Pobre menina rica

A candidata Marina representa o anacrônico, o retrógrado, o repto ao socialismo mais moderado, enfim, ela representa os interesses contrários ao povo brasileiro

"Não acredito em falha processual na editoração do texto. Foi uma falha moral. Uma falha de princípios éticos. Uma falha com os compromissos republicanos de um estado laico", Milton Hatoum, escritor, ao retirar o apoio a Marina Silva após "ERRATA"

Era uma vez uma menina de seringal que estudou e a duras penas conseguiu inserir-se na realidade brasileira.

Depois de alguns anos, o país revelou-se ainda difícil para os marginalizados e pobres, mas algum progresso foi sendo atingido: projetos de aquisição da casa própria; acesso à Universidade; à Saúde; à Cesta Básica e até à ajuda monetária mínima.

A menina cresceu profissionalmente e conseguiu ter destaque político, mas uma coisa começou a incomodá-la: como conciliar religião, radicalismo, Bíblia e Política? Durante algum tempo – sem perder a Fé – prosseguiu na caminhada política, tornando-se candidata à Presidência da República, sem sucesso.

Então aprendeu que política são alianças, algumas vezes a entrega da alma ao diabo, e o incômodo aumentou; cidadã sofredora não havia negar que certas posições, impediam a liberdade da mulher e mascaravam verdadeiro genocídio feminino, com reflexos no sustento e sobrevivência de famílias inteiras: o aborto é pecado!

O constrangimento religioso se estendeu à opção sexual, nada obstante o progresso legislativo e o respaldo em decisões da Suprema Corte. Mas, recalcou-se no mais fundo ao negar a existência dos casais homoafetivos e a possibilidade de adoção por estes de crianças abandonadas. E, ela, a partir de opção religiosa – a mesma que de há muito frequenta, através de missões evangélicas, as matas amazônicas e que assalta nossas reservas, além de extrair do herbanário e do sangue indígena parâmetros para testes de doença ou cura – ela, mais do que ninguém, conhece a extensão deste retrocesso, contrário à segurança jurídica das decisões nos conflitos familiares.

De início, quiçá por inexperiência do jogo político, aderiu aos movimentos favoráveis ao seu povo, descrevendo-se próxima ao socialismo e se apresentando como defensora da Humanidade, rebelando-se, veemente, contra a ocupação indiscriminada do solo pelo agronegócio.

Finalmente, candidata-se novamente ao cargo de Presidente da República, graças ao imponderável e lança o seu programa de governo, que no momento seguinte nega.

Neste ponto cabem indagações: foi ele construído anteriormente à sua revelia? Então não representa seu posicionamento? Se elaborou ou ao menos leu, não percebeu itens contrários ao seu determinismo religioso? Se sabia, arrependeu-se de enganar eleitores e, na hora seguinte, talvez pressionada por anjos e apóstolos, recua no essencial: "por falha processual (sic) na editoração do texto"?

A menina tímida, humilde, sem malícia, acaba desta forma cooptada por representante familiar de instituição bancária, esquece suas críticas aos espoliadores de índios e da herança ambiental; enfim não se revela como o 'novo', antes se mostra pigmalionicamente adaptável às pressões, venham de onde vierem, conservando intactos o messianismo e certo xiitismo criacionista que aureolam sua crença.

A candidata Marina representa o anacrônico, o retrógrado, o repto ao socialismo mais moderado, enfim, ela representa os interesses contrários ao povo brasileiro.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247