Pelo fim do massacre ao povo palestino

Creio que o mais importante neste momento seja desmascarar aqueles que fomentam guerras do grande capital internacional em nome de guerras santas

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Na semana passada o mundo inteiro comemorou o dia internacional de solidariedade ao povo palestino.

Em homenagem a este povo tão corajoso e tão sofrido realizamos uma sessão solene da Câmara Legislativa do DF que contou com a presença de embaixadores de vários países que apoiam a causa palestina.

Creio que o mais importante neste momento seja desmascarar aqueles que fomentam guerras do grande capital internacional em nome de guerras santas.

Que religiões, filosofias, líderes políticos ou economistas saberiam dizer como acabar com as guerras globais e suas táticas terroristas se no atual estágio do capitalismo a conquista pelo poder e a concentracão de riquezas nas mãos de poucos é a mais visível das realidades?

Todos nós brasileiros tentamos entender por que na Palestina, onde seu povo viveu séculos em paz, após a criação do Estado de Israel, mulheres testemunham seus filhos e maridos morrerem diariamente sem nada poderem fazer para impedir essa carnificina.

Nos perguntamos porque até hoje a ONU não criou um Estado Palestino se quase 70% dos membros da Assembléia Geral da ONU (134 de 192) reconheceram a Palestina como um Estado e em setembro de 2015 a maioria ampla votou por permitir que a bandeira palestina fosse hasteada diante da sede da organização.

A verdade é que um mundo sem fronteiras está sendo criado pelo capital internacional que estende suas garras, não coincidentemente para regiões ricas em recursos naturais, financiando e fomentando guerras para determinados fins onde quem sai perdendo é sempre a população civil.

É de um cinismo inaceitável ouvir de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, que Israel "está realizando uma atividade complexa, profunda e intensa na Faixa de Gaza", com apoio da comunidade internacional. Pelo menos, de uma coisa posso me orgulhar: o Brasil deixou bem claro que não faz parte desta farsa.

Igualmente vergonhosa e mentirosa é a posição do governo norte-americano, que culpa o Hamas pela continuação do conflito em Gaza.

Esta posição não é apenas minha ou do governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, costuma dizer que o primeiro ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, é um mentiroso contumaz, que recorre à trapaça para promover suas intenções.

Há 22 anos o regime de Israel diz, por exemplo, que o Irã terá armas nucleares em seis meses, e até hoje nem eles nem os EUA conseguiram provar o que afirmam. Sabemos sim que esta afirmação faz parte da estratégia das grandes potências para invadir e dominar o Irã.

Me orgulho imensamente da decisão política do Brasil de se posicionar oficialmente contra a chacina de palestinos promovida por Israel nos últimos anos e ter votado favoravelmente à resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, que estabeleceu em 2014 uma comissão para investigar as ações de Israel.

O confronto é desleal: enquanto os mortos israelenses são contados em dezenas, os palestinos são enterrados as centenas.

Como Nação democrática temos o direito de condenar esse comportamento criminoso e assassino de despejar bombas em hospitais e prédios civis sob a alegação de que são bases do Hamas. E mesmo que fossem não poderiam ser bombardeados. O Hamas como movimento é parte representativa do povo palestino.

As críticas à posição da diplomacia brasileira contra a ação de Israel são feitas por quem parece desconhecer o interesse histórico do Brasil por Israel e seu povo. Não criticamos o povo israelense mas os governos israelenses que só visam a dominação cada vez maior dos territórios palestinos.

A criação do Estado de Israel, em 1948, se deu a partir da decisão de partilha da Palestina, em 16 de setembro de 1947, em sessão da Organização das Nações Unidas, presidida pelo embaixador brasileiro, Oswaldo Aranha, então presidente do organismo internacional. Inclusive, em razão de ter dado pátria ao povo judeu, seu nome é considerado uma legenda em Israel.

Com o passar do tempo, no entanto, Israel transformou a mentira em política de Estado.

Portanto, apoio incondicionalmente a posição brasileira de defesa do fim desse morticínio contra o povo palestino e caso não ocorra um cessar fogo, creio que o Brasil deveria romper relações diplomáticas com Israel.

Israel é um dos maiores receptores de ajuda americana, grande parte destinada a subsídios para a compra de armas. Palestinos não tem apoio aberto de nenhuma potência. Apesar da causa palestina gerar simpatia em muitos setores, isso não se traduz em geral em apoio formal.

A escalada da violência entre Israel e palestinos após os confrontos de setembro desde ano na mesquita de Al Aqsa, local sagrado para os mulçumanos de Jerusalém, foram resultados de rumores sobre um suposto plano de Israel para modificar antigos acordos para a gestão do lugar.

Israel desmentiu os rumores mas mesmo assim iniciou-se uma onda de esfaqueamentos e disparos que deixaram dezenas de feridos, resultando num anúncio por parte de Israel de que as casas dos palestinos envolvidos nos ataques serão demolidas e que suas famílias perderão o direito de morar em Jerusalém.

As autoridades israelenses estabeleceram postos de controle na saída de bairros palestinos no leste de Jerusalém, os primeiros na cidade desde 1967, e depois disso a violência se estendeu para a fronteira com Gaza.

Observadores afirmam que a exemplo dos dois grandes levantes de palestinos contra Israel ocorridos na década de 1980 e no início dos anos 2000, tudo indica que agora, com um processo de paz praticamente morto, uma terceira Intifada (levante) poderá ocorrer.

O que falta para que haja uma oportunidade de paz duradoura?

Israelenses teriam que aceitar a criação de um Estado soberano para os palestinos, o fim do bloqueio à Faixa de Gaza e o término das restrições à circulação de pessoas e mercadorias nas três áreas que formariam o Estado Palestino: Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza

Além disso teriam que chegar a um acordo razoável sobre fronteiras, assentamentos e o retorno de refugiados. Desde 1948 ano da criação do Estado de Israel, muitas coisas mudaram, especialmente a configuração dos territórios disputados após as guerras entre árabes e israelenses. Os palestinos, no entanto, insistem que as fronteiras negociadas devem ser aquelas existentes antes da guerra de 1967.

Na faixa de Gaza, há uma espécie de guerra silenciosa na Cisjordânia, com a construção de assentamentos israelenses, o que reduz de fato, o território palestino nestas áreas.

A questão mais complicada talvez seja Jerusalém, considerada capital para palestinos e israelenses. Tanto a autoridade palestina, que governa a Cisjordânia, quanto o grupo Hamas, em Gaza, reivindicam a parte oriental como a capital de um futuro Estado Palestino, apesar de Israel ter ocupado a cidade em 1967.Um pacto definitivo nunca será possível sem resolver este ponto.

"Imagine", aquela canção criada por John Lennon, há 43 anos, na Inglaterra, reconhecida como uma das cem músicas mais cantadas do século XX, aponta a solução para o problema: ..." Imagine se não houvesse paises; é difícil de acreditar; nenhuma razão pela qual se matar ou morrer; nenhuma religião também; Imagine todos os povos vivendo a vida em paz... você pode dizer que sou um sonhador mas não sou o único a sonhar este sonho".

A mensagem de Lennon após quatro décadas, duas delas em um novo século, nunca foi tão atual, e necessária. A internet derrubou muros e fronteiras mas não as crenças em razões para matar e morrer na vida de muitos povos.

Na verdade, temos razões e deveríamos cantar mais e diariamente, esta canção porque ao que tudo indica o caminho a ser trilhado até a realização deste sonho será árduo e longo.

Pela criação de um Estado Palestino!
Pelo fim do massacre ao seu povo!
Solidariedade internacional ao povo palestino e sua causa!

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