Para que serve a narrativa de “guerra” contra a criminalidade no Rio?

A imprensa, os políticos e os "especialistas" em segurança pública não são capazes de colocar em xeque o papel ultrapassado e incompatível com a democracia das Polícias Militares, que nada mais são do que capatazes pobres e negros recrutados para a missão de proteger o patrimônio das elites

Rio de Janeiro - Soldados do Exército mantêm o controle do acesso à comunidade Vila do João, onde três militares da Força Nacional foram feridos (Vladimir Platonow/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - Soldados do Exército mantêm o controle do acesso à comunidade Vila do João, onde três militares da Força Nacional foram feridos (Vladimir Platonow/Agência Brasil) (Foto: Daniel Samam)

A Rede Globo, através de seus telejornais e impressos locais, têm realizado uma massificação, quase uma lobotomia, acerca das inúmeras mortes de policiais, bandidos e civis na cidade e em todo o Estado do Rio de Janeiro em função da violência fora de controle.

Mas omitem que, em sua maioria, os policiais, bandidos e civis mortos por balas perdidas ou endereçadas são negros, pobres e moradores de áreas carentes de todo tipo de serviço. E omitem também que a consequência do agravamento da violência está no caos social provocado pela destruição do Estado do Rio de Janeiro, fruto da ingerência, mas sobretudo de um projeto de gentrificação e limpeza social por parte das atuais autoridades locais e federais.

O secretário de segurança do Estado, Roberto Sá, aponta como saída para a crise da segurança pública a alteração do Código de Processo Penal pois o atual, segundo Sá, "impediria que a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro realizasse o seu papel". Nesta frase está mais do que claro o pedido de licença para a PMERJ, "passar o rodo", "fazer a limpa", ou seja, matar indiscriminadamente nas favelas e nos subúrbios sem se preocupar com os entraves de Direitos Humanos e Estado Democrático de Direito.

A imprensa, os políticos e os "especialistas" em segurança pública não são capazes de colocar em xeque o papel ultrapassado e incompatível com a democracia das Polícias Militares, que nada mais são do que capatazes pobres e negros recrutados para a missão de proteger o patrimônio das elites - vide o brasão da corporação, onde se vê duas armas sobrepostas a um pé de café e outro de cana-de-açúcar -, ao invés de proteger a sociedade, e o papel eugenista de matar pobres e negros.

Não são capazes de apontar saídas para atual crise que passem por projetos e programas que visem o social, a inclusão e a distribuição de renda, oferecendo cidadania e dignidade a essas pessoas. Não são capazes de encarar o debate da descriminalização e legalização das drogas, com o objetivo de pôr fim a uma guerra estúpida que há décadas já ceifou dezenas de milhares de vidas em nossa cidade e Estado.

Camaradas, a famigerada narrativa de "guerra" só serve para justificar todo e qualquer tipo de arbitrariedade. Nada mais.

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