Paris é uma antena captando o Brasil

Quem ajudou a dar o nó, com a ajuda de tantos outros atores e fatores, simultânea e similarmente, foi Paris e sua conjuntura política, que vibra e luta por um Brasil melhor, por um país que já conheceu e ainda sabe trilhar caminhos democráticos

Lula e Museu do Louvre, Paris
Lula e Museu do Louvre, Paris (Foto: Felipe L. Gonçalves/247)

Nos livros de história vindouros, certamente será analisado o papel político-solidário desempenhado pelos franco-brasileiros (e outros povos) em Paris. A RED.Br (Rede Europeia pela Democracia no Brasil) e departamentos acadêmicos como a ARBRE (Associação pela Pesquisa do Brasil na Europa), seus docentes e estudantes, os intelectuais, políticos e artistas; o povo enfim. Um enérgico amálgama que realiza conferências (como a última contando com a presença de Dilma Rousseff na Sorbonne), peças (como aquela emocionante em que foram lidas cartas enviadas a Lula desde sua prisão) e cinema de resistência. Tais intervenções políticas (a construção do jardim em homenagem à Marielle sendo mais uma amostra destas ações), em suma, denotam uma militância efervescente que volta-e-meia ocupa as ruas, os anfiteatros e espaços públicos visando denunciar a tragédia brasileira. 

Paris se tornou uma ilha brasileira de resistência e amparo no que atine à sua democracia, denunciando de maneira non-stop o desencanto pelo qual passa cada cidadão brasileiro (consciente) com os rumos políticos tortuosos desse país tão querido pelo país hexágono – é impressionante perceber a importância dada ao Brasil pela França e seu povo. 

A brasilidade, por incrível que pareça, para o mal e para o bem, é bastante discutida nos jornais, programas televisivos, nos bares e sua música e cultura difundidas em eventos que não param de se reproduzir e acumular. O país, portanto, pelo menos na França, está em voga. Sua imagem dilacerada, claro, mas há um esforço estrepitoso de resgate de uma terra na qual existiu, recentemente, um esboço de projeto civilizatório que começava a recolher seus êxitos.

E, assim, nesse sentido, veio à tona a mais bela cereja no bolo: a concessão do título de cidadão honorário a Lula é um cruzado estraçalhando a cara da elite golpista brasileira. Deu até no jornal reacionário Le Figaro. Sabe-se, parafraseando Lula, que a verdade sempre se mostra, sempre vence o discurso mentiroso e omissivo, mas a velocidade com a qual o Deus Tempo está agindo, desvencilhando falácias de fatos, é impressionante. Óbvio que desde o golpe já se foram cinco anos, e o desmonte de um projeto caro de país é doloroso, só que, em relação ao percurso que o tempo exerce, a justiça histórica começa a se apresentar de maneira acelerada. Todas as máscaras cairão mais cedo ou mais tarde; as que já estão no chão, porém, são bastante suficientes para esclarecer a opinião pública internacional da mentira que paira no espectro político de um país que estava a ponto de superar mais uma potência na escala das maiores economias mundiais. 

Avista-se agora o precipício que puxa para si a Amazônia, a diversidade, a pacificação e a confraternização dos povos, mas uma corda foi amarrada ao Brasil para que ele não caia. Quem ajudou a dar o nó, com a ajuda de tantos outros atores e fatores, simultânea e similarmente, foi Paris e sua conjuntura política, que vibra e luta por um Brasil melhor, por um país que já conheceu e ainda sabe trilhar caminhos democráticos. Os ventos estão mudando. Alguns foram e serão sempre soprados levando liberdade, igualdade e fraternidade. 

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