Pitacos
A família Bolsonaro sairá da rota para encontrar uma nova estrada para seguir caminhando, enquanto seus seguidores estarão costurando suas meias.
Quem duvida que, em um eventual segundo turno, entre Lula, Caiado ou outro, a família Bolsonaro vai ficar neutra, torcendo para que Lula seja reeleito? Eu não duvido, como aposto que Flávio, caso retire sua candidatura e concorra ao senado, que é mais prudente, acompanhe o resultado do Texas.
A não disputa para presidência, deixará o bolsonarismo com uma vela na mão. Caso o candidato da oposição a Lula seja eleito, será a pá de cal que decretará o fim de uma geração que atuou na sarjeta contra os interesses do Brasil.
Se Lula for reeleito, tem mais quatro anos de mandato, com o bolsonarismo fazendo oposição e ocupando espaços na mídia, de olho em 2030, quando não teremos mais Lula. Se o eleito for Caiado, por exemplo, os bolsonaristas ficarão entre a cruz e a caldeirinha, tendo a esquerda como legítima oposição.
Não, o bolsonarismo não sairá de cena, apenas não terá a mesma força de convencimento. É só passarmos um olhar revisionista na história que encontraremos períodos hegemônicos de um grupo, mas que depois sucumbiram.
Um exemplo clássico e muito claro: as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, e seus partidos (PRP e PRM), dominaram a política entre 1894 e 1930, e depois perderam todo o poder.
Outro exemplo mais recente: a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido que apoiou a Ditadura Militar (1966–1979). Dominou totalmente o Congresso e as eleições controladas por 15 anos. Quando o regime abriu, foi extinta, virou PDS e depois se fragmentou, perdendo toda a força política que tinha.
Por isso e por outros motivos, a família Bolsonaro sairá da rota para encontrar uma nova estrada para seguir caminhando, enquanto seus seguidores estarão costurando suas meias.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

