Perdemos uma incrível oportunidade de debater sobre a Cultura no Brasil

O debate tem que ser em formas de tirar os poucos recursos da Cultura das mãos de alguns poucos e levar para a maior quantidade possível de produtores culturais



Olá, camaradas. Espero que estejam bem diante de mais uma semana desta desgraceira corrupta intitulada governo Bolsonaro. 

Bom, quero usar este espaço para versar sobre a excelente oportunidade que perdemos para falar sobre Cultura. Por isso demorei um pouco para escrever esse texto, pois queria esperar a repercussão total deste assunto. 

E o cenário é o mesmo visto em outras áreas: perdemos a oportunidade de debater sobre o financiamento público da área cultural. O escândalo dos shows sertanejos superfaturados ao redor do Brasil mostra como se gasta mal os parcos recursos ligados à Cultura. 

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Qual a necessidade de uma prefeitura arcar com shows de cantores como Gusttavo Lima, Zé Neto, Luan Santana, etc? Esses artistas atingiram um status em que conseguem recursos, que não são poucos, via esfera privada. Não há dúvidas da capacidade destes cantores de encherem grandes eventos organizados por produtoras privadas. Isso sem contar o dinheiro que recebem de publicidade e da monetização em canais no YouTube e plataformas de streaming. 

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Ou seja, essas pessoas não precisam de recursos públicos. Quem precisa do dinheiro ligado ao financiamento cultural são os pequenos artistas locais, que valorizam a cultura regional e fazem um trabalho de “formiguinha” para democratizar o acesso a esses produtos culturais. 

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Ao invés de pagar R$1 milhão para o Gusttavo Lima, esse dinheiro poderia ser usado para fazer uma boa política pública, com editais sérios e bem definidos, que distribuam esses recursos para produtores locais. Artistas que vão, de fato, impactar a cultura na cidade e que também vão gerar emprego e renda. Muito mais do que um show de uma hora e meia de um cantor famoso. 

Só que no meio da polêmica dos shows superfaturados, vimos um debate raso envolvendo quem defende esses artistas e atacam a Lei Rouanet, contra quem critica esses sertanejos e defendem a Rouanet. Ou seja, não leva a lugar nenhum simplesmente porque não se debate o problema em si. Ficamos presos, como sempre no Brasil, ao debate personalista. Se gosto de fulano, defendo. Se não gosto, o agrido. 

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O fato é que somos um país que valoriza muito pouco seus artistas. Uma pequena camada ganha muito, enquanto a base da pirâmide ganha muito pouco. E é para essas pessoas que devemos olhar, pois são elas que estão na ponta. São elas que dialogam com a população. São elas que podem democratizar o acesso a cultura. 

O debate tem que ser em formas de tirar os poucos recursos da Cultura das mãos de alguns poucos e levar para a maior quantidade possível de produtores culturais. Pois são esses que vão ajudar a transformar o país. Tínhamos essa oportunidade na mão, mas deixamos escapar. A pergunta é: teremos, de novo, uma chance como essa? 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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