Política de Conteúdo Local... e eu “Kico”?!

Os interesses da grande mídia entreguista e das multinacionais são os mesmos dos pequenos tupiniquins?

Os interesses da grande mídia entreguista e das multinacionais são os mesmos dos pequenos tupiniquins?
Os interesses da grande mídia entreguista e das multinacionais são os mesmos dos pequenos tupiniquins? (Foto: David Nogueira)

Há um clima de polarização política sendo semeado em meio à sociedade brasileira, cujas graves consequências, quem o planta, com certeza, não as sofrerão. A grande mídia de nossas ensolaradas terras, dominada por seis famílias, tendo o conglomerado TV Globo à frente, sonha e teima em patrocinar um golpe de estado para inviabilizar o governo eleito com 54 milhões de votos. Não é o fato, contudo, de se gostar ou não dos belos e fantásticos olhos da Senhora Dilma que leva a direita (e seus tentáculos) a mover suas sombrias máquinas, visando destruir o governo em curso (com muitos problemas e virtudes). Os desejos, vontades e necessidades vão muito além disso.

 

2. Desenhando quadros

O editorial publicado na última segunda (23) pelos Irmãos Marinho é uma pérola de trabalho contra o Brasil e tudo o que ele representa no enfrentamento global ao neoliberalismo como política econômica e social. Com o título Manipulação política em torno da Petrobras, os “Irmãos cara de pau” revelam claramente o caminho a ser seguido dentro de sua estratégia de poder paralelo de cunho desaforadamente privado. O pano de fundo é a entrega do Pré-Sal às empresas multinacionais americanas, privatização da Petrobrax e, nessa sequência, o fim da política de Conteúdo Local (CL). O desmonte da atual base de sustentação da economia brasileira, talvez, e só talvez, na visão da direita brasuca, pode vir a permitir a eleição de um novo “Salvador da Pátria”, de perfil conservador, capaz de trazer, para a pauta da nação, os interesses arranhados dessa gente rica, egoísta e juízo irremediavelmente atrofiado. E o povo, no seu conformismo histórico, que vá aprender a conjugar um oportuno verbo reflexivo: lascar-se!

 

3. CL ou Política de Conteúdo Local

A tal da CL, também chamada nas rodas de Política de Conteúdo Nacional, tornou-se uma ação estratégica a partir de uma decisão política de governo, no intuito de fortalecer a indústria nacional lá nos idos de 2003. Sob o ângulo daquela decisão, todos os bens e serviços contratados, dentro da imensa cadeia produtiva do petróleo, deveriam ter uma participação de fabricantes nacionais de, pelo menos, 60%. Esse incentivo (por decisão de governo) fez acender no Brasil, entre 2003 e 2009, 640 mil novos postos de trabalho qualificado, gerando 14,2 bilhões de dólares em bens e serviços. Sem aquela decisão, todos esses empregos, rendas e impostos teriam sido alavancados nos EUA, Europa, Cingapura, Coreia, China e Japão.

 

4. Fazendo crescer

Ainda, segundo os dados do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – PROMINP,  com essa medida política, a participação dos investimentos nacionais, dentro desse setor, saltou de 57%, em 2003, para 75%, em 2009... e esse processo vem aumentando.  Mais do que gerar empregos, renda, impostos, conhecimento industrial e know-how específico, essa decisão gerou cidadania para os brasileiros e respeito pelo Brasil em nível mundial. Essa política de interesse nacional ajudou, de fato, o país a atravessar a grande crise de 2008, com geração de empregos, enquanto a Europa, por exemplo, varria mais de 60 milhões de postos de trabalho. E é isso que a Globo, às claras, quer termimar.

 

5. Cara de pau

O senhor José Roberto Mendonça de Barros, ex-todo poderoso Secretário de Política Econômica de FHC, insiste no receituário neoliberal e condena a Política de Conteúdo Local em artigo publicado no último dia 22 de fevereiro. Para ele, por exemplo, seria mais “barato” comprarmos sondas de perfuração no mercado internacional, com diferenças de preço superiores a 25%. Falta, nessa visão tacanha e entreguista, o papel de defesa do interesse nacional que deve estar por trás de cada governo popular. Nossa indústria só atingirá a eficiência das indústrias do primeiro mundo caso tenham apoio e mercado. Como se espera fazer isso comprando sempre lá fora???? Se porventura tivéssemos seguido esse receituário, nossa indústria de construção naval estaria hoje fabricando jangadas com lona furada, em vez de petroleiros e navios de grande calado. Nesse setor estratégico, saímos de pouco mais de 4 mil trabalhadores, em 2003, para mais de 90 mil. Sem dúvida, uma grande tristeza para estaleiros estrangeiros...

Resta a dúvida mais do que cruel: os interesses da grande mídia entreguista e das multinacionais (todas voltadas unicamente para o lucro) são os mesmos dos pequenos tupiniquins que por cá desfilam em suas coloridas tangas?

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