imagem do capitão-presidente empunhando armas imaginárias, ficou tão surreal que a morte do neto do ex-presidente Lula e do jornalista Paulo Henrique Amorim foi comemorada nas redes sociais por verdadeiros animais. Difícil acreditar que o Brasil, antes um país reconhecido pela alegria e fraternidade do seu povo, se transformou em território de bárbaros, onde nem a religião escapou dos sentimentos de ódio e intolerância que hoje dominam grande parte da população. As redes sociais se tornaram o grande canal desse ódio, onde todos os dias são postadas mensagens venenosas, atiçando brasileiros contra brasileiros, num processo que se agrava a cada dia e tende a provocar graves conflitos entre irmãos. E todos os que contribuem para isso, direta ou indiretamente, são responsáveis pelas possiveis mortes daí decorrentes.  

É doloroso constatar que tem muita gente completamente ignorante quanto ao objetivo da vida, acreditando que estamos aqui no planeta Terra apenas para usufruir dos prazeres da carne e, por isso, procuram aproveitar ao máximo o que a vida oferece, convencida de que tudo acaba com a morte do corpo físico. Muitos frequentam os templos da sua religião, rezam, falam a toda hora o nome de Deus mas fazem exatamente o contrário do que Jesus pregou em seu Evangelho: a humildade, o perdão, o amor. O 3º mandamento recebido por Moisés no Monte Sinai diz: “Não tomarás o nome do senhor Deus em vão”. O presidente Bolsonaro, por exemplo, cunhou o slogan do seu governo com a frase “Deus acima de tudo”, talvez para sugerir religiosidade e sensibilizar os religiosos, mas se comporta como ateu, ignorando completamente as recomendações do Evangelho. O mesmo acontece com o procurador Deltan Dallagnol, que se diz evangélico e, no entanto, além de tramar contra irmãos, se deixou fascinar por Mamon e só pensa em ganhar muito dinheiro em cima da desgraça dos outros. Depois das mais recentes revelações do The Intercept, em parceria com a Folha e a Veja, ficou mais claro porque ele queria os R$ 2,5 bilhões de multa da Petrobrás para, supostamente, criar uma organização de combate à corrupção. Segundo rumores que circularam à época, ele teria, inclusive, consultado a Caixa Econômica para saber qual o rendimento desse dinheiro se depositado numa poupança. Esse pessoal esquece que não levará um centavo para o outro lado quando deixar a carcaça. 

Em agosto próximo, se Dias Tóffoli, intimidado pelos generais de pijama, não tirar da pauta, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal deve votar o habeas corpus de Lula e a suspeição de Moro. É a oportunidade que a Suprema Corte terá para, finalmente, fazer justiça, anulando a condenação do ex-presidente por conta do processo viciado, onde o juiz Sergio Moro atuou como acusador e julgador, sendo bastante visível o seu ódio ao líder petista, conforme as revelações do The Intercept.  Nesse julgamento o ministro Edson Fachin, que Dallagnol em seus diálogos mostrou estar afinado com as ações ilegais da Lava-jato, deveria ser impedido de votar, por absoluta falta de isenção. Ele deveria ser considerado suspeito tanto quanto Moro. Se depois de todas essas provas do comportamento criminoso do ex-juiz e sua turma da força-tarefa o STF não anular a condenação de Lula, que todo mundo sabe ser inocente, então talvez seja melhor mesmo o país não ter Supremo, como querem o filho e partidários de Bolsonaro. E deixar a justiça por conta do ministro da pasta, cujas decisões como juiz de primeira instância sempre foram endossadas pelas instâncias superiores. De uma coisa, porém, ninguém tem dúvidas: da Justiça divina ninguém escapa.

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