Poema de Maiakovski parece ter sido feito para Moro

"O poema 'Hino ao juiz', de Vladimir Maiakovski serve de advertência ao que poderá acontecer no Brasil se juízes como Sérgio Moro continuarem desafiando abertamente instâncias superiores, como no caso da tornozeleira de José Dirceu e assumirem um imenso poder, acima dos demais", diz o colunista Alex Solnik, citando um trecho da poesia: 'Nem os meus versos escapam à censura: São interditos, sob pena de tortura. Classificaram-nos como bebida Espirituosa: 'venda proibida'"; leia o poema  

Poema de Maiakovski parece ter sido feito para Moro
Poema de Maiakovski parece ter sido feito para Moro

Embora tenha sido escrito há mais de 100 anos, em 1915 e se refira explicitamente aos malfeitos dos juízes do Peru, onde o poeta foi censurado, o poema "Hino ao juiz", de Vladimir Maiakovski chama atenção para o que poderá acontecer no Brasil se juízes como Sérgio Moro continuarem desafiando abertamente instâncias superiores, como no caso da tornozeleira de José Dirceu e assumirem um imenso poder, acima dos demais Poderes e das demais autoridades.

   “Mas eis que, de repente, como praga no Peru imperam os juízes” diz Maiakovski.

   “Os olhos dos juízes são faíscas numa lata de lixo”, escreve.

   “Os juízes apreenderam as penas dos colibris”.

   “A todo monte ordenam que se cale”.

   O poema, na íntegra:

 

Pelo Mar Vermelho vão, contra a maré

Na galera a gemer os galés, um por um.

Com um rugido abafam o relincho dos ferros:

Clamam pela pátria perdida – o Peru.

 

Por um Peru-Paraíso clamam os peruanos,

Onde havia mulheres, pássaros, danças.

E, sobre guirlandas de flores de laranja,

baobás – até onde a vista alcança.

 

Bananas, ananás! Pencas felizes.

Vinho nas vasilhas seladas...

Mas eis que de repente como praga

No Peru imperam os juízes!

 

Encerraram num círculo de incisos

Os pássaros, as mulheres e o riso.

Boiões de lata, os olhos dos juízes

são faíscas num monte de lixo.

 

Sob o olhar de um juiz, duro como um jejum,

Caiu, por acaso, um pavão laranja-azul;

Na mesma hora virou cor de carvão

A espaventosa cauda do pavão.

 

No Peru voavam pelas campinas

Livres os pequeninos colibris;

Os juízes apreenderam-lhes as penas

E aos pobres colibris coibiram.

 

Já não há mais vulcões em parte alguma,

A todo monte ordenam que se cale.

Há uma tabuleta em cada vale:

“Só vale para quem não fuma”.

 

Nem os meus versos escapam à censura:

São interditos, sob pena de tortura.

Classificaram-nos como bebida

Espirituosa: “venda proibida”.

 

O equador estremece sob o som dos ferros.

Sem pássaros, sem homens, o Peru está a zero.

Somente, acocorados com rancor sob os livros,

Ali jazem, deprimidos, os juízes.

 

Pobres peruanos sem esperança,

Levados sem razão à galera, um por um.

Os juízes cassam os pássaros, a dança

A mim e a vocês e ao Peru.

 

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