Planos de governo

Nunca é demais lembrar que o segmento da construção habitacional é o único setor da nossa economia que independe da conjuntura internacional e dos efeitos sempre lembrados da crise enfrentada por alguns países importantes

Nunca é demais lembrar que o segmento da construção habitacional é o único setor da nossa economia que independe da conjuntura internacional e dos efeitos sempre lembrados da crise enfrentada por alguns países importantes
Nunca é demais lembrar que o segmento da construção habitacional é o único setor da nossa economia que independe da conjuntura internacional e dos efeitos sempre lembrados da crise enfrentada por alguns países importantes (Foto: Rubens Menin)

O desafio do momento concentra-se na necessidade imediata e impostergável de tratarmos da retomada do crescimento econômico, evitando a continuidade na estagnação do nosso PIB – Produto Interno Bruto. Também é consenso entre muitos especialistas que a melhor forma de se alcançar esse objetivo reside na formulação de planos consistentes para o desenvolvimento, a repotencialização e a consolidação operativa dos setores mais estratégicos e multiplicadores. Nessa fase de transição que antecede o início do mandato da administração reeleita do país, o próprio governo dá sinais de que pretende abrigar alguns desses setores estratégicos em planos específicos de desenvolvimento e em conjuntos de medidas de apoio ou incentivo. Esse parece ser o caso, por exemplo, da ampliação, modernização e reforma dos equipamentos que integram a nossa antiquada, deficiente e depauperada infraestrutura. Bom que se esteja cogitando de um plano desses.

Mas, ao mesmo tempo, não de vê nenhum sinal objetivo de que um plano semelhante estaria sendo cogitado para o subsetor da construção imobiliária. Esse importantíssimo segmento parece fadado a ficar mais algum tempo esquecido, operando muito abaixo da sua capacidade de produção e apresentando como conseqüência perversa, o fechamento de grande número de postos de trabalho. Somente no mês de outubro passado, ocorreu a extinção líquida de 33.556 vagas na Construção Civil, em todo o país, conforme destaquei no tópico antecedente deste blog.

O continuado abandono da construção imobiliária na formulação de planos e políticas de governo, nos anos mais recentes, é incompreensível. Principalmente quando se observa que o segmento reagiu com eficiência e capacidade ao desafio representado pelo Programa “Minha Casa, MInha Vida”, ativado pelo governo federal a partir de 2009. Desde então, esse programa já produziu benefícios diretos para mais de cinco milhões de brasileiros e conseguiu reduzir ou equacionar quase a metade do nosso renitente déficit habitacional. Como explicar, então, a recente perda de ritmo das metas governamentais nesse particular, quando ainda existe metade do problema a ser solucionado. Cadê o plano da construção imobiliária?

Nunca é demais lembrar que o segmento da construção habitacional é o único setor da nossa economia que independe da conjuntura internacional e dos efeitos sempre lembrados da crise enfrentada por alguns países importantes. De fato, o segmento da construção imobiliária nacional desenvolveu tecnologia própria sem dependências externas, é formado essencialmente por empresas brasileiras, ocupa mão de obra estritamente nacional e utiliza mecanismos locais de “funding”.Em resumo, é um segmento 100% nacional, o que, por si só, seria suficiente para elevá-lo à condição de setor estratégico. No entanto, a importância dele é ainda maior, já que contribui com cerca de 8,9% na formação do nosso PIB – Produto Interno Bruto (agregadamente com fornecedores e outros segmentos afins ou dependentes).

Para concluir, não posso deixar de registrar a existência de condições propícias para a recuperação dos níveis operacionais anteriores, uma vez que, além da parcela remanescente do déficit habitacional e do ingresso anual de quase um milhão e meio de novas famílias em busca de moradia, vemos que o crédito imobiliário no país segue em patamares muito seguros conforme indicadores internacionalmente aceitos, tanto na comparação percentual com o PIB, como na fração de inadimplência corrente. Essa situação decorre, principalmente, da melhoria de renda dos brasileiros nos períodos mais recentes e do baixo nível geral de desemprego na nossa economia. Diante de tudo isso, impossível olvidar a indagação: Cadê o plano da construção imobiliária?

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