Parente legou aos mercados globalizados a destruição do capitalismo improdutivo

Ou nos salvamos seguindo alguma forma de inspiração metafísica, ou sucumbiremos na nossa própria destruição material, numa cascata interminável de eventos caóticos – no nosso caso, produzida pelo neoliberalismo encarnado em Michel Temer e sua equipe

Parente legou aos mercados globalizados a destruição do capitalismo improdutivo
Parente legou aos mercados globalizados a destruição do capitalismo improdutivo (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Por causa do preço do diesel vinculado aos preços internacionais por Pedro Parente, os caminhoneiros entraram em greve.

Por causa da greve dos caminhoneiros acompanhada de um lockout dos patrões, o sistema de transporte parou.

Por causa da paralisação do sistema de transporte, o Governo entrou em pânico, deu um subsídio ao diesel e concordou em editar uma tabela de preços mínimos dos fretes;

Por causa da tabela dos fretes, considerada inconstitucional pelos empresários do agronegócio, prevê-se novo lockout, pelo que vão disparar os preços dos mercados futuros da soja e do milho, no Brasil e nos Estados Unidos.'

Por causa da disparada dos preços à vista da soja e do milho, em Chicago, já pressionados pela retaliação chinesa na forma de taxação da soja comprada nos Estados Unidos no vórtice da batalha comercial entre as duas potências, a militar e a econômica, os preços da soja, em queda nos Estados Unidos, disparam no Brasil;

Com a disparada dos preços nos mercados à vista do Brasil, como reflexo do boicote involuntário dos caminhoneiros às exportações de soja pelo país – o subsídio de 46 centavos não chega às bombas, e o frete arbitrado pelo Governo tornaram inviável o transporte - , é inevitável que sejam chamadas as margens nos mercados de derivativos não só nos Estados Unidos mas nas bolsas globalizadas do mudo;

Com a chamada de margens, alguns pagarão e absorverão o prejuízo, saindo fora dos mercados especulativos, debilitando-os; outros ficarão numa posição inicialmente neutra; e muitos quebrarão. Será preciso, então, que o "bom" Governo, a exemplo do que fez Obama em 2009, enterre alguns trilhões de dólares (27 trilhões, mais de um terço do PIB mundial, foi o caso dele) para salvar os especuladores e os seus bancos.

Uma vez despedaçado o Reino da Especulação, seus restos terão de se defrontar com um governo norte-americano que, como se adiantou na campanha eleitoral, não tem qualquer simpatia por Wall Street, já que Trump está sob influência direta do sistema produtivo, ao qual pertence. Como conseqüência, o sistema financeiro especulativo mundial terá sua oportunidade de falir ou de voltar à normalidade dos anos 60 com apoio da grande máquina produtiva chinesa, que reforçará seu próprio capitalismo e contribuirá para regular o ocidental.

E pensar que tudo isso foi causado pela decisão de Pedro Parente, acobertado por Michel Temer, de vincular os preços dos combustíveis produzidos e comercializados pela Petrobrás aos preços internacionais, com o objetivo claro de criar condições lucrativas para as empresas petrolíferas estrangeiras no mercado interno e viabilizar a privatização da Petrobrás, que iniciaram pelas margens, inclusive no ramo da comercialização do gás.

Essa sucessão de eventos caóticos prenuncia o que os físico-matemáticos chamam de Atrator Estranho na Teoria do Caos, os hindus de Avatara e os cristãos de redentor: é o momento de um grande resgate pela força externa materializada num ser humano comum. Do contrário, permaneceremos indefinidamente no reino da jogatina neoliberal improdutiva, amaldiçoada como o Reino de Mamon pelo Papa Francisco.

Portanto, ou nos salvamos seguindo alguma forma de inspiração metafísica, ou sucumbiremos na nossa própria destruição material, numa cascata interminável de eventos caóticos – no nosso caso, produzida pelo neoliberalismo encarnado em Michel Temer e sua equipe , tendo Parente feito o papel de um prego- de forma similar ao que Shakespeare supostamente atribuiu a Henrique III numa peça clássica:

Por causa de um prego perdi a ferradura;

Por causa da ferradura perdi o cavalo;

Por causa do cavalo perdi a batalha;

Por causa da batalha perdi a guerra;

E perdi por causa da guerra perdi o Reino.

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