Planejava entrar em 2014 com o pé direito. E acabei pisando no tomate...

Este texto é um pedido de desculpa formal ao Francisco, o homem que domina o controverso mundo das crases

Eu queria demais ter entrado em 2014 com o pé direito. Planejamento feito. Horário de envio do texto para a querida Gisele, tudo pensado, estudado previamente. E acabei pisando no tomate...tsk...tsk...tsk...

O assunto escolhido - o caso do implante de fios de cabelo (e levantamento da pálpebra) do presidente do Senado, Renan Calheiros. Agora eu percebo que planejar as coisas com antecedência é sempre um risco.

Pois não é que, ao falar da viagem feita por Renan num avião da FAB a Pernambuco, eu acabei trocando o glorioso Estado do futuro presidente da República (se não der em 2014 será em 2018) por Alagoas, do não menos honorável ex-presidente Collor.

E o que é grave, gravíssimo segundo o leitor Francisco: botei uma crase na expressão "de Brasília a Maceió". Ficou de Brasília "à" Maceió.

Ao comentar meu erro, crasso, elementar, o compenetrado Francisco (permita-me chamá-lo Chico) levanta dúvidas sobre minha qualidade de jornalista, cita o impecável professor Pasquale, e diz que meu erro envergonha a categoria, os colegas do 247 e cobre de lama a própria Língua Portuguesa.

A esta altura do texto eu sou obrigado a pedir desculpas ao Chico. Mil desculpas, por não ter aprendido ainda a usar a crase. E é no mínimo intrigante esse desconhecimento.

Afinal, na carreira de um jornalista como eu, que preenchi duas carteiras profissionais, a antiga - lembra Chico, a chamada "marrom", e a mais moderna, a azul - começando como repórter estagiário e vem subindo, até diretor de redação, ao longo de 40 longos anos (perdão, Chico, por repetir a mesma palavra numa única frase).

E nunca ninguém que me tenha contratado, ou mesmo dado uma promoção, um aumento salarial, percebeu que eu sou, como você insinua, um analfabeto funcional.

Depois vem a referência ao Mino Carta, citando-o gratuitamente, diz você, para angariar simpatias dos leitores.

Em primeiro lugar, hoje é meio questionável saber se o Mino Carta angaria simpatias ou antipatias.

Devo dizer, meu irmãozinho, que trabalhei com o citado por cerca de 18 anos, na criação do Jornal da Tarde, na fundação da revista Veja, e junto com o Mino, durante toda a permanência dele na revista IstoÉ, antes que eu assumisse a direção da revista.

Com um sucesso retumbante, que pode ser expresso em números, diga-se.

O Mino, conheço-o assim, como diria o linguista Jânio Quadros, de trás para frente e de frente para trás. Sei dos dois lados da moeda.

Em "illo tempore" frequentei o Mino mais do que a minha família, nos intermináveis jantares depois do "fechamento" (jargão jornalístico) das revistas, em mesas sempre rodeadas de pessoas e onde não faltavam, desde "illo tempore" (poxa, ando repetitivo, não) entradas e salamaleques devidos pelo "maitre" ao "senhor diretor".

E desde "illo tempore", caro Chiquinho, não faltavam também as intermináveis perorações - horrível esse termo, não acha?, mas na falta de outros vão mesmo as perorações, contra a desprezível, abjeta, chula, no mais das vezes chula, classe média brasileira.

Desde aquela época, Chiquinho, e já lá se vão mais de 30 anos, esse assunto já era tema central nos nossos jantares. Ninguém poderia imaginar que a classe média brasileira se alargasse a ponto de hoje ir fazer suas compras em Miami.

Há anos que não converso com o Mino, a não ser em rápidos lançamentos dos livros que ele produz - e com talento de verdadeiro romancista, ou nas inaugurações das suas exposições (ele pinta também, não sei se você sabia).

Numa dessas ocasiões estava lá o Paulo Henrique Amorim, ou PHA, que me dizia: "Comprei esse aqui" e virando o corpo, com um vinho na mão - por certo um Brunello de Montalcino, apontava outra obra: "...e aquele ali".

Assim, essa longa convivência me autoriza, sem pedir licença a ninguém (sem crase, eu espero) a citar o Mino Carta da maneira que achar mais conveniente.

Quanto ao oftalmologista, aconselho o amigo a consultar o antigamente chamado "pai dos burros" - hoje Google, e verificar que a função de oculista é apenas uma entre as várias especialidades oftalmológicas.

Um abraço, querido...

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