Para elevar o nível do debate

Pra quem acha que os efeitos de 2008 ficaram para trás, é preciso alertar que aquela "bolha" faz hoje estragos no Japão, na China e, claro, no Brasil

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Lendo as notícias de agora à noite - sexta-feira, 21 de agosto, 23h - vejo a seguinte matéria no portal G1: "Preocupação com economia da China derruba mercados". E o striake foi grande. Na Ásia a bolsa de Xangai caiu 4,27% e teve perda de 11,5% na semana; nos EUA, Dow Jones caiu 3,12%, S&P 500 recuou 3,19% e Nasdaq perdeu 3,52%. Na Europa FTSEurofirst 300 caiu 3,4%, a pior queda diária desde 2011, enquanto no Brasil a queda da Bovespa foi de 1,99%, menor taxa desde março de 2014.

Essa notícia não gera tanto novidade se considerarmos que o planeta todo vive uma crise financeira que começou há sete anos. Vamos recordar?

Em 2008 a agência norte-americana Standard & Poor's (S&P) atribuiu nota máxima ao banco Lehman Brothers (principal negociador do tesouro americano), que quebrou e decretou falência em agosto daquele ano, no estouro da crise da "bolha imobiliária" nos EUA. A S&P errou, perdeu credibilidade e, diante deste estelionato o mundo passou a sentir gradualmente os efeitos da crise.

Primeiro foram os EUA, que naquele ano registraram a maior taxa de desemprego desde 2004 e depois foi a vez da Espanha, que em 2012 registrava 5,7 milhões de desempregados (aumento de 25% naquele ano). A explosão de desemprego passou a atingir toda a região da zona do Euro e a crise ajudou a quebrar a Grécia.

E pra quem acha que os efeitos de 2008 ficaram para trás é preciso alertar que aquela "bolha" faz hoje estragos no Japão, na China e, claro, no Brasil. Mas por que só agora estamos sentindo de fato esses efeitos? Talvez porque lá em 2008 nossas reservas superavam os US$ 200 bilhões ante a US$ 28 bi de 2002. E no ápice da crise mundial, o país passou a registrar taxas modestas com crescimento do PIB acumulado de 17,8%, mesmo assim, uma das maiores taxas de crescimento entre os países do G20.

Voltando aos dias atuais, outra notícia publicada hoje chama atenção para crise econômica vivida pelos países emergentes, sobretudo os integrantes do BRICS – Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul. Além da queda das bolsas, a reportagem dá um destaque para a baixa dos produtos considerados matérias-primas, como o petróleo por exemplo, que caiu nos EUA e ficou abaixo de US$ 40 pela 1ª vez desde 2009, o que certamente irá refletir nos números de faturamento da Petrobras.

A experiência vivida por grandes nações diante dessa que já é considerada a maior crise desde a recessão de 1929 parece não ser vista a olhos nus. Quem sente os efeitos da inflação no país, da alta taxa de juros e do desemprego (mesmo que haja uma expectativa de equilíbrio pela geração de postos de trabalhos em alguns setores) parece não compreender em nenhum momento a falência de bancos americanos, europeus e a queda de produção nas principais economias do planeta, que desde 2008 ajudam a aumentar o desemprego e a aprofundar a maior recessão desde a segunda grande guerra.

E ao invés de fazer um resgate histórico, compreender o contexto e fundamentar a realidade em dados globais noticiados a todo instante que comprovam que não estamos sozinhos, ainda tem gente que prefere se fazer de Iustitia. No entanto, apenas cega, de olhos vendados, pois sem nenhuma imparcialidade ou justiça, crava sua espada culpando única e exclusivamente uma mulher, não se importando em nenhum instante com o nível do debate.

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