Pedro Guimarães não faz ideia do que seja ética

Ao discursar que teve a vida inteira "pautada pela ética", exibindo sua família, o agora ex-presidente da Caixa citou números e resultados

www.brasil247.com - Pedro Guimarães
Pedro Guimarães (Foto: Isac Nóbrega/PR)


Por Gisele Federicce

No evento de lançamento do Plano Safra, onde Pedro Guimarães surpreendentemente compareceu nesta quarta-feira (29), mesmo depois das escandalosas denúncias de assédio sexual contra ele divulgadas na noite anterior pelo Portal Metrópoles, o até então presidente da Caixa Econômica Federal revelou, pelo discurso que fez, não ter qualquer ideia do que seja ética.

Guimarães fez questão de ir acompanhado da esposa - é praxe dos abusadores terem uma "família tradicional brasileira", de preferência com filhos e um longo casamento, para se blindar caso sejam flagrados em seus crimes. E em sua fala, além de ignorar as denúncias, citar a esposa e os "quase 20 anos juntos", disse ter "uma vida inteira pautada pela ética". Em seguida, deu o que para ele seria um exemplo desta trajetória. 

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“Tanto é verdade que quando assumi (o cargo), o banco tinha os piores ratings das estatais, dez anos de balanço com ressalvas. Uma série de questões que todos vocês sabem. E hoje a gente é um exemplo. Então eu tenho muito orgulho do trabalho de todos vocês e da maneira como eu sempre me pautei em toda a minha vida”, declarou.

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Vamos agora ao significado da palavra ética, especificamente no ambiente corporativo (é a síntese de textos de sites de carreira, empresas ou universidades):

A ética profissional refere-se a princípios que regem o comportamento de um trabalhador e da sua equipe no ambiente de trabalho. São “caminhos” de como uma pessoa deve agir em relação a outras pessoas e instituições, incluindo a própria empresa onde trabalha. Mesmo que cada um possua valores próprios, todos os membros de determinado time vão usar dos mesmos princípios éticos profissionais.

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No Código de Ética da Caixa Econômica Federal (acesse aqui), o banco passa por quatro tópicos: respeito, honestidade, compromisso, transparência e responsabilidade. Pedro Guimarães infringe claramente dois pontos do tópico “respeito”:

  • Na Caixa, as pessoas são tratadas com ética e respeito. Repudiamos todas as atitudes de preconceito relacionadas à origem, raça, gênero, cor, idade, religião, credo, classe social, incapacidade física e quaisquer outras formas de discriminação.
  • Preservamos a dignidade de dirigentes, empregados e parceiros, em qualquer circunstância, com a determinação de eliminar qualquer situação de provocação e constrangimento no ambiente de trabalho.

O que Pedro Guimarães fazia com as funcionárias não era apenas “desagradável” ou “constrangedor”. Assédio sexual é crime no Brasil, definido no artigo 216-A do Código Penal, passível de 1 a 2 anos de detenção. E sequer precisa ser físico. O Ministério Público do Trabalho, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, na cartilha “Assédio Sexual: Perguntas e Respostas”, define o assédio sexual no ambiente de trabalho como “a conduta de natureza sexual, manifestada fisicamente, por palavras, gestos ou outros meios, propostas ou impostas a pessoas contra sua vontade, causando-lhe constrangimento e violando a sua liberdade sexual”. 

De acordo com um estudo do LinkedIn em parceria com a consultoria de inovação social Think Eva, divulgado em outubro de 2020, quase metade (47%) das mulheres afirmaram já ter sofrido assédio sexual no trabalho. Entre elas, 15% pediram demissão do trabalho após o assédio. E apenas 5% delas recorrem ao RH das empresas para reportar o caso.

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O tema, no entanto, ainda é tabu dentro das empresas e o risco de impunidade aos assediadores é o principal motivo alegado como barreira para a denúncia por 78,4% das 414 mulheres entrevistadas em todo o país. Outras 63,8% alegaram políticas ineficientes para combater o assédio e o medo foi maior para 63,8% delas.

Pedro Guimarães desconhece o que seja ética e também que tenha cometido crimes. Ou pior: tinha conhecimento e seguiu em frente mesmo assim.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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