Pau que bate em Silveira não bate em Bolsonaros

O deputado Daniel Silveira foi preso em flagrante por coagir, ameaçar e estimular a violência contra ministros do STF, defender o AI-5 e a cassação de deputados. As mesmas acusações e penalidade poderiam servir ao General Villas Boas, ao presidente e seus filhos. Mas isso aconteceria apenas numa República séria. Aqui, “a lei é para todos” apenas em filmes de ficção

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A Nova República nasceu de um processo que cooptou todas as demandas que poderiam significar qualquer ruptura em relação ao plano traçado pelos militares e as elites. O fisiologismo político foi a marca da transição transada que fundou um Estado de bem-estar social, a partir da Constituição Federal de 1988, numa sociedade com baixa adesão aos valores democráticos, autoritária, racista, e socialmente injusta.

Assim, a massa de excluídos foi alçada à inédita condição de “cidadãos de segunda categoria”, ou seja, puderam contar com direitos formais, mas jamais alcançaram os direitos reais. O sistema de justiça é o maior exemplo dessa divisão cívica. A população carcerária, em sua maioria, tem cor e classe, é preta e pobre.

As permanentes violações dos direitos e garantias fundamentais após a redemocratização chegaram ao governo, golpeando e retirando do poder uma presidenta honesta e prendendo ilegalmente outro ex-presidente, ambos representantes das classes populares, enquanto figurões ligados à velha elite parasita permanecem impunes, apesar das inúmeras provas e evidências dos crimes cometidos.

Atualmente, os maiores escândalos partem do degradado Poder Executivo. Bolsonaro, o pai, estimulou manifestações contra o STF e o Congresso, assinou leis para armar seus seguidores, dispõe de prepostos nas principais instituições da República e ameaça, diariamente, a ordem democrática. Sem contar o genocídio de brasileiros que vem cometendo na condução da pandemia com o apoio do Exército e do general Pazuello.

Bolsonaro, o filho, defendeu o AI-5, o fechamento do STF e, não nos esqueçamos, esteve nos EUA durante a invasão do Capitólio para aprender in loco as práticas que planeja para o Brasil. E, ainda, o recente relato do general Villas Boas, afirmando que o Alto Comando do Exército e as Forças Armadas estavam empenhadas em pressionar o STF para que Lula não tivesse direito ao Habeas Corpus que impediria sua prisão, em 2018.

A resposta tardia do ministro Edson Fachin, testa de ferro da Lava Jato no STF, foi comentada com deboche pelo vetusto general e confirmou aquilo que Lula já havia dito a Dilma em ligação grampeada e divulgada: “O Supremo está acovardado”.

A reação do covarde diante da exposição de sua medíocre condição é descontar em cima do mais fraco. O STF, temendo as reações de milicianos e militares, não mandaria prender Villas Boas ou qualquer um dos Bolsonaros. Então sobrou pro Silveira.

O deputado Daniel Silveira (PSL/RJ) foi preso em flagrante por coagir, ameaçar e estimular a violência contra ministros do STF, defender o AI-5 e a cassação de deputados. As mesmas acusações e penalidade poderiam servir ao General Villas Boas, ao presidente e seus filhos, que em inúmeras ocasiões afrontaram as instituições.

Mas isso aconteceria apenas numa República séria, com uma democracia consolidada. Aqui, “a lei é para todos” apenas em filmes de ficção. A Constituição é livro de ocasião. O pau que bate em Silveira não bate em Bolsonaros ou Villas Boas. E assim vai nos chegando a conta da redemocratização.

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