Para o dr.Pangloss da Folha, cão que ladra não morde

"Cândido ou O Otimismo, novela ficcional escrita por Voltaire em 1758, narra a história de um jovem que tem um mentor chamado dr. Pangloss", diz o colunista Alex Solnik; "Tem vários dr. Pangloss escrevendo na Folha de S.Paulo. Um deles é Hélio Schwartsman", afirma; jornalista acrescentando, no entanto, que o filósofo disse não haver possibilidade de um suposto governo Bolsonaro ser ditatoriala; "Se a Folha quiser fazer jus ao seu lema – 'um jornal a serviço do Brasil' – tem que avisar aos seus leitores, em letras garrafais que a única forma de garantir a continuação da democracia, sem riscos, é votar em Haddad. O resto é conversa de dr. Pangloss"

Para o dr.Pangloss da Folha, cão que ladra não morde
Para o dr.Pangloss da Folha, cão que ladra não morde (Foto: ABr | Reprodução/Facebook)

Cândido ou O Otimismo, novela ficcional escrita por Voltaire em 1758, narra a história de um jovem que tem um mentor chamado dr. Pangloss. Adepto do otimismo do filósofo Leibniz, seu mantra é "tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis". Tem vários dr. Pangloss escrevendo na Folha de S. Paulo. Um deles é Hélio Schwartsman, cujos textos leio e admiro quase sempre.

Alguns deles, no entanto, como o de hoje me parecem muito panglossianos. Com uma tranquilidade que eu invejo ele afirma categoricamente que não há possibilidade nenhuma de um suposto governo Bolsonaro desaguar numa ditadura. Ele garante que as nossas instituições democráticas não vão deixar.

Hélio entende, desse modo, que tudo isso que estamos vendo acontecer, todas as ameaças que o candidato já fez publicamente, como "metralhar a petralhada" e que repetiu ainda anteontem, e as ameaças ao jornal onde Hélio trabalha não passam de bravatas. Ele acredita que cão que ladra não morde.

Não sei em que tese filosófica – ou exercício de futurologia - ele se baseia para esbanjar tanto otimismo e tranquilizar seus leitores. Ao tranquilizá-los, Hélio, talvez sem perceber, os libera para votarem naquele que para ele é apenas um candidato à presidência da República rebelde que será domesticado pelas nossas instituições. Hélio está pagando para ver e convidando os leitores da Folha a fazerem o mesmo. Apesar de o tal candidato ter afirmado ainda anteontem que se eleito vai cortar a publicidade da Folha. E isso ele pode fazer.

Não sei em que medida o jornal será afetado se isso ocorrer, mas é um sinal claro de como o capitão reformado pretende se relacionar com a imprensa: asfixiando-a economicamente se for crítica a ele. E, no caso, nem crítica foi e sim uma reportagem. É censura econômica. E a censura é proibida pela constituição. Isso não basta para Hélio perceber o que esse candidato – e todos os generais da reserva ao seu redor – planejam fazer com o Brasil?

Desde o começo do ano eu tenho dito que essa candidatura não deveria nem ter sido permitida pelo TSE, tal a gravidade das barbaridades já cometidas por ele no passado recente, sendo a mais pusilânime delas o elogio a um torturador e assassino em plena Câmara dos Deputados em rede nacional de TV.

Já se conheciam, no começo do ano, suas declarações de apoio à ditadura militar, a uma guerra civil, ao fechamento do Congresso, sua admiração por Hitler, seu ódio a gays, a negros, a quilombolas – e só ainda não falou mal de judeus porque precisa do dinheiro de alguns deles. Juro por Deus – e sou ateu – que não consigo entender como o culto e talentoso articulista da Folha passa uma borracha nisso tudo e adota o lema de Roberto Carlos: daqui pra frente tudo vai ser diferente.

O que leva o dr. Pangloss da Folha a imaginar que o capitão reformado que ameaçou explodir quartéis – e por isso foi excluído do Exército – e que utilizou na campanha os recursos mais sórdidos para conquistar popularidade – o que a própria Folha revelou – vai ficar bonzinho depois de se eleger? Se agora que ainda não tem poder está agindo como se fosse o dono do país quando o detiver vai virar um democrata e pacificar o Brasil? Em que lugar do mundo e com que político já aconteceu essa metamorfose?

Se a Folha quiser fazer jus ao seu lema – "um jornal a serviço do Brasil" – tem que avisar aos seus leitores, em letras garrafais que a única forma de garantir a continuação da democracia, sem riscos, é votar em Haddad.

O resto é conversa de dr. Pangloss.

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