Para que serve a imagem de Búzios?

Acudam a minha cidade. Amparem nossa gente. Parem com essas discussões políticas estéreis. Afastem da vida da cidade esses políticos corruptos que estão destruindo tudo

Acudam a minha cidade. Amparem nossa gente. Parem com essas discussões políticas estéreis. Afastem da vida da cidade esses políticos corruptos que estão destruindo tudo
Acudam a minha cidade. Amparem nossa gente. Parem com essas discussões políticas estéreis. Afastem da vida da cidade esses políticos corruptos que estão destruindo tudo (Foto: José Carlos Alcântara)
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A imagem de Búzios não tem valor algum se não podemos gozar de segurança para poder desfrutá-la nas ruas, e nas praias da cidade. Pior fica o quadro se não estamos seguros nem mesmo em nossos próprios lares.

Na minha última postagem no Facebook, às 22h14 de 8 de Junho eu anunciava: 'Abracem-se Irmãos! Além do céu estrelado deve morar um Pai Amado'. - Schiller, An die Freude – 'Consegui! Consegui! Enfim encontrei a Alegria!'. Beethoven encontrara afinal a solução buscada há anos, que permitia-lhe musicar os difíceis versos da Ode à Alegria de Schiller. Enquanto nas imagens de uma pracinha de uma cidade do interior na Europa, a sua população se reunia, para cantar junto a Ode à Alegria, com a melodia comovente de Beethoven, celebrando a vida.

Os acordes da 9ª Sinfonia ainda ecoavam, quando ouvi um barulho forte que vinha da porta da sala e eu fui até lá para verificar o que era... Começava aí minha madrugada de medo e terror. As luzes da casa estavam apagadas e, ao abrir a porta da sala naquela escuridão, eu me deparei com a imagem mais próxima do inferno que já tive. Um vulto negro que com uma voz soturna exclamava: 'Cala a boca! Para de gritar, porra!' Enquanto uma mão sufocava meu pescoço e a outra levantava um facão acima da minha cabeça.

Percebi que era a morte batendo à porta daquela casinha tranquila, em que eu e a Tininha vivemos há cinco anos. Lembrei imediatamente que ela dormia no quarto atrás de mim e que eu era a última barreira antes da tragédia que iria se abater sobre nós: Nããão!!! Não faça isso! Socorro! Polícia! Socooorro! Estamos sendo assaltados! Socooorro!!!

Eu, que sempre fiz elogios rasgados á beleza e tranquilidade que encontrávamos em Búzios, entrei em desespero e me recusei a permitir que esse sonho terminasse ali, daquela forma vulgar e medonha. Eu não vou morrer assim! Pensei. E continuei a gritar: Não, vocês não vão entrar aqui! Socorro! Saiam daqui... (e levei o primeiro golpe de facão). Não faz isso! Socorro! Polícia, estão assaltando a casa! Socooorro!!!... (levei o segundo golpe mais forte).

Já com o sangue jorrando em abundância sobre meu rosto, continuei a gritar ainda mais alto, enquanto tentava me desvencilhar das mãos do demônio. Foi quando percebi que havia outros dois. Um atrás dele e o outro na calçada, diante da porta aberta que dava para a Rua Vieira Câmara. O tom dos meus gritos de desespero tornaram-se numa força devastadora que me lançaram para a rua. Os seres diabólicos me espreitavam incrédulos da calçada, do outro lado da rua. Eu continuei a gritar, enquanto eles se afastavam. Eu me vi ali sozinho na rua deserta, com o sangue respingando na calçada. Foi quando me dei conta do silencio assustador e da falta de proteção de todos os moradores.

Búzios acabava de falecer! E eu renascia de um pesadelo macabro, que só vai terminar quando toda a população da cidade que eu amo tanto, começar a lutar, a gritar, a se defender, a enfrentar a maldição que parece pairar sobre o cantinho de Deus, que até pouco tempo era chamado de paraíso. Socooorro! Acudam a minha cidade. Amparem nossa gente. Parem com essas discussões políticas estéreis. Afastem da vida da cidade esses políticos corruptos que estão destruindo tudo. Tenham coragem e enfrentem os demônios que estão nos destruindo.

E, quando eu realmente tiver que partir: Enterrem meu coração aqui em Búzios! Pois, se essa cidade se tornar apenas um retrato na parede, contemplá-lo vai doer muito!

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