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Quero crer que o debate democrático seja feito da confrontação de ideias antagônicas. Ou será que apenas os "Donos da Verdade", à direita ou à esquerda, e respectivos apoiadores deveriam ter voz?

Quero crer que o debate democrático seja feito da confrontação de ideias antagônicas. Ou será que apenas os "Donos da Verdade", à direita ou à esquerda, e respectivos apoiadores deveriam ter voz?
Quero crer que o debate democrático seja feito da confrontação de ideias antagônicas. Ou será que apenas os "Donos da Verdade", à direita ou à esquerda, e respectivos apoiadores deveriam ter voz? (Foto: Reinaldo Del Dotore)

É mais ou menos esta a frase com a qual me deparei numa publicação, em uma grande rede social, de autoria de uma moça que faz relativo sucesso por lá. Fui chamado àquela publicação por um amigo em comum que desejava conhecer meu ponto de vista, pois ele sabe que eu escrevo esporadicamente algumas palavras por aqui.

O principal argumento da moça na defesa do não-compartilhamento de matérias publicadas pelo Brasil 247 é, em síntese: as matérias e artigos aqui publicados seriam caracterizados por atrair uma infinidade de comentários "fascistas", e este fato tornaria indicado ignorar as próprias matérias e artigos.

Em primeiro lugar, o desgosto da moça (e de várias pessoas que comentaram a publicação dela) é que os responsáveis pelo Brasil 247 deveriam excluir comentários "fascistas" e não o fazem. Pergunto: o que seriam comentários "fascistas"? Mais: quem julga o que é ou não "fascista"? É claro que há, nos comentários, aqueles que efetivamente se excedem (à direita e à esquerda, justiça seja feita), mas mesmo nesses casos o que observo são comentários feitos por pessoas pouco ou nada acostumadas ao debate e à democracia e que frequentemente utilizam palavras ofensivas. Isto seria "fascismo"? E os ofensores à esquerda, seriam legítimos, ou deveriam receber algum outro adjetivo? Parece mais do que óbvio que num portal que só na principal rede social tem quase 600 mil "likes" e que publica, diariamente, dúzias de matérias e artigos, seria inexequível haver uma equipe destinada a "filtrar comentários". Ademais, volto a perguntar: quais comentários deveriam ser "filtrados"? Quem julgaria? Quais os critérios? Seriam os critérios da moça? Os meus critérios? Ou os do leitor que ora avalia minhas palavras? Troquemos os sinais: seria interessante que, nos blogs e portais, os comentários "esquerdopatas" fossem excluídos? Aliás, o que são "esquerdopatas"?

Outro ponto fundamental: comentários desqualificariam o próprio conteúdo das matérias e artigos? Ora, se isso fosse verdade deveríamos deixar, por exemplo, de ler os blogs de esquerda que não censuram comentários. Ou será que é mais relevante conhecer o teor das publicações? O acessório é mais importante do que o principal?

Identifiquei nas palavras da moça um evidente caso de intolerância e arrogância. É claro que eventuais comentários cujo teor efetivamente configure crime (ex.: apologia explícita ao nazismo ou à tortura, ameaças, etc.) devem ser denunciados. Mas os comentários que não nos agradam (e que rotulamos como "fascistas" ou "esquerdopatas") deveriam ser eliminados? A meu ver, não. Não consigo digerir a ideia de democracia unidirecional, seletiva. Em meus próprios artigos há diversos comentários. Muitos, é claro, não me agradam, e alguns são efetivamente ofensivos. Não obstante, considero uma honra o fato de alguém ler o que eu escrevi e comentar, ainda que para criticar (é claro que repudio as ofensas). Quero crer que o debate democrático seja feito da confrontação de ideias antagônicas. Ou será que apenas os "Donos da Verdade", à direita ou à esquerda, e respectivos apoiadores deveriam ter voz?

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