Paulo Guedes e o dever de não existir

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Essa manchete foi a única que achei no google expressando quase que na íntegra a fala de Paulo Guedes:

“O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (27/4) que a pandemia não foi a responsável por tirar a capacidade de atendimento do setor público, mas sim "o avanço na medicina " e "o direito à vida''.”

https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2021/04/27/internas_economia,1261017/guedes-culpa-aumento-da-expectativa-de-vida-pela-situacao-do-setor-de-saude.shtml

Lembro que ao me deparar com sua fala, me choquei quando ele afirmara que o Estado brasileiro estava quebrado por causa do Direito à VIDA, e logo depois exemplifica seu pensamento através da ideia do avanço da medicina e o desejo humano da longevidade.

Logo em seguida vejo os colunistas da Globonews reduzindo a fala do Ministro a questão da longevidade, sem se ater ao princípio de sua fala, a qual Freud explicaria muito bem. Apesar de acreditar não ter sido um ato falho desse senhor, ele disse, exatamente, o que pretendia.

O Direito à VIDA é muito mais amplo do que o direito a ter longevidade, é o direito ao trabalho, à moradia, à escola, à saúde, à cidadania, é o direito à Dignidade humana. Algo que nos tem sido negado, principalmente, após o golpe de 2016, e foi escancarado com a aprovação da Emenda Constitucional n.º 95, a famosa Emenda do “Teto dos gastos”, a qual limita gastos com saúde e educação, mas entrega os recursos arrecadados para os abutres do capital.

O esquecimento da fala inicial de Paulo Guedes não foi à toa, há intencionalidade em reduzir sua colocação, porque não podemos discutir sobre o sistema, e como ele enxerga os seres humanos, como os trata de maneira utilitarista, pois somos apenas peças na engrenagem do sistema que sustenta poucos, e como somos substituídos ao fim de nossas vidas. 

O sistema neoliberal desenvolveu uma nova espécie de escravidão, não mais através da violência física, mas a da imposição das crenças do individualismo, meritocracia, solidão e uma ilusão de que os vazios são preenchidos com likes e emojis.

Paulo Guedes deixou claro que não somos considerados, servimos apenas para produzir riquezas para a oligarquia, somos escravos de um pequeno grupo, que como abutres consomem nossos corpos mortos, retiram toda a nossa potência e força para proveito e acúmulo de poucos. Nos escravizamos, sem perceber, e, aparentemente não nos é dada nenhuma outra opção, a não ser sucumbir ao sistema ou seremos apenas fracassados, falidos, descartáveis.

O Estado brasileiro arrecada impostos para que sejam revertidos em benefício de todos os cidadãos, mas a proposição neoliberal e estampada na frase de Guedes é que a função do Estado é servir ao capital dos disfuncionais acumuladores de riquezas em detrimento da nossa população.

Retiram o pouco que temos e remetem aos falsos investidores, nosso povo passa fome, não tem moradia, as escolas são precarizadas, o conhecimento abandonado, a saúde inexistente, fomos abandonados à própria sorte, mas nos cobram recursos e nossa força para servir e produzir capital que será direcionado aos urubus do sistema financeiro internacional.

O Estado tem que ser gerido em prol da população, a ideia original de sua criação é o de servir ao cidadão, e não o contrário.

Hoje vivemos a inversão do sentido de Estado, vivemos para servi-lo, e a aqueles que se locupletam dele, que se sentem os ungidos, escolhidos e donos do poder estatal. Fomos divididos entre aqueles que tem o Direito à VIDA e os que sequer possuem o Direito de Existir.

BASTA!

Pelo Direito à VIDA de todos, em toda a integralidade do seu conceito.

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