Planalto mira prefeitos, empresários e igrejas

Depois de uma semana esperando por uma "desidratação natural" de Marina Silva, que não aconteceu, muito pelo contrário, o Planalto começa a colocar em ação um plano de contenção do crescimento da ex-senadora junto a segmentos específicos com grande poder de voto ou influência.

Uma das ofensivas é junto aos prefeitos. Não é segredo para ninguém que eles ainda são fortes indutores do voto em cidades do interior, onde os "currais" eleitorais sobrevivem com outra roupagem.  Boa parte dos prefeitos é grata a Dilma por medidas como a doação do kit composto por trator-retroescavadeira-caminhão, o aumento do porcentual do Fundo de Participação dos Municípios e o Mais Médicos.  Emissários do Governo valem-se deste trânsito para tentar aliciar  prefeitos de partidos da base e mesmo de partidos de oposição, como o PSDB e o próprio PSB. Todos eles estão preocupados com a criação de condições para se reelegerem daqui a dois anos.   As reuniões com prefeitos já começaram a ser feitas por estado.

Outra ação já está em curso junto aos empresários, tendo o próprio ex-presidente Lula como um dos interlocutores, auxiliado pelo ex-ministro Antônio Pallocci.  Além de medidas concretas, como aumento da oferta de crédito para investimentos e bens de capital, os petistas vão insistir no risco-Marina para a economia e a preservação do ambiente de confiança no Brasil, apesar do baixo crescimento da era Dilma e da reclamada falta de diálogo.  Um dos sinais da má vontade do empresariado com Dilma está nas doações para a campanha, que minguaram em relação a 2010 e aumentaram para Aécio e Marina, relativamente ao recebido por seus partidos naquele pleito.

Para conter a adesão das Igrejas evangélicas à candidata do PSB, o Governo pretende acenar com a oferta das mesmas isenções tributárias já garantidas à Igreja Católicas.  Mantendo Dilma, é claro, longe de temas perigosos como aborto e união de homoafetiva.

São medidas práticas, que podem ajudar a presidente, principalmente num segundo turno que já se desenha claramente entre ela e Marina Silva. Mas o desafio de Dilma continua sendo o de comunicar-se com o grande eleitorado. Seu programa de televisão ainda mostra suas realizações em linguagem ora empolada, ora técnica demais.  Mas uma coisa é certa. Dilma deixou a postura presidencial de lado e partiu para o ataque a Marina no debate de ontem. Agora, deve ser cada vez mais ofensiva.

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