'Pobre bom é pobre morto'

Para Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia, "a vingar a tal reforma do Sistema Único de Saúde, o presidente, que pelo teor de sua frase confessou não gostar de pobres, estará criando um eficiente modo de se livrar deles: matando-os". "Por tabela, ainda vai baratear a mão-de-obra médica", completa a colunista

(Brasília - DF, 21/06/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante reunia?o com o Fernando Azevedo, Ministro de Estado da Defesa; e Augusto Heleno, Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. \rFoto: Marcos Corrêa/PR
(Brasília - DF, 21/06/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante reunia?o com o Fernando Azevedo, Ministro de Estado da Defesa; e Augusto Heleno, Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. \rFoto: Marcos Corrêa/PR (Foto: Marcos Correa)

Por Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia - “Quem gosta de pobres são eles”. A frase dita pelo presidente Jair Bolsonaro ecoou pouco, em meio a um noticiário que muda alucinadamente, embrulhando no mesmo papel Vaza-Jato e bobagens e cambalhotas desse ministério que se protege sob o mesmo guarda-chuva: o da vulgaridade. Deste modo, é mesmo difícil esmiuçar a filosofia-para-choque de Bolsonaro. Hoje, porém, não há como escapar de refletir sobre o que ele disse, diante do novo avanço do (des)governo sobre a Saúde, uma área social sensível do país. 

Sim, o Papa Francisco, os que se dizem cristãos, os homens de boa vontade, os comunistas, os progressistas e os sensíveis ao outro se preocupam com a parcela desfavorecida da população. Até a dita “elite” deveria fazer o mesmo, quanto mais não fosse para que essas pessoas (sim, pessoas), se mantivessem saudáveis para continuar sendo força de trabalho, e não um exército de lúmpen a vagar pelas ruas. Coisa que muito incomoda à camada de cima, da população.

O recado foi passado por aquele jornalão, porta-voz das maldades de Bolsonaro. Em um editorial atípico – recheado de números e estatísticas – reativam a semente da privatização do setor, assunto deixado de lado desde a era FHC, pois na era Lula Pobre era preocupação, e o SUS funcionava.

Tentaram fazer isto com a Educação, mas a força da estudantada, professores e uma parcela significativa dos trabalhadores e da sociedade em geral, foi para as ruas e mostrou a ele que não seria tão fácil passar sobre os direitos até aqui conquistados, tampouco privatizar o setor. A medida atingiria também os filhos da classe média alta que adquirem o título de Dr. nas universidades públicas.

O jeito foi virar a mão para outro segmento, já achatado pela “PEC do Teto”, que congelou os recursos tanto para a Educação, quanto para a Saúde, por 20 anos. A lenga-lenga defendida pelo editorial do jornalão fala do aumento de gastos com a saúde da população carente – tradução: pobre só atrapalha – e sugere a gestão dos hospitais públicos pelas “Organizações Sociais”. Uma providência que, na surdina, já vem sendo implementada lentamente, mas não com a desfaçatez proposta: virar medida de governo. A vingar a tal reforma do Sistema Único de Saúde, o presidente, que pelo teor de sua frase confessou não gostar de pobres, estará criando um eficiente modo de se livrar deles: matando-os. Por tabela, ainda vai baratear a mão-de-obra médica. Certamente esses profissionais terão o salário diminuído pelas OSs.

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